ESTABILIDADE PARA CONSTRUIR O FUTURO

por RUI ARMINDO FREITAS
Economista

Na primeira vez que uso este espaço de participação num novo projecto de comunicação social concelhio, não podia deixar de aproveitar as primeiras palavras para dar força a este projecto. Guimarães, historicamente, foi sempre um concelho com uma participação cívica abundante, muito em virtude da forma apaixonada como todos vivemos a terra e a sentimos como nossa. Contudo nos últimos anos, consequência das dificuldades económicas que todo o país atravessou, assistimos, no nosso concelho, ao fim de semanários de referência, com décadas de existência, e que permitiam que a informação fosse mais diversa, mais precisa, mais plural e mais independente. Vivemos, na ausência dessa diversidade na imprensa, tempos de “monoimprensa” que em nada ajudaram a enriquecer o pulsar cívico da nossa comunidade. Por isso, quando digo que quero dar força a este projecto, é por acreditar que é um projecto que faltava, para informar com independência. Espero que seja não só um jornal com todas as cores do ponto de vista gráfico, mas que seja um jornal sem cor nenhuma quando chega a hora de informar a comunidade. Assim com certeza vingará, pois essa é a linha editorial que faz falta ao concelho.

Quando este artigo estiver a ser lido pelos leitores, já os resultados eleitorais serão conhecidos. Pela minha parte, tenho a convicção, que os últimos anos de sacrifício que todos passamos, para além de um mal necessário, foram fundamentais, para repensarmos o país, arrumarmos a casa e acabarmos com um paradigma económico baseado na procura interna, que levou a uma estagnação do tecido económico e ao descontrolo da dívida pública. Serviram para enterrar a utopia da terciarização da economia e recentrar a prioridade nos sectores que realmente são geradores de valor acrescentado, de emprego e de externalidades capazes de estimular as exportações levando um maior equilíbrio da nossa balança comercial. Podemos hoje olhar para a nossa situação e, por comparação, concluirmos se estamos melhor ou pior do que aqueles que insistiram num caminho mais fácil, mas que no final, a um custo ainda mais alto para toda população, fruto da sua própria irresponsabilidade, tiveram de seguir o mesmo caminho.

Mas seja qual tiver sido o resultado eleitoral, uma coisa é inequívoca, aquilo que mais precisamos é de estabilidade. Sem estabilidade, não conseguiríamos ter chegado até aqui. Sem estabilidade, não estaríamos a discutir se o crescimento económico poderia ser maior ou menor, porque simplesmente não existiria. Se a taxa de desemprego caiu por este ou aquele motivo, porque esta só subiria. Se temos condições para devolver ou não sobretaxas, porque teríamos de lançar novas. E nem tão pouco estávamos preocupados com a banca, pois só poderíamos levantar 50 euros por dia. Seja qual tiver sido o resultado eleitoral, aquilo que mais espero é que Portugal possa ter um Governo que cumpra uma legislatura de início a fim e que os partidos tenham o sentido de Estado para nos provarem que vivemos numa democracia madura, em que o interesse principal seja o de todos e não o das suas próprias agendas. Espero que assim suceda para que todos possamos continuar, por mais quatro anos, a construir um país com futuro.

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