ESTÁTUA DE D. AFONSO HENRIQUES ESTÁ A SER ESTUDADA PELO CITAR

Perceber “em que ponto de preservação” se encontra esta e outras obras do escultor Soares dos Reis é um dos objetivos dos investigadores. O monumento vimaranense apresenta já “alguma degradação”.

Escultura é da autoria de Soares dos Reis. ©Mais Guimarães

Com o castelo a erguer-se nas suas costas, D. Afonso Henriques, segurando uma espada, olha para a cidade que o viu nascer e para o país que ele fez nascer. A estátua, da autoria do escultor Soares dos Reis, replica-se nos souvenirs que escalam as paredes das lojas de lembranças, vive na memória imagética lusa e é uma das esculturas “mais icónicas de Portugal”.

Agora, encontra-se a ser estudada por um grupo de investigadores do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR), no âmbito do projeto GEO-SR, que incide sobre a “Abordagem multidisciplinar à alteração, alterabilidade e conservação da obra escultórica geomaterial de Soares dos Reis”. O projeto conta, também, com o apoio da Câmara Municipal de Guimarães.

O estudo da estátua do primeiro rei de Portugal decorre “apenas durante o mês de janeiro”, mas há outras esculturas de Soares dos Reis — sobretudo no Porto e em espaço público — em análise. Ao todo, são 35. É que este estudo, em colaboração com o Laboratório Hércules da Universidade de Évora, encarregue “da parte analítica e material”, procura perceber “em que ponto de preservação” se encontra o conjunto de obras do século XIX a ser analisado. Quem o diz é Eduarda Vieira, professora auxiliar na Escola das Artes da Universidade Católica do Porto, investigadora no CITAR. A também diretora do CITAR explica a motivação por detrás do projeto: “Há uma grande lacuna nestes projetos em Portugal. A obra é conhecida, mas não há estudos técnicos e materiais. Conhece-se muito pouco do processo criativo do escultor.”

Em Guimarães, e ao longo deste mês, os investigadores (que também vêm da Universidade de Aveiro e da UMinho, por exemplo) procedem ao estudo “através de técnicas não invasivas, sem precisar de retirar nada”, analisando-se a constituição da liga metálica que constitui a obra e tentando-se adivinhar o método de fundição de Soares dos Reis. No caso da estátua de D. Afonso Henriques, Eduarda Vieira avança que, ainda que a investigação tenha pouco tempo, “já se consegue ter um vislumbre” de como a mesma foi realizada.

Quanto ao estado de conservação da escultura, a professora da Universidade Católica adianta que “já se observa alguma degradação na estátua”. E ajudar as Câmaras Municipais — muitos dos monumentos portugueses são tutelados pelas autarquias locais — a encontrar “metodologias para conservar” os monumentos é também um dos objetivos do projeto, para não se intervir apenas em “estados avançados” de degradação.

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