Festival MIMO estreia-se em Guimarães com três dias de música e cultura

O Festival MIMO chega pela primeira vez a Guimarães e promete transformar a cidade num grande palco cultural entre sexta-feira, 3 de julho, e domingo, 5 de julho. Com entrada gratuita, o evento reúne dezenas de concertos, cinema, workshops, palestras, roteiros culturais e atividades para famílias, distribuídos por alguns dos espaços mais emblemáticos do centro histórico.

© Mimo Festival

Depois de uma primeira semana dedicada ao Festival de Cinema, a programação musical arranca na sexta-feira e concentra-se sobretudo no Campo de São Mamede, onde estará instalado o palco principal, mas também no Paço dos Duques de Bragança, na Igreja de São Francisco, na Igreja da Oliveira, no Museu de Alberto Sampaio e noutros espaços patrimoniais da cidade.

A abertura, na sexta-feira, fica marcada pelo concerto da cantora maliana Oumou Sangaré, no Paço dos Duques de Bragança. O primeiro dia inclui ainda atuações da Accademia del Piacere, na Igreja de São Francisco, de Bianca Gismonti e Manuel de Oliveira, com a participação de Ricardo Ribeiro, além de concertos de Fernanda Abreu, Barbatuques e do DJ britânico Andy Smith, conhecido pela ligação aos Portishead.

No sábado, um dos momentos mais aguardados do festival será o concerto de Tricky, figura incontornável do trip-hop britânico, no palco principal do Campo de São Mamede. O cartaz inclui ainda atuações de Papillon, Melly, K.O.G. e Zé Ibarra, além de várias oficinas, conversas e workshops dirigidos a diferentes públicos.

O domingo encerra o festival com um alinhamento igualmente internacional, destacando-se o DJ set de Daddy G, dos Massive Attack, em conjunto com Don Letts, também no Campo de São Mamede. Ao longo do dia, o Paço dos Duques recebe concertos de Aline Paes, La Litanie des Cimes & Mah Damba e Zé Ibarra, enquanto outros espaços acolhem atuações de Alaíde Costa, Cristóvão Bastos, Mauro Senise, Pedro Emanuel Pereira, Alzira E, Unsafe Space Garden, Coletivo Gira, Batucadeiras das Olaias, Coro Espontâneo, Rui Soares & Fabiana Magalhães e Os Amigos das Concertinas de Gominhães.

Além dos concertos, o MIMO aposta numa programação multidisciplinar, com workshops, masterclasses, palestras, cinema, atividades para crianças e roteiros culturais, procurando aproximar o património vimaranense de diferentes expressões artísticas.

Município prevê impacto económico até 10 milhões de euros

A estreia do MIMO em Guimarães representa um investimento municipal de 600 mil euros. A autarquia espera, no entanto, recuperar cerca de metade desse montante através de uma candidatura ao Turismo de Portugal.

Segundo dados avançados pela organização, o festival poderá atrair cerca de 74 mil participantes ao longo da sua realização, gerar entre 18 mil e 40 mil dormidas e produzir um impacto económico estimado entre 6 e 10 milhões de euros, sobretudo nos setores da hotelaria, restauração e comércio local.

Para Ricardo Araújo, a aposta enquadra-se na estratégia de reforçar a projeção internacional de Guimarães através de grandes eventos culturais. O autarca considera que o MIMO contribui para afirmar a cidade como destino de referência, beneficiando igualmente do facto de ser um festival gratuito e realizado em espaços públicos patrimoniais.

Oposição questiona investimento

O investimento municipal, contudo, não reuniu consenso nas reuniões do Executivo. A vereadora socialista Gabriela Nunes manifestou apoio à realização do festival, mas pediu maior transparência relativamente aos custos globais da iniciativa e às entidades envolvidas na sua organização. A eleita questionou ainda a realização do evento numa altura de elevada procura turística, defendendo uma distribuição mais equilibrada dos grandes eventos ao longo do ano para combater a sazonalidade.

Outra das preocupações prende-se com o equilíbrio entre o financiamento de grandes festivais e o apoio às iniciativas culturais criadas no concelho, apontando projetos como o Rock in Rio Febras como exemplos de eventos que nasceram da comunidade vimaranense.

Em resposta, a vereadora da Cultura, Isabel Ferreira, garantiu que o investimento no MIMO não compromete o apoio à criação artística local, lembrando que programas municipais como o IMPACTA continuam a reforçar o financiamento aos agentes culturais do concelho e que o próprio festival integra artistas e coletividades vimaranenses na programação

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