ENTRE O DIGITAL E A RESPONSABILIDADE SOCIAL, A OFICINA TRILHA O CAMINHO PARA (LÁ DE) 2020

O diretor artístico Rui Torrinha explica o foco da cooperativa não só para 2020, mas para os anos que se seguem.

“Guimarães não tem esperado pelo Governo central para fazer o seu caminho”, diz Rui Torrinha. ©Mais Guimarães

Os investimentos d’A Oficina para os próximos anos passam pelo “plano do digital”. Quem o garante é Rui Torrinha, o diretor artístico do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), Festivals e Centro de Criação de Candoso, em representação da cooperativa. E isso vai ao encontro de algumas medidas anunciadas pela ministra da Cultura, Graça Fonseca, para o Orçamento do Estado (OE) para 2020.

Entre a internacionalização ou a dinamização de programas dedicados à leitura, a governante também apontou a “modernização e transformação digital dos museus, monumentos e palácios regionais” como parte do foco da estratégia política cultural para o ano que se inicia. Mas, por cá, e segundo Rui Torrinha, esse caminho já se percorre há algum tempo: “Guimarães não tem esperado pelo Governo central para fazer o seu caminho. Tem sabido antecipar e implementar as suas próprias políticas culturais e fazer o seu investimento, criando diferentes e diversificados contextos de acesso à cultura pelos cidadãos, uma prática fundamental das sociedades ditas evoluídas”, salientou. Exemplo disso é o site d’A Oficina, lançado em setembro, onde se agregam todos os espaços culturais com o selo da cooperativa, como o CCVF, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) e a Casa da Memória de Guimarães. Mas a nova morada digital, aponta, “foi apenas um primeiro passo”.

O diretor artístico do CCVF salienta o “valor imaterial e simbólico de assegurar o futuro das novas gerações”. ©Mais Guimarães

Ainda assim, o diretor artístico do CCVF não acredita que o OE 2020 reflita, “nas suas preocupações e áreas de prioridade, algo que é fundamental para a afirmação e emancipação do país e do mundo” — Rui Torrinha fala da “criação”. “Num tempo de dinâmicas vertiginosas, é importante que a memória seja preservada através dos museus, monumentos e palácios regionais”, refere, acrescentando que “o valor imaterial e simbólico de assegurar o futuro das novas gerações não se pode perder”. E nisso, considera Rui Torrinha, “Guimarães vai à frente e estará sempre disponível para colaborar enquanto projeto na área das artes que partilha o seu conhecimento e impulsiona a discussão de como fazer melhor”.

No que à internacionalização diz respeito, o diretor artístico refere programas como o Westway LAB, no domínio da música, e o Aerowaves, ligado à dança, como projetos que refletem uma “aposta coerente” para “estimular o contacto com as artes” na cidade. E esse estímulo pode encontrar uma casa cada vez mais afirmada no CIAJG. Falando pelo coletivo que conduz A Oficina, Rui Torrinha garante: “Estamos convictos que o CIAJG se converterá gradualmente em mais um fator simbólico de representatividade e atratividade da cidade, no país e no mundo, acrescentado-lhe por isso novas camadas de valor.”

A consolidação de “uma visão holística”

Rui Torrinha destaca ainda o plano “da responsabilidade social” e a “forte intervenção cultural na região, país e mundo” por parte d’ A Oficina. Aí, entra a sustentabilidade — a cooperativa quer “intensificar a adoção de modos de agir mais sustentáveis e impulsionar essa consciência cívica a partir de exemplos que possam gerar bom contágio”.

A ” forte intervenção cultural na região, país e mundo” é um dos focos d’ A Oficina. ©Mais Guimarães

Para 2020, o diretor artístico do CCVF considera que a cidade sairá reforçada em matéria de criação, sublinhando que Guimarães será “uma das principais geografias” do processo criativo no país. Para isso contam “projetos e redes internacionais”, bem como a vertente educativa assegurada através do serviço de Educação e Mediação Cultural da cooperativa. Ainda no domínio da internacionalização, Rui Torrinha aponta como flechas para esse objetivo festivais como o GUIdance, a iniciar no próximo mês, o já referido Westway LAB e o Guimarães Jazz, que assinalará, este ano, a sua 29.ª edição. “A aposta no Centro de Criação de Candoso” entra na “frente de projeção da cidade e todo um potencial de fixação do conhecimento no território”.

A inauguração do Teatro Jordão, marcada para este ano, configura-se como a concretização de “uma vizinhança há muito ambicionada e desejada” pelo CCVF. O “fluxo de relações e novas oportunidades” adivinha, na ótica d’ A Oficina, “um ano de ambições reforçadas” — sem esquecer que se assinalam os 15 anos do CCVF e os 10 do GUIdance

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