E a ti? O que te faz feliz?

Junho traz de volta os dias longos, o calor, a ingenuidade e a felicidade. Começa com o Dia Mundial da Criança e, quase no fim, como se do mesmo dia se tratasse, brinda-nos com aquele que é considerado o dia mais feliz do ano.

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Não acredito que seja por acaso, mas coincidência ou não, todos os dias deviam ser dias para celebrar.

Queremos ser engenheiros, pintores, bailarinos e médicos. Queremos ser professores, pilotos, advogados e cantores. Queremos ser cabeleireiros, enfermeiros, cozinheiros e arquitetos. Queremos ser polícias, surfistas, fotógrafos e escritores. Queremos ser astronautas. Porque afinal, “nada bate um astronauta”.

Fosse o astronauta a metáfora que levamos connosco, todos os dias, debaixo do braço. Devíamos ter sempre a lua connosco e devia ser permitido flutuar. Talvez isso nos fizesse feliz e nos fizesse, ainda que por um bocadinho, voltar a ser crianças.

Crescemos. Crescemos e já não nos deslumbramos com coisas simples. Ou talvez, na verdade, isso nos faça feliz ou sorrir. Mas não lhes damos a atenção que merecem.

Sabemos que somos felizes com os dias grandes e com o sol a brilhar. Mas, às tantas, damos por nós e não passou de mais um dia. Não dissemos bom dia aos nossos pais nem àqueles que se cruzaram connosco na rua. E acreditem, às vezes esse bom dia é suficiente para sermos e fazermos felizes.

Mas há quem também goste do inverno e da chuva. E está tudo bem. Os desenhos da nossa infância não tinham sempre o sol a sorrir no cantinho. E às vezes era preciso uma nuvem mais cinzenta para fazer crescer as flores que achávamos que sabíamos desenhar.

Crescemos. Crescemos e a felicidade vem em forma de outras coisas. Deixa de ser o abraço que damos à nossa educadora e passa a ser o facto de não vermos mais os nossos professores e, finalmente, termos passado à disciplina. Irónico. Ou não. E, mais uma vez, está tudo bem. Ir ao estádio passa a fazer-nos felizes se a nossa equipa ganhar e esquecemo-nos do que nos levou lá e das gargalhadas que demos no intervalo.

Mas devemos continuar a ser felizes, tal como as crianças, nas festas da cidade, quando ouvimos as nossas músicas favoritas, quando a avó faz o almoço favorito, quando fazemos novos amigos. Sejamos felizes quando há o gelado que queremos e quando fazemos anos, quando cantamos – mal – no chuveiro e quando vamos ao cinema.

E deixemo-nos deslumbrar pelo novo e pelo desconhecido, quando viajamos, quando acendemos uma vela ou quando fazemos um brinde.

E quando tudo acaba, queremos é ser pequenos outra vez. Porque afinal, “nada bate uma criança”.

1.junho.2022

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