Estradas e piscinas continuam a ameaçar a segurança das crianças, alerta a GNR

A Guarda Nacional Republicana (GNR) assinala o Dia da Criança com um alerta dirigido às famílias e cuidadores, chamando a atenção para os riscos que continuam a ameaçar a segurança dos mais jovens, tanto nas estradas como nos espaços aquáticos.

© GNR

Os dados divulgados pela força de segurança, relativos ao período entre 2024 e abril de 2026, revelam que as crianças e jovens até aos 16 anos continuam a representar um grupo particularmente vulnerável em acidentes rodoviários e afogamentos, sobretudo com a aproximação das férias escolares e da época de verão.

Crianças passageiras representam maior número de vítimas

Entre as várias situações analisadas, as crianças transportadas como passageiras em veículos automóveis continuam a representar a categoria com mais vítimas. Em 2024 foram registados 1.196 menores envolvidos em acidentes rodoviários nesta condição, número que aumentou para 1.271 em 2025. Nos primeiros quatro meses de 2026 já foram contabilizadas 356 vítimas.

A faixa etária dos 11 aos 16 anos concentra a maior parte das ocorrências. Em 2025, a sinistralidade rodoviária provocou ainda cinco vítimas mortais entre menores: uma no escalão dos 11 aos 16 anos e quatro entre crianças dos 6 aos 10 anos. Os distritos do Porto e de Braga figuram entre os territórios com maior número de registos.

Atropelamentos mantêm números preocupantes

No que diz respeito às crianças enquanto peões, os números mantêm-se relativamente estáveis, mas continuam a suscitar preocupação. A GNR registou 234 vítimas em 2024 e 236 em 2025, além de 67 feridos até abril deste ano.

Também nesta categoria, os jovens entre os 11 e os 16 anos são os mais afetados. Em 2024, dois menores entre os 6 e os 10 anos perderam a vida em consequência de atropelamentos.

Acidentes com bicicletas aumentaram em 2025

Os dados revelam igualmente um crescimento significativo da sinistralidade envolvendo crianças e jovens que conduzem velocípedes. Em 2024 foram registadas 325 vítimas, número que aumentou para 406 em 2025.

A esmagadora maioria dos casos ocorreu entre os 11 e os 16 anos. Em 2024, um jovem desta faixa etária morreu na sequência de um acidente ocorrido no distrito de Aveiro.

Afogamentos diminuem, mas continuam a preocupar

Apesar de uma redução do número de afogamentos mortais envolvendo menores, de 11 casos em 2024 para cinco em 2025, a GNR alerta que o fenómeno continua a representar uma ameaça séria.

Os rapazes continuam a ser os mais afetados, representando cerca de 60% das vítimas. As crianças até aos quatro anos surgem como o grupo mais vulnerável, concentrando mais de um terço das ocorrências, geralmente em piscinas privadas ou residenciais. Já entre os 10 e os 14 anos, os acidentes verificam-se sobretudo em praias, rios, lagoas e outros espaços naturais. Em 2025, Santarém foi o distrito com mais casos registados, seguido por Braga e Setúbal.

Vigilância e prevenção são fundamentais

Face a estes números, a GNR reforça a necessidade de adoção de comportamentos preventivos. Nas deslocações rodoviárias, a Guarda recomenda a utilização correta de cadeirinhas homologadas e adaptadas ao peso e altura da criança, bem como o uso permanente do cinto de segurança. Nos velocípedes, o capacete continua a ser um equipamento indispensável.

A instituição aconselha ainda os pais a ensinarem hábitos seguros de circulação, incentivando a travessia em passadeiras, o contacto visual com os condutores e a eliminação de distrações como telemóveis ou auscultadores.

Quanto à segurança na água, a principal recomendação passa pela supervisão constante das crianças, sobretudo das mais pequenas. A GNR sublinha que o afogamento é um processo rápido e silencioso, pelo que os adultos devem permanecer suficientemente próximos para intervir de imediato.

A instalação de vedações em piscinas privadas, o esvaziamento de piscinas insufláveis após a utilização e a proteção adequada de poços, tanques e fossas são igualmente medidas consideradas essenciais.

Através da operação “Prevenção de Afogamentos”, realizada anualmente durante os meses de verão, a GNR procura sensibilizar as famílias para os riscos existentes e promover comportamentos que contribuam para reduzir a sinistralidade e proteger a vida das crianças.

“A segurança das crianças depende inteiramente da responsabilidade e da atenção dos adultos”, lembra a Guarda, apelando a que a proteção dos mais novos seja uma prioridade permanente.

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