FÉRIAS… NOS AÇORES

por MARIA DO CÉU MARTINS
Economista

Pelo frio, pela chuva e pelo terrível inverno que teimava em não partir apetece-me falar de férias e de baleias azuis, esse magnifico cetáceo que escolheu os Açores como destino de eleição.

Já estive nos Açores duas vezes. Se pudesse voltaria todos anos. Sempre que digo que os Açores são o sítio mais bonito do mundo acho que não me acreditam – até porque dificilmente conseguiria ir a todos cantos bonitos do mundo. Mas, recentemente, a “National Geographic” confirmou-o!

Quando era adolescente li “gente feliz com lágrimas” e não compreendi muitas coisas. Reli-o quando fui aos Açores e tudo me pareceu familiar.

Indubitavelmente, cada uma das ilhas dos Açores tem uma singularidade, um encanto próprio, tão genuíno que é difícil de descrever. Sempre que se olha fica-se incrédulo – cada cenário natural parece retirado de um livro de contos de fadas. E a singularidade repete-se no rosto das gentes das ilhas, na pacatez de um existência que as faz desacreditar que exista vida para além da escarpa.

Nos Açores tudo é harmonioso, incrivelmente perfeito e simplesmente está lá.

As baleias azuis só são o maior animal do mundo (mesmo maior que os extintos dinossauros) e é possível vê-las, nos seus magníficos 30 metros de comprimento e 4 toneladas de peso, ao largo do Pico. Quando paguei a viagem para a “pressuposta observação” achei que me tinham aldrabado e até já estava satisfeita com a receção dos golfinhos quando, finalmente, consegui perceber os contornos daquela sombra gigantesca, ali mesmo pertinho de nós. Como é possível saber onde está? Simples como tudo nos Açores! Três olheiros situam-se em alguns pontos elevados da ilha e dão indicações telefónicas ao condutor da embarcação de recreio.

Nos Açores não há praias mas belíssimas piscinas naturais, que são aproveitamentos, com o mínimo de intervenção humana, de pequenas incursões do mar. Com uns óculos rudimentares e um tubo de respiração  consegue-se observar cardumes de peixes e viver uma experiência de muitas sensações.

Um volta completa a uma ilha pode significar participar numa aventura que inclui todas as estações do ano. Em algumas ilhas (como S. Miguel), no inverno e com muito frio, pode-se marinar numa lagoa de água quente a céu aberto.

Os hotéis são escassos e caros mas o turismo de habitação – frequentemente não classificado mas disponível nas listagens dos postos de turismo – é bom e barato. Os restaurantes não são grande coisa mas a comida é a mais saborosa que alguma vez comi.

Os Açores são o único canto de Portugal onde há plantações de chá e fábricas que se visitam a troco de um sorriso.

O mar, nosso companheiro assíduo de viagem, limita-nos o horizonte e devolve-nos aquela magia de sermos pequeníssimas peças de um projeto maior, incrivelmente perfeito que, por muito que tentemos, dificilmente conseguiremos replicar. E, até a presença de inúmeras crateras de vulcões, nos recoloca, serenamente, perante a beleza e a fragilidade da nossa condição humana.

Já tive, uma outra experiencia de férias, em locais distantes com adrenalinas diversas – que podem ir desde realidades de incompreensível miséria, contacto com povos pouco amistosos ou até cenários de guerra latente. Ou, se quisermos, praias paradisíacas que nos induzem na ilusão que um país da América Latina possa ser ter a melhor organização económica – social.

Fiquei sem vontade de repetir, a adrenalina da Europa chega-me!

Os Açores são portugueses, ficam a poucas horas de voo e têm uma oferta turística única – e que, seguramente, não existe em nenhum outro lugar do mundo.

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