Feira Afonsina regressa para recriar a afirmação política de D. Afonso Henriques

A Feira Afonsina regressa a Guimarães entre os dias 11 e 14 de junho, subordinada ao tema “A Afirmação do Infante”. A XIV edição do evento é marcada pelo alargamento da área, o reforço das medidas de acessibilidade e inclusão e o aumento do número de participantes, mercadores e figurantes.

©Rodrigo Marques / Mais Guimarães

A apresentação da edição de 2026 realizou-se esta segunda-feira, 1 de junho, no Monte Latino, junto ao Castelo. Contou com a presença da vereadora da Cultura e do Turismo da Câmara Municipal de Guimarães, Isabel Ferreira, do historiador António Amaro das Neves e de Antero Ferreira, presidente da Sociedade Martins Sarmento.

Depois da edição especial de 2025, integrada nas comemorações dos 900 anos da investidura de D. Afonso Henriques como cavaleiro, a Feira Afonsina regressa este ano ao formato de quatro dias. A edição de 2026 acontece mais cedo, entre outros motivos, para não coincidir com a tradicional Ronda da Lapinha, que decorrerá a 21 de junho.

A abertura do certame está marcada para quinta-feira, 11 de junho, entre as 18h00 e a 01h00. Nos dias 12 e 13 de junho, sexta-feira e sábado, o evento decorrerá entre as 11h30 e a 01h00, encerrando no domingo, dia 14, às 22h00.

A edição deste ano transporta os visitantes até 1126, ano em que a morte de D. Urraca e a subida ao trono de Afonso VII alteraram profundamente o equilíbrio político da Península Ibérica. Ao exigir a vassalagem do jovem infante portucalense, já armado cavaleiro, o novo monarca desencadeou um processo de afirmação política que viria a conduzir à independência de Portugal.

O cartaz oficial das comemorações, da autoria de João Soares, coloca em destaque o ano de 1128 e a espada de D. Afonso Henriques, símbolo da luta e do caminho que conduziria à fundação do Reino de Portugal.

Entre os momentos centrais da programação destaca-se o espetáculo de recriação histórica “A Afirmação do Infante”, apresentado diariamente junto ao Campo de São Mamede e à Colina do Castelo. Inspirado nos acontecimentos de 1126, o espetáculo recria o início da afirmação política de D. Afonso Henriques através de uma encenação que envolve atores, figurantes, efeitos cénicos e o património monumental envolvente.

A edição de 2026 assinala igualmente o crescimento da feira, com o alargamento do recinto ao Largo do Donães e à Rua Egas Moniz. Ao todo, nesta edição, estarão representadas 229 entidades, acima das cerca de 200 que participaram na edição anterior.

Durante a apresentação, Isabel Ferreira destacou esta evolução. “Na edição de 2026 alargámos a área, aumentámos o número de mercadores e todas as associações vimaranenses que apresentaram candidatura e cumpriram os requisitos foram aceites”, sublinhou.

A adesão da comunidade continua também a aumentar. A primeira fase de recrutamento de voluntários registou cerca de 100 inscrições, face aos aproximadamente 70 participantes envolvidos na edição de 2025.

Entre as principais novidades desta edição encontra-se também o reforço das medidas de acessibilidade e inclusão. O recinto contará com lugares de estacionamento reservados para pessoas com mobilidade reduzida, instalações sanitárias adaptadas, sinalética com pictogramas, períodos de menor estímulo sensorial, interpretação em Língua Gestual Portuguesa durante o espetáculo principal e um serviço de transporte acessível mediante reserva prévia. “Este evento teve um cuidado especial relativamente às questões da acessibilidade e da inclusão”, destacou a vereadora da Cultura.

A organização sublinhou ainda o trabalho desenvolvido em parceria com diversas entidades locais, entre as quais A Oficina, a Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Locais, a Associação Vimaranense da Hotelaria, o Círculo de Arte e Recreio, o Lar de Santa Estefânia, a Irmandade da Penha, a Santa Casa da Misericórdia de Guimarães, a Universidade do Minho, a Vitrus Ambiente, os Bombeiros Voluntários de Guimarães e o Paço dos Duques de Bragança.

A edição deste ano representa um investimento municipal de cerca de 300 mil euros.

Paralelamente, no dia 20 de junho realiza-se a VII edição das Jornadas Históricas, na Sociedade Martins Sarmento, subordinada ao tema “Afonso Henriques: Corpo, Imagem e Poder”. A iniciativa reunirá investigadores de várias áreas para refletir sobre a figura do primeiro rei de Portugal, a construção da sua imagem ao longo dos séculos e a sua utilização simbólica e política na história nacional.

PUBLICIDADE
Arcol

NOTÍCIAS RELACIONADAS