Fest’ In Folk: este ano, o mundo dança em Guimarães através das redes sociais

Com o festival cancelado, a organização do Fest’ In Folk viu-se obrigada a desenhar uma alternativa para não deixar a data “passar em claro”. E as redes sociais são a saída para manter Guimarães a dançar com o mundo.

© Mais Guimarães

Previa-se um bom ano para o Fest’ In Folk, agendado para a semana de 02 a 09 de agosto. Esperava-se a chegada das danças tradicionais de diferentes latitudes: ainda que água e terra os separem, países como Canadá, Equador, Peru e Rússia encontrariam, em solo vimaranense, a partilha das suas culturas ao longo de uma semana. Mas o certame teve de ser cancelado devido à pandemia da covid-19. Uma decisão que, conta Henrique Macedo, presidente do Grupo Folclórico da Corredoura, “foi muito difícil e muito ponderada”. Antes do Conselho de Ministros do qual saiu a decisão de proibir todos os festivais de música até 30 de setembro, já a entidade organizadora do Fest’ In Folk sabia que a edição de 2020 do certame não aconteceria.

É que o Fest’ In Folk, chamando grupos de outros países, está condicionado “por fatores externos”, que se vincaram com a pandemia. E também pelo convívio entre pessoas de diferentes pontos do globo. “As pessoas são de fora e fazem a sua vida juntas. Há um contacto físico constante. Para além disso, tendo em conta que são grupos do estrangeiro, sabemos que têm de se organizar a nível de viagens e afins. Por isso, decidimos não arriscar”, começa por explicar. Ainda assim, já em em fevereiro, “o grupo de Taiwan que estava para vir cancelou logo”. “Nem pôs hipóteses”, acrescenta Henrique Macedo. Para os outros grupos estrangeiros, a decisão de cancelar o festival revelou-se um “alívio”. “Não queriam deixar de vir, mas ninguém sabe como é que as coisas vão correr. Em princípio, são estes grupos que virão no próximo ano”, adianta.

© Grupo Folclórico da Corredoura

Sendo o futuro coisa incerta, o Grupo Folclórico da Corredoura está já a trabalhar “no desenho” do que poderá fazer para “não deixar passar em branco” a semana que, habitualmente, dedicam ao Fest’ In Folk. E a alternativa mais viável é fazê-lo através das redes sociais: “Vamos tentar mostrar, nas redes sociais, alguns momentos dos festivais dos anos passados, das galas e de momentos não tão conhecidos do público.” Para além disso, o grupo está a “estudar a possibilidade de levar a projeção destes momentos para uma das fachadas do Centro Histórico”. Outras hipóteses estão a ser consideradas, tentando adaptar-se o tanto que “já estava preparado e fechado”.

O grupo também está num processo de avaliação pelo Conselho Internacional de Festivais Folclóricos e Artes Tradicionais (CIOFF), parceiro oficial da UNESCO, que foi interrompido. Este seria o segundo ano (de três) de avaliação. “No primeiro ano tivemos uma classificação excelente. Se tudo corresse bem, para o ano poderíamos ter a certificação. O processo, sendo interrompido, acrescenta angústia ao grupo”, lamenta o presidente do Grupo Folclórico da Corredoura.

Sem saber como será o futuro desse processo, resta ao grupo continuar reuniões com a normalidade possível. “Reunimos às quintas-feiras por videoconferência. Todas as atividades e atuações foram canceladas, por isso não sabemos como vai ser. E temos uma faixa etária no grupo mais elevada. Temos de ter um cuidado maior com essas pessoas”, explica Henrique Macedo. Quanto a ensaios, o cenário complica: é difícil dançar e respeitar, simultaneamente, a distância de segurança recomendada.   

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