EIS 2020. POLÍTICOS VIMARANENSES PERSPETIVAM OS DESAFIOS DO CONCELHO E DO PAÍS

Ano novo, projetos novos? Também, mas não só. Para os vereadores com competências delegadas, 2020 é sinónimo de continuidade e consolidação. Há surpresas em vista, eventos para marcar na agenda e muitas concretizações — e obras na rede viária, claro. Tudo isto num trabalho de articulação. E o PSD, o CDS-PP, a CDU e o BE fazem a sua análise do mandato do PS e perspetivam as mudanças, obras e projetos que se avizinham. 2020 é ano cheio para a cidade.

©Mais Guimarães

Adelina Paula Pinto

Vice-Presidente e vereadora da Educação, Biblioteca e Arquivos, Cultura, Juventude, Relações Públicas e Relações Internacionais

Destaca-se, para 2020, o grande investimento em atividades e projetos “que estimulem todos os alunos e que ajudam a construir o novo cidadão do século XXI”. A vereadora faz ainda referência ao Plano Municipal da Juventude, em construção e sob uma “perspetiva participativa”, que inclui jovens “de todos os concelhos”. Este ano, a Câmara Municipal vai “consolidar um projeto desportivo já em funcionamento” para “proporcionar a todos os alunos do 1.º ciclo o contacto com 5 modalidades desportivas diferentes”. Salienta-se ainda a construção de novas infraestruturas — está em vista o novo centro escolar de Moreira de Cónegos e uma “requalificação profunda da Escola de Casais, em Brito”, por exemplo. Sem esquecer a inauguração do renovado Teatro Jordão, com novas funções. A vereadora aponta ainda que os vimaranenses “precisam de estar mais atentos para a diversidade” do “programa cultural”, que diz ser “eclético, muitas vezes gratuito ou a preços simbólicos”. Em 2020, iniciar-se-á ainda “um novo projeto de arte urbana” na cidade. E há uma surpresa: em julho, “uma grande figura da música clássica estará em Guimarães”.

Em 2020 espera-se a inauguração no renovado Teatro Jordão. © Direitos Reservados

Ricardo Costa

Vereador das Finanças, Património, Desenvolvimento Económico, Modernização Administrativa e Qualidade, Sistemas de Informação, Sistemas Inteligentes, Atendimento e Apoio Ao Munícipe Fiscalização, Contraordenações, Polícia Municipal e Desporto.

Na ótica de Ricardo Costa, há duas dimensões para o desenvolvimento económico de Guimarães para 2020. A primeira diz respeito à consolidação: o vereador da pasta das Finanças, entre outros, aponta o exemplo da conclusão das obras do Instituto Cidade de Guimarães (prevista para final do ano). Da consolidação resultará “um salto qualitativo” e uma “alteração do paradigma da economia”. E essa mudança vem com os investimentos que surgem com a indústria 4.0: “Não podemos ser só prestadores de serviço. Temos capacidade e a indústria está neste distrito. Podemos comandar o país neste grande objetivo. E temos ainda uma academia fortíssima.” Ricardo Costa é também candidato à Federação Distrital do PS de Braga, e o desafio a que se propõe é “unir o partido”, mas também abri-lo à comunidade. “Temos de ser capazes de construir uma mensagem de futuro”.

Espera-se a conclusão das obras do ICG em 2020. © Direitos Reservados

Paula Oliveira

Vereadora da Ação Social e Espaço Municipal para a Igualdade.

A vereadora da Ação Social e Espaço Municipal para a Igualdade frisa que o mais importante “é manter a qualidade do que existe”. Há projetos novos em vista — incluindo um dirigido para os cuidadores —, mas Paula Oliveira destaca que há planos para implementar e continuar. Do leque faz parte, por exemplo, o Banco Local de Voluntariado, que recebeu o Selo de Excelência de Qualidade em Voluntariado em dezembro. Mas há mais: o município foi reconhecido pela UNICEF como Cidade Amiga das Crianças. E é preciso “continuar a trabalhar em prol” da mesma, que “faz o caminho para a Capital Verde”. “Destaco ainda o Plano Municipal de Igualdade de Género”, acrescenta. O trabalho da Ação Social, “exigente e por vezes invisível”, coaduna-se com os restantes pelouros: “Tudo é transversal e este é um trabalho em rede”, explica a vereadora. Para Paula Oliveira, para alcançar os objetivos é preciso ainda um esforço “com afinco e esperança”, para que todos possam ser “felizes sem esquecer ninguém”. “Ninguém pode ficar para trás”, conclui a vereadora.

Na área da Ação Social, o importante é consolidar projetos. © Nuno Rafael Gomes/Mais Guimarães

Fernando Seara de Sá

Vereador do Urbanismo, Centro Histórico e Vistorias Administrativas.

