Em Serviço Público

Por Eliseu Sampaio,
Diretor do Grupo de Comunicação Mais Guimarães

Quando, em março, no período mais assustador deste surto da Covid-19, e com a precioso empenho de Emanuela Lopes, psicóloga clínica e da saúde vimaranense, decidimos criar o programa “Consultório Aberto”, emitido aos sábados na página do facebook e no canal do Youtube do Mais Guimarães, sabíamos que estávamos o certo, a disponibilizarmo-nos para fazer, literalmente, serviço público, no seu sentido mais simples. Desde então realizamos oito edições do programa, respondendo às dúvidas e preocupações que os leitores nos têm colocado durante as semanas e abordando assuntos tão relevantes neste período como as perdas e o luto, a estigmatização dos infetados, a gestão do tempo e dos conflitos em família, as preocupações a ter com os nossos idosos ou a medicação em autogestão.

No último programa destacamos a violência doméstica durante a pandemia. Os números refletem uma diminuição de queixas durante o confinamento, embora Marta Silva, Chefe do núcleo de violência doméstica e violência de género da Comissão para a igualdade de géneros, convidada dessa edição, nos tenha explicado que, nos próximos dias, outra realidade se deverá revelar, e que a diminuição das queixas terá a ver com o facto de as vítimas estarem confinadas com os agressores, e com medo acrescido, portanto.

Recebemos esta semana uma mensagem que consideramos dever partilhar, porque espelha uma realidade que tantas vezes, preferimos ignorar. É, simultaneamente, um sinal de esperança: “No sábado passado, o tema, como os outros, foi interessante e importante. Eu tenho uma amiga próxima que está a passar por uma situação destas com o marido. Liguei-lhe e disse-lhe para ouvir o programa. É com muita satisfação que vos digo que a minha amiga denunciou o marido e saiu de casa. Há muito que falávamos sobre isto. E agora finalmente teve coragem e deu o passo em frente, pelo menos o primeiro. Vamos agora esperar que ela se mantenha firme e finalmente seja feliz. Parabéns e obrigado por trazerem estes temas, que muitas vezes estão dentro de 4 paredes.”

Há muito a fazer nesta e noutras áreas. Há imensos problemas camuflados e dispersos na sociedade que vivemos. Que este retorno que tivemos vos incentive a fazer um pouco mais, como nos incentivou claramente a nós a continuar, a arregaçar as mangas neste momento tão delicado da nossa história.

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