Estudo simula trânsito e aponta ganhos reduzidos com nova estrada entre Urgezes e a Costa
Estudo apresentado na Assembleia Municipal simulou 21 cenários e estima ganhos reduzidos com a nova ligação rodoviária entre a Avenida D. João IV e a Costa.

@ Ecovia CMG
Um estudo de simulação do trânsito de Guimarães, desenvolvido por Miguel Amador, morador no concelho e membro do movimento “Amigos da Ecovia”, aponta para um impacto reduzido da estrada prevista sobre o corredor da Ecopista, entre a Avenida D. João IV e a Costa.
Os primeiros resultados foram apresentados na sexta-feira, 25 de setembro, durante o período de intervenção do público da Assembleia Municipal, no âmbito da discussão da revisão do Plano Diretor Municipal (PDM). A proposta de PDM, que contempla várias novas ligações rodoviárias, foi posteriormente submetida a votação e aprovado pela Assembleia Municipal.
O trabalho surgiu, segundo o autor, da necessidade de perceber quais seriam os efeitos concretos das novas vias previstas para a mobilidade da cidade. Miguel Amador integra o movimento informal Amigos da Ecovia, criado em setembro por utilizadores daquele corredor, e decidiu desenvolver uma simulação recorrendo a dados públicos e ferramentas disponíveis.
21 cenários simulados
O modelo desenvolvido representa a rede viária de Guimarães e procura reproduzir os movimentos automóveis na cidade. Para isso, foram utilizados dados dos Censos 2021, OpenStreetMap, horários da Guimabus e volumes de tráfego utilizados no diagnóstico do PDM.
Ao todo, foram simulados 21 cenários, cada um em cinco dias diferentes, permitindo comparar a situação atual com diferentes possibilidades de evolução da rede viária e do território.
De acordo com os resultados apresentados, a estrada sobre a Ecopista teria um impacto de apenas 0,1% na redução do tempo total passado ao volante na cidade. O estudo considera que este valor se encontra dentro da variação normal entre diferentes dias.
O efeito seria mais percetível nas zonas diretamente servidas pela nova ligação. As viagens de e para a zona do Campus da Justiça poderiam ser encurtadas em cerca de 18 segundos, enquanto as deslocações relacionadas com a Costa teriam uma redução estimada de cinco segundos, em percursos de aproximadamente oito minutos.
Impacto dos novos fogos
A simulação procurou também perceber o efeito do crescimento urbano previsto no PDM. Considerando cerca de 2.700 novos fogos nesta área, entre Urgezes e a Costa, o modelo estima um aumento de 6% no tempo total de circulação automóvel. Neste cenário, a nova estrada evitaria, segundo o estudo, cerca de 17% desse agravamento.
Quando consideradas todas as novas vias previstas na revisão do PDM, a simulação aponta para uma redução de aproximadamente 1% no tempo passado ao volante. Segundo os resultados apresentados, esse ganho desaparece quando é contabilizado o tráfego adicional que as novas estradas poderão gerar.
O estudo compara ainda estes resultados com um cenário baseado nas metas do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável do município para 2030. Nesse caso, a simulação estima uma redução de 19% no tempo de circulação automóvel.
Estudo reconhece limitações
Miguel Amador salienta que os resultados apresentados são preliminares. O modelo ainda não foi calibrado com contagens de tráfego rua a rua e os traçados das novas vias foram desenhados a partir da informação disponível na proposta de PDM, que poderá ainda sofrer alterações.
Ainda assim, o autor considera que o exercício permite lançar uma discussão sobre a necessidade de existirem dados e estudos que sustentem as decisões relativas à mobilidade e ao ordenamento do território. “Não sou engenheiro de tráfego nem estou contra o desenvolvimento da cidade. Sou um morador que queria perceber o que estava em causa e não encontrou nenhum dado”, afirma Miguel Amador.
O membro dos Amigos da Ecovia defende que, antes da inscrição de novas infraestruturas no principal instrumento de planeamento do concelho, devem ser conhecidos os seus impactos na circulação e no território. “Se um cidadão consegue, em poucos dias e com dados públicos, construir as bases deste estudo, a Câmara tem todos os meios para apresentar um estudo completo antes de decidir”, acrescenta.
O código, os dados e os pressupostos utilizados na simulação foram disponibilizados publicamente, permitindo a sua consulta, verificação e eventual melhoria. O material foi também partilhado com a Câmara Municipal de Guimarães. Podem ser consultados aqui: https://amigosdaecovia.org/simulacao/





