Europe Industrial Space Park: Guimarães quer liderar a nova economia do espaço em Portugal

O presidente da Câmara Municipal de Guimarães afirmou esta sexta-feira, 03 de julho, que o concelho quer assumir um papel central no desenvolvimento da economia do espaço em Portugal, defendendo uma estratégia que alia indústria, investigação, inovação e formação para transformar o território numa referência nacional no setor aeroespacial.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

Na abertura da conferência “Espaço: Conhecimento, Defesa e Economia”, que decorreu no Centro Cultural Vila Flor e reuniu membros do Governo, responsáveis militares, investigadores, universidades e empresas, Ricardo Araújo apresentou a visão estratégica do município para um setor que considera decisivo para o futuro da economia nacional.

A sessão contou com a presença do ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, do secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, e do autarca vimaranense. O programa incluiu uma intervenção da investigadora do MIT, Dava Newman, a apresentação do relatório Portugal no Espaço, elaborado pela Boston Consulting Group, e um debate sobre a estratégia nacional para o setor.

“Em Guimarães estamos hoje a construir uma nova relação com o futuro. Não o fazemos por impulso ou por deslumbramento tecnológico, mas por visão estratégica, com método, parceiros e decisões concretas”, afirmou.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

O autarca sublinhou que Guimarães reúne condições únicas para integrar a estratégia nacional para o espaço, destacando a presença da Universidade do Minho, dos centros de investigação como o Fibrenamics, e de um tecido empresarial capaz de responder às exigências da indústria aeroespacial.

“Temos conhecimento, talento, capacidade industrial e parceiros de enorme relevância. Queremos que Guimarães seja uma das plataformas concretas da soberania tecnológica, industrial e científica de Portugal no Espaço”, frisou.

Fábrica de satélites e novo Space Hub

Ricardo Araújo recordou que está em instalação, na Fábrica do Alto, em Pevidém, a primeira unidade de montagem e teste de satélites óticos do país, liderada pelo CEiiA, projeto que considera ser a âncora de uma futura cadeia de valor ligada à economia do espaço. Ao mesmo tempo, lembrou que a antiga Fábrica do Arquinho, junto ao Centro Cultural Vila Flor, será reabilitada para acolher o Departamento de Engenharia Aeroespacial da Universidade do Minho, o Fibrenamics e o futuro Guimarães Space Hub.

 

“São dois investimentos que começam a desenhar uma nova arquitetura para o setor. No Arquinho concentramos conhecimento, investigação e desenvolvimento tecnológico. Em Pevidém criamos capacidade industrial”, explicou.

Parque industrial dedicado ao setor espacial

Entre as ambições apresentadas pelo presidente da Câmara está ainda a criação do Europe Industrial Space Park, um parque industrial especializado na economia do espaço, que pretende atrair empresas europeias de referência para Guimarães. Segundo Ricardo Araújo, existem já contactos com várias empresas internacionais e o objetivo passa por criar uma área empresarial altamente especializada, algo ainda raro na Europa.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

“Na Europa, as áreas industriais dedicadas exclusivamente ao espaço contam-se pelos dedos de uma mão. Guimarães está a trabalhar para construir a primeira em Portugal”, afirmou.

O autarca defendeu que esta aposta não representa uma ruptura com a identidade industrial do concelho, mas antes uma oportunidade para modernizar os setores tradicionais.

“A agenda do espaço não é apenas sobre satélites. É também sobre a economia real de Guimarães”, afirmou, considerando que empresas da metalomecânica, têxtil, vestuário, calçado, moldes, polímeros e cutelarias poderão integrar cadeias internacionais de fornecimento através do desenvolvimento de produtos de utilização dual, para aplicações civis e de defesa.

Ricardo Araújo lembrou que a estratégia nacional prevê aumentar a incorporação de tecnologia produzida em Portugal na construção de satélites de 20 para 60% até 2030, defendendo que as empresas vimaranenses têm capacidade para integrar esse crescimento.

“Do Berço da Nação ao Berço da Inovação”

Ao longo da intervenção, o presidente da Câmara associou a aposta na economia do espaço à capacidade histórica de adaptação de Guimarães. “O nosso concelho conhece bem a diferença entre intenção e trabalho. A história de Guimarães foi feita de fábrica, exportação, inovação e capacidade produtiva. Hoje essa história entra num novo ciclo”, afirmou.

Para Ricardo Araújo, o objetivo passa por criar emprego qualificado, fixar jovens e diversificar a base económica do concelho. “Do Berço da Nação ao Berço da Inovação tem de significar diversificação do tecido industrial, melhor emprego e mais futuro”, declarou.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

A encerrar a intervenção, agradeceu ao Governo por trazer o debate sobre a economia do espaço para Guimarães, no âmbito da realização do Conselho de Ministros na cidade, garantindo a disponibilidade do município para continuar a trabalhar com o Executivo, o CEiiA, a Universidade do Minho, a Força Aérea Portuguesa e novos parceiros internacionais.

“Aqui nasceu Portugal. Hoje, aqui, Portugal está a reconhecer em Guimarães uma plataforma concreta da sua soberania tecnológica, industrial e científica no Espaço. Queremos liderar a nova economia do espaço em Portugal”, concluiu.

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