O vereador deixa o resumo para 2020: “[Este ano] será marcado por um conjunto de intervenções na rede viária do concelho.” Fernando Seara de Sá aponta ainda “a revisão e adaptação do Plano Diretor Municipal, numa perspetiva de tornar mais clara a visão de organização territorial.” “Serão desenvolvidos estudos estratégicos sobre o uso do espaço público, no sentido da ampliação dos parques industriais e ainda a definição do Eco Parque Industrial para a zona sul do concelho”, acrescenta ainda. A concretização da digitalização dos processos está prevista, numa “transição definitiva”, permitindo que “os mesmos sejam resolvidos de uma forma mais simples e célere, sem nunca perder a exigência”. Para o Centro Histórico, o vereador diz que “há um conjunto de trabalhos em curso na perspetiva da acessibilidade universal e no sentido de conduzir à sua pedonalização”. Salienta-se ainda “a aplicação da Estratégia Local de Habitação”, que possibilitará “fomentar a capacidade de respostas a outras questões como a habitação estudantil, a habitação económica ou o arrendamento acessível”.

2020 será marcado por intervenções na rede viária do concelho. Perspetiva-se o arranque das obras do desnivelamento do nó de Silvares. ©Mais Guimarães

Sofia Ferreira

Vereadora do Ambiente, Serviços Urbanos, Turismo, Recursos Humanos e Proteção Civil.

“Destaco o trabalho a realizar da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável Guimarães 2030”, começa por elencar Sofia Ferreira. O ano de 2020 “dará corpo a um conjunto de projetos de Educação para a Sustentabilidade e Investigação, Desenvolvimento e Inovação, que respondem aos desafios da sociedade atual”. A vereadora realça ainda a “concretização do projeto tendente à implementação da Recolha Seletiva de Resíduos Biodegradáveis” e a “procura de novas soluções na área da economia circular”. Ainda dentro da pasta do Ambiente, lembrar que o Fórum Internacional do Ambiente da Rede Eurocities está marcado para março próximo. O transporte público marcará o concelho, estando previsto o lançamento de um “concurso público internacional com vista à concessão do serviço público de transporte rodoviário de passageiros”. Os eixos centrais da estratégia promocional turística serão o Turismo Cultural, o de Congressos e Eventos e o de Natureza. Para 2020, prevê-se também a “concretização do plano de ação delineado no âmbito da Estratégia Turística Guimarães para o horizonte 2019-2029”.

O transporte público é um dos temas fortes para este ano. © Mais Guimarães

Bruno Fernandes

Vereador e Presidente do PSD de Guimarães

Bruno Fernandes não pensa que o orçamento municipal para 2020 corresponda “aos principais desafios de Guimarães”. “A Câmara é gerida sem uma estratégia clara de desenvolvimento, limitando-se a tratar os problemas que vão gerando mais contestação social”, acrescenta. Para o social-democrata, o facto de Guimarães ter sido, dentro dos “quatro grandes concelhos do distrito”, o que “menos reduziu a sua taxa de desemprego” revela uma “clara falta de estratégia de captação de investimento e de promoção do desenvolvimento económico”. Bruno Fernandes aponta ainda que a rede de transportes públicos é “ineficaz”. Mas há mais problemas apontados pelo vereador: “Há escolas onde chova nas salas de aula, como é exemplo a EB 2, 3 de São Torcato.” Ou, então, o Rio Ave que é “poluído quase semanalmente”, para além dos “acessos à zona sul do concelho” ou a ausência de diretor no CIAJG. Já para as eleições para a presidência do PSD, a realizarem-se este mês, o social-democrata deseja que “o partido se volte para os portugueses” após o processo eleitoral. Para março, estão marcadas as eleições internas para a concelhia do PSD.

Para Bruno Fernandes, há uma “clara falta de estratégia de captação de investimento e de promoção do desenvolvimento económico” no município. ©Mais Guimarães

André Coelho Lima

Vereador e deputado na Assembleia da República (PSD)

“O que faz falta em Guimarães foi aquilo que informou a candidatura à Câmara Municipal em 2013, mas sobretudo em 2017 – um plano estratégico de desenvolvimento do concelho. Não apenas do ponto de vista económico, mas também urbanístico”, diz André Coelho Lima. Para o vimaranense, do ponto de vista económico, a Câmara Municipal deve ser mais proativa na captação de investimento para que seja conseguida uma reconversão do tecido económico local e aumentar o PIB per capita. Junta a essa proatividade a necessidade de “unir os pontos”. “Guimarães é um concelho sem coesão territorial. Temos nove vilas e 2/3 da população vive fora da cidade. Não há uma estratégia de desenvolvimento”, considera.
Um dos assuntos concelhios que mais marcou a intervenção política do vereador prende-se com o processo de candidatura das Nicolinas a Património Imaterial. Numa das últimas reuniões de câmara pediu uma “frente comum” para que a candidatura seja levada avante, algo que “teve uma resposta positiva”. “Durante este ano vão ser dados passos definitivos. Não serão do PSD, serão passos comuns. Guimarães é que sai a ganhar”, conclui.

