EM ALDÃO, NOVOS E VELHOS PLANTAM A SEMENTE DOS VALORES NICOLINOS

A manhã deste sábado, 22 de Fevereiro, foi marcada pela habitual plantação de pinheiros na Quinta de Aldão, de onde é retirado, anualmente, o Pinheiro, “mastro anunciador” das festas Nicolinas.

©  Mafalda Oliveira/ Mais Guimarães

É o primeiro encontro anual informal entre Nicolinos, novos e velhos, que se juntam para “devolver à natureza” o que dela retiram todos os anos. Assim descreveu o presidente da AAELG/Velhos Nicolinos, José Ribeiro, a manhã deste sábado, 22 de fevereiro, passada na Quinta de Aldão. No local estiveram dezenas de amantes das centenárias festas a plantar, simbolicamente, dois pinheiros. É precisamente da Quinta de Aldão, “uma mancha verde rodeada de urbanizações” – como descreve uma das proprietárias, que é retirado, anualmente, há anos sem conta, o Pinheiro, mastro anunciador do início das festas. Depois de percorrer as artérias da cidade, a árvore é colocada junto à Igreja de São Gualter, naquela que é considerada a noite mais longa do ano para as gentes de Guimarães, a de 29 de novembro.

O que os milhares de participantes no Cortejo do Pinheiro não saberão é que, ainda em fevereiro, há quem já esteja, de certo modo, a preparar as festas. Passavam alguns minutos das 11 horas da manhã deste sábado quando chegava João Neves, também ele Velho Nicolino, para anunciar, que, ao fim de 10 anos, descobriram que os pinheiros que têm vindo a plantar “tinham pouca probabilidade de crescimento”. “Fomos ao Viveiro Florestal de Amarante e o responsável teve a gentileza de nos oferecer 58 pinheiros. São de sementes certificadas”, assegurou. Estes novos pinheiros “irão manter uma boa postura” e daqui a 20 anos “cá estaremos para os vir buscar”, ouvia-se ao fundo.  Se na manhã deste sábado foram dois pinheiros plantados, mais tarde, os restantes 56 serão plantados numa zona escolhida especificamente para o efeito pelos proprietários da Quinta do Aldão.

©  Mafalda Oliveira/ Mais Guimarães

A decisão de replantar todos os anos um pinheiro em substituição do então retirado foi anunciada aquando do início das comemorações dos 50 anos da associação AAELG Velhos Nicolinos, em 2009. “Na altura, a ideia surgiu de um elemento da direção, que sugeriu que deveríamos repor os pinheiros que se vão cortando de ano a ano. É a nossa dádiva para a natureza e uma forma de as Nicolinas se adaptarem à realidade de hoje. Os vindouros terão pinheiros, de certeza absoluta”, assegurou José Ribeiro, enquanto caminhava rumo ao local de plantação.

No mesmo trilho seguia Teresa Martins da Costa, uma das proprietárias da Quinta e, também, orgulhosa herdeira da tradição. “Gosto de manter a tradição da família, de ter este papel da dádiva do pinheiro. Eu e os meus sobrinhos dizemos sempre – enquanto tivermos pinheiros que dignifiquem a festa, daremos o pinheiro. Porque não é só ter pinheiros grandes. Têm que estar num local de onde possam sair inteiros. É uma operação muito difícil de realizar”, recordou. Segundo Teresa Martins da Costa, os pinheiros que anualmente desfilam, carregados por bois, na noite do Pinheiro, têm cerca de 50 anos. “É bom podermos continuar a manter este verde. Estamos a cerca de quatro quilómetros da cidade e, nesta zona, já não há assim muitas manchas verdes como esta”, lembrou.

©  Mafalda Oliveira/ Mais Guimarães

Da plantação nasce o convívio e a partilha

Após a plantação, fica-se na eira, onde novos e velhos Nicolinos se encontram para um momento de partilha e encontro. “Os Velhos Nicolinos trazem reforço de pequeno-almoço. Nós colocamos garrafas do nosso vinho”, explicou Teresa Martins da Costa. Por “reforço de pequeno-almoço” leia-se presunto, azeitonas, broa e pão de ló, que dão sabor a uma festa que se quer de partilha de conhecimentos e de valores Nicolinos, segundo José Ribeiro. “Houve anos que vinham dois ou três [elementos da mais recente Comissão de Festas]. Houve mesmo anos em que nenhum aparecia, não por falta de convite nosso, mas porque não ligavam muito. Agora é normal a comissão aparecer quase toda. Este ano apareceram todos. Queremos sempre transmitir-lhes todos os valores relacionados com as festas, como a fraternidade, a amizade, partilha, para além, claro, do conhecimento das tradições”, sublinhou.

Também do lado de quem percorre pela primeira vez o caminho da replantação, este é um momento “excelente”. “É daqui que vem o pinheiro todos os anos para o cortejo, e é ótimo termos este gesto de vir cá plantar”, afirmou Alexandre Lopes, o presidente da mais recente Comissão de Festas. “Não são muitas vezes que conseguimos estar juntos [com os Velhos Nicolinos]. Vermos elementos de diferentes idades e diferentes anos a conviver… é bonito. Espero que daqui a 20 ou 30 anos estejamos juntos e possamos fazer isto com os restantes Nicolinos”, admitiu.

©  Mafalda Oliveira/ Mais Guimarães
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