Esperança!

Por César Teixeira.

O PPD/PSD, o PS e o CDS foram partidos fundacionais do regime democrático saído de 25 de Abril. Correspondendo à firme vontade dos Portugueses asseguraram a construção da democracia. Contribuíram para superar derivas totalitárias protagonizadas pela extrema esquerda.

Nos últimos anos o panorama partidário saído do 25 de abril dá sinais de reconfiguração. O Partido Socialista com uma implantação autárquica forte e a caminho de poder realizar 10 anos seguidos de governação. O CDS a procurar sobreviver de uma hecatombe eleitoral. O PSD a sentir uma forte erosão do seu núcleo eleitoral, fruto de inconsistência programática e estratégica que o incapacitou de atrair seja ao centro, seja à direita. Habilitar o PSD é fundamental. Para evitar que, em Portugal, assistamos a uma “Mexicanização” do poder.

Recordo-me de um texto que escrevi em 1998. Num editorial do então Boletim Informativo da JSD. António Guterres dirigia o Governo de Portugal. Escrevi então que os eleitores do Centro não se conquistam com cópias. Nem com vacuidades sem conteúdo. Que os eleitores do Centro se conquistam com projetos claros, coerentes e sistemáticos. Os eleitores do Centro, como todos, são atraídos para projetos. De centro esquerda ou de centro direita. Decidindo em função dos contextos sociais e económicos e daquilo que possa ser protagonizado por cada um dos grandes partidos, PS e PSD. Assim o escrevi em 1998. Assim continuo a pensar em 2022.

No final do século passado, muito como consequência da queda do Muro de Berlim e do colapso do comunismo, a generalidade dos Partidos Socialistas europeus, apenas eram socialistas na denominação. Era o tempo da Terceira Via, do sorridente Tony Blair. Que acabou por ter em Portugal a sua concretização na pantanosa governação de António Guterres e, posteriormente, na fatídica e longa noite socrática. Nesses momentos histórico, tínhamos o PS a ocupar um espaço de intervenção muito aproximado daquele que era o tradicional espaço do PSD.

Nos mandatos de António Guterres não só na componente financeira, mas também em fortes segmentos culturais. Na verdade, se Mário Soares já tinha metido o socialismo na gaveta. António Guterres foi colocar o socialismo no fundo do baú das recordações. Nesta altura, o Bloco Central discutia-se, essencialmente, no centro direita. Não é à toa que temos Guterres a privatizar a EDP a Brisa ou a PT ou Sócrates a negociar com a troika um plano de ajustamento que mantinha as privatizações e acentuava a redução do investimento e da despesa públicos.

O PS e o PSD sempre disputaram diretamente eleitorado. Nomeadamente o eleitorado mais volátil que decide o seu voto em função das circunstâncias do momento. Durante décadas, como se viu, esta disputa foi sendo efetuada no campo ideológico do PPD/PSD. Por um PS descaracterizado face aos seus princípios fundacionais.

Com António Costa e a geringonça, o PS vê-se forçado a governar à esquerda. Pelo menos nas questões que foram sendo suficientes para satisfazer as gulodices comunistas. Ou seja, António Costa teve de ir buscar ao baú o socialismo que os seus antecessores apenas brandiam quando, cirurgicamente, interessava para seduzir os mais incautos.

Estou convicto que António Costa, com maioria absoluta, vai voltar a meter o socialismo na gaveta. Pelo menos na prática. De igual forma, o PCP sedento de afirmação vai acentuar a instrumentalização da CGTP para mostrar que está vivo e polarizar com o PS. Esquecendo de forma deliberando que, após a viabilização de 6 orçamentos, são cúmplices dos resultados de Costa.

Assim sendo, ao PPD/PSD compete ser o PPD/PSD. Não se travestir naquilo que não é. Afirmar um projeto reformista para Portugal. De uma forma sistemática, coerente e concertada. O PSD não pode apenas ser o partido da economia e das finanças. O PSD tem de ser um partido que evidencie a sua visão para o País. Em todas as áreas de atuação. Da sociedade à economia. Da cultura ao ambiente. Da saúde à segurança social. Deveremos ter posições coerentes, estudadas e preparadas pelo vasto conjunto de quadros do PSD e da sociedade e menos dependente de posições unipessoais.

No passado dia 28 de maio o PSD elegeu Luís Montenegro como Presidente do PSD. Depois de uma campanha calma, serena e tranquila. Dois candidatos com categoria. Que souberam colocar a campanha num tom elevado, distante do discurso maniqueísta, emotivo e dramático, mas normalmente vazio de conteúdo. Por isso mesmo, se estou convicto que Luís Montenegro é o militante mais habilitado a colocar o PSD no seu trilho, não posso deixar de agradecer a Jorge Moreira da Silva o seu serviço à causa pública.

O discurso de Montenegro no dia da vitoria eleitoral simboliza muito aquilo de que Portugal e o PSD precisa. Abrangente, apaziguador e envolvente. O exemplo tem de vir de cima. Quem desenvolve os cargos tem de construir pontes e não cavar trincheiras. Quem é incapaz de fazer pontes com os seus, não pode ser capaz de fazer pontes com a generalidade da sociedade. Foi uma intervenção que lançou princípios de orientação. Porque tudo começa nos Princípios. Que são fundamentais para a intervenção concreta. É isso que distingue a intervenção errática da intervenção sistemática.

Termino como comecei. Num contexto de maioria do PS é fundamental que o PSD agarre os seus princípios de sempre. Consiga afirmar um projeto coerente, forte e reformista. Que consiga ser o polo aglutinador, ao centro e à direita, assim construindo uma alternativa ao Governo socialista. Na verdade, ou o PSD apresenta um rumo diferente para Portugal ou teremos um cenário pernicioso para a democracia. A mexicanização do poder, com a eternização do PS no Governo. A fragmentação à direita com a emergência de novos fenómenos mais ou menos institucionalizados. Portugal precisa do PSD.

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