André Coelho Lima aponta que Guimarães é um concelho “sem coesão territorial”. ©Mais Guimarães

Mariana Silva

Deputada municipal e na Assembleia da República (CDU)

Para Guimarães, a CDU ergue as bandeiras da mobilidade e ambiente. “São questões que ainda estão em cima da mesa. Há promessa por parte do município que virá uma revolução ao nível dos transportes públicos. Esperamos para ver”, afirma Mariana Silva. A deputada entende que a ação do município “fica aquém” no plano da mobilidade: “Era importante olhar para o Quadrilátero e perceber o que fazer. A ligação [ferroviária] Guimarães – Braga é muita antiga. Está sempre em cima da mesa nas eleições.” Na questão do Rio Ave, a CDU vai “esperar e ver” o que será feito nos próximos tempos. O Orçamento do Estado (OE) também vai impactar o concelho. Exemplo disso é o fim da isenção do IMI nos centros históricos. Mariana Silva reitera a posição da CDU: “Os centros históricos não deveriam pagar IMI. Esta despesa devia ser suportada pelo Estado”. No entender da deputada, “carregar os municípios com mais uma responsabilidade” vai fazer com que alguns não consigam suportá-la. Os Verdes ainda estão a analisar o OE. “Independentemente de a forma como votarmos vamos fazer propostas em sede de especialidade”, assegura.

Mariana Silva realça a questão da ligação ferroviária entre Guimarães e Braga. ©Mais Guimarães

Sónia Ribeiro

Deputada municipal e presidente do CESMINHO (BE)

A deputada municipal não faz uma avaliação positiva do mandato atual do PS “em alguns aspetos”. Um dos pontos que Sónia Ribeiro indica é a “questão dos transportes”, “sem aposta séria” no concelho. A bloquista aponta ainda como aspetos negativos “as sucessivas descargas poluentes” nos rios vimaranenses, “a impermeabilização dos solos, a construção em zonas como a encosta da Penha” e a “cedência a pressões de grupos económicos”. “A transferência de competências, através da criação de empresas municipais, é também para nós motivo de preocupação, uma vez que para o BE elas servem para ilibar o município”, considera. Sónia Ribeiro demonstra também reticência para com as obras previstas para 2020 — ainda que o partido compreenda a importância das mesmas, a deputada municipal diz que, “em alguns casos”, o processo não conta com uma “perspetiva de longo prazo”. Na qualidade de presidente do CESMINHO, Sónia Ribeiro aponta que o Contrato Coletivo para o retalhista foi “revisto e enviado para a DGERT, estando apenas a aguardar publicação em Diário da República”. Ainda assim, “a questão salarial não resolverá todos os problemas” do setor comercial.

As “sucessivas descargas poluentes” nos rios do concelho figuram nas preocupações do Bloco de Esquerda. ©Mais Guimarães

Rui Correia

Presidente da Comissão Política do CDS-PP de Guimarães

Na ótica do CDS, um dos maiores problemas do concelho prende-se com o nó de Silvares. “Os transtornos causados na entrada e saída de Guimarães” são sintomáticos “das promessas não cumpridas pelo executivo socialista” e, por isso, Rui Correia espera um ano em que essas promessas se concretizem. “É uma promessa que se arrasta há anos. Os vimaranenses estão preparados para ‘sofrer’ um pouco com as obras porque já sofrem no dia-a-dia. Mais vale ter agora o problema resolvido do que estar ad eternum à espera de um nó que nunca mais se concretiza”, afirma o presidente da Comissão Política dos centristas de Guimarães. No que toca ao investimento, “Guimarães tem que acompanhar os concelhos limítrofes, que estão a ultrapassar” o concelho, assinala o centrista. Rui Correia também perspetiva um ano importante para o CDS a nível nacional. O resultado das últimas legislativas, que deixou o partido com cinco deputados na Assembleia, vai levar a uma mudança na liderança e o partido tem congresso marcado para 25 e 26 de Janeiro. “Está muito dividido e o novo líder tem que conseguir congregar todas as forças. É um partido essencial para o país”, afirma.

“É uma promessa que se arrasta há anos”, diz Rui Correia acerca do desnivelamento do nó de Silvares. ©Direitos Reservados

Com Pedro Castro Esteves

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