Farfetch: o unicórnio que nunca deu lucro

Criada em 2007, por José Neves, a Farfetch foi a primeira empresa de origem portuguesa a entrar para o clube dos unicórnios (empresas cuja avaliação ultrapassa os mil milhões de dólares) e a primeira tecnológica nacional cotada na bolsa de Nova Iorque e é uma das plataformas de comércio online que mais cresce no segmento da moda de luxo. Mas esta empresa nunca deu lucro.

Foto: João Bastos

A empresa que partiu de Guimarães tem hoje a sua sede em Londres é, acima de tudo, uma plataforma de venda de roupa e acessórios de luxo online. Esta plataforma representa cerca de 90% das receitas da empresa e comercializa marcas como a Gucci, Chanel , Burberry, Prada, entre outras.

Recorrendo à plataforma da Farfetch, as marcas de luxo podem construir modelos de negócio e estratégias digitais, num sistema aberto. É muito semelhante ao que fazem os programadores independentes que criam aplicações para funcionar em ambiente Android ou Apple.




Mas a Farfetch não se limita a gerir apenas o processo de compra e venda na internet. A empresa luso-britânica dá conta toda a operação e logística a ela associada. As instalações no Aveparke, em Guimarães, estão associadas a esta operação logística. É ali que as peças das diversas lojas que estão associadas à Farfetch vêm para ser fotografadas.

A empresa e José Neves é, atualmente, a maior plataforma online no mercado dos artigos de moda de luxo, contudo, nunca apresentou lucros. José Neves e outros líderes da empresa têm-se multiplicado em justificações, afirmando que as alegadas perdas que a empresa tem apresentado são, na realidade, investimentos para o crescimento da empresa.

A Farfetch teve uma entrada fulgurante na bolsa de Nova Iorque, um ano depois, as ações tinham perdido 42% do seu valor

Isso não impediu a empresa de fazer uma entrada fulgurante na bolsa de Nova Iorque, em 21 de setembro de 2018. A empresa colocou 44 milhões de ações a 20 dólares e, passados dez minutos, estas já cotavam a 28,5 dólares. Uma valorização de 40%.

Em agosto de 2019, depois da divulgação dos resultados do segundo trimestre desse ano, com um prejuízo de 89 milhões de dólares, nem mesmo o aumento de 42% da receitas evitou a queda do valor da ações para 10,48 dólares. Uma redução para cerca de metade do valor a que tinham sido colocadas em bolsa inicialmente.

Já em 2020, no primeiro trimestre do ano, a Farfetch apresentou prejuízos de 79,1 milhões de dólares, uma ligeira subida relativamente ao mesmo período do ano anterior (77,7 milhões de dólares). Em comunicado, a empresa prefere salientar a melhoria do EBITDA (resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado, que passou de 30,2 milhões de euros negativos para 22,3 milhões (mesmo assim negativos) no final do trimestre. O grupo “continua no caminho da rentabilidade do EBITDA ajustado – previsto para todo o ano de 2021”, refere o comunicado. As ações da empresa rondavam os 15 dólares, por altura da apresentação destes resultados.




O crescimento das vendas online em virtude da pandemia pode vir a dar uma ajuda no cumprimento da promessa de chegar aos lucros em 2021

O segundo trimestre, já refletindo o confinamento global, revelou a Farfetch com um prejuízo de 435,9 milhões de dólares, mais que quadruplicando os prejuízos do mesmo período do anos anterior (95,4 milhões de dólares). Apesar destes resultados o número de clientes da empresa cresceu , neste período em que as pessoas se viraram mais para as compras online. A receita neste segundo trimestre de 2020, aumentou 74% para os 365 milhões de dólares, um acréscimo de 156 milhões de dólares relativamente ao mesmo período do ano anterior.

Os investidores parecem acreditar no modelo de negócio de José Neves, mais ainda nestes tempos de pandemia. A empresa cotava 6,84 dólares, no dia 2 de abril de 2020 e desde essa altura tem vindo consistentemente a aumentar o valor da suas ações em bolsa, a 28 de agosto, cada ação da Farfetch valia 28,12 dólares.

“A forte trajetória do negócio, a nossa economia de unidade em expansão e o escalonamento de custos no segundo trimestre de 2020 coloca-nos diretamente no caminho para alcançar a nossa meta do EBITDA ajustado em 2021, especialmente porque vimos a aceleração dos negócios a continuar no terceiro trimestre”, avalia Elliot Jordan o CFO (chief financial officer). O mesmo responsável financeiro tinha afirmado, no final de 2019, que era “aceitável” que a Fafetch atingisse o breakeven em 2021.

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