Empresários queixam-se de monopolização do estacionamento pelos CTT

Vários empresários instalados na rodovia de Covas, entre as instalações da Hyundai e a rotunda do Salgueiral, no lado direito da via, no sentido Vizela-Guimarães, queixam-se do açambarcamento do estacionamento pelos CTT, com viaturas da própria empresa e de funcionários.

Os empresários dirigiram um abaixo assinado ao presidente da Câmara de Guimarães, com mais de 50 assinaturas, manifestando o desagrado com uma situação que classificam de “caos absoluto”. No documento, os empresários apontam os CTT como a principal causa para este problema e uma das soluções aventada é a saída da empresa do local.




A criação e ampliação de zonas de cargas e descargas, o “reperfilamento da zona permitindo o aumento dos lugares de estacionamento”, a limitação temporal do estacionamento e a oferta de alternativas de estacionamento para os funcionários das empresas, em zonas próximas, são outras das medidas apontadas no abaixo assinado enviado à Câmara Municipal de Guimarães.

“Todos os dias, sem exceção, em horário de expediente é o caos absoluto…”

“Todos os dias, sem exceção, em horário de expediente é o caos absoluto, não tendo os clientes e fornecedores forma de estacionar na área, o que, para além dos transtornos, causa prejuízos”, pode ler-se no abaixo assinado.

“As pessoas estão pelas ruas da amargura, até porque já reuniram com vereadores que lhes prometeram soluções”, afirma Ricardo Lobo, um empresário instalado na zona.

João Garcia é um dos empresários que já reuniu com o presidente da Câmara e com o vereador Ricardo Costa. “O presidente já me disse várias vezes que vai resolver o assunto, o certo é que o tempo vai passando e não acontece nada”, diz este empresário.

“Os CTT têm por volta de cem funcionários e, além disso, usam a via pública como estacionamento para as suas viaturas. Quando os funcionários dos CTT ali chegam, de manhã, deixam os carros deles e pegam nos da empresa, o parque está sempre ao serviço deles. É um uso abusivo da via pública”, protesta João Garcia.

“Com o movimento natalício e com o aumento das vendas online a situção tem-se agravado. Quando chega o camião do CTT, ao fim da tarde, não passa ninguém , nem para um lado nem para o outro” queixa-se.

Para este empresário a solução passaria por os CTT retirarem daquele local os serviços de logística e deixarem ali apenas um balcão de atendimento ao público. “A logística devia ser deslocada para um pavilhão numa zona industrial”, afirma João Garcia.

É uma opinião secundada por Jorge Santos, o candidato à Junta de Freguesia de Urgezes, em 2017, pela Coligação Juntos por Guimarães. “O ideal era manter ali um posto e mudar a distribuição para uma zona industrial. Mas, ninguém tem ligado nada a isto”, queixa-se Jorge Santos, um dos impulsionadores deste abaixo assinado.




Miguel Oliveira, o atual presidente da Junta de Freguesia de Urgezes, eleito pelo PS, lembra que “esta é uma situação crónica” e não aceita que o ónus do problema seja colocado todo sobre os CTT . “Algumas dessas empresas, que agora se queixam, quando para ali foram já lá estavam os CTT. Cada um deles deve ajudar um bocadinho ao problema. Será que eles não deixam também os carros em frente às empresas?”

O presidente da Junta de Urgezes reconhece o problema e afirma que já foram feitos esforços para levar os CTT para outros locais. Miguel Oliveira diz que foram feitos contactos para deslocar os CTT para um estabelecimento comercial de chineses que, entretanto, ficou devoluto, por trás do Intermarché, em Urgezes, ou para uma zona de armazéns, próximo do acesso à autoestrada.

Miguel Oliveira acrescenta que já fez, no passado, diligências junto da administração dos CTT para ter um balcão de proximidade nas Instalações da Junta e que esses contactos voltaram a ser encetados há poucos meses, embora ainda não tenha resposta da empresa.

João Garcia rejeita a ideia de que todas as empresas contribuem igualmente para o problema, “porque nenhuma empresa ali sediada tem tantos funcionários como os CTT”. O empresário lembra que no único dia do ano em que todas as empresa estão de portas abertas com exceção dos CTT, a Sexta-feira Santa, o trânsito flui sem problemas (os CTT respeitam o feriado nacional, ao passo que as empresa locais optam por encerrar na segunda-feira).

Na petição enviada à Câmara de Guimarães os empresários admitem que este é “um último esforço para que o problema seja resolvido com a máxima urgência sob pena de os negócios existentes terem de encerrar e enviar para o desemprego centenas de pessoas”.

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