Fórum Eurocities: Ricardo Araújo defende que as cidades têm de liderar a resposta aos desafios ambientais
Guimarães recebeu esta terça-feira o Fórum do Ambiente da Eurocities, o maior evento anual da plataforma que reúne cidades de toda a Europa. Na abertura, o presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, defendeu que, no ano em que a cidade é Capital Verde Europeia, faz todo o sentido reforçar a cooperação entre municípios na defesa do ambiente e da sustentabilidade, e que as autarquias devem ter um papel ativo na construção das políticas ambientais europeias.

@ Mais Guimarães
“Uma responsabilidade, não apenas uma recompensa”
Ricardo Araújo destacou o significado da distinção de Guimarães como Capital Verde Europeia 2026, sublinhando que o reconhecimento deve traduzir-se num compromisso reforçado com o futuro da cidade. “Vemos este título como uma responsabilidade, não apenas como uma recompensa”, afirmou, defendendo a necessidade de elevar a ambição ambiental e de construir um futuro melhor para as próximas gerações.
O presidente da Câmara recordou que Guimarães integra a rede Eurocities desde 2015 e destacou o trabalho desenvolvido em áreas como a biodiversidade, a economia circular e a resiliência climática. Considerou ainda que a sustentabilidade não pode ser tratada como uma política separada, nem como responsabilidade exclusiva dos departamentos de ambiente, devendo estar presente em todas as áreas da governação municipal, da mobilidade e do urbanismo à habitação, à economia e aos espaços públicos.
O autarca defendeu também a importância de aproximar o conhecimento científico das decisões políticas e das ações concretas, apontando o Laboratório da Paisagem como exemplo dessa articulação em Guimarães. Resumiu a ideia num percurso que vai do conhecimento às decisões e das decisões à ação, e alertou que a transição verde tem de ser justa e não pode deixar ninguém para trás.
Questionado sobre a importância de acolher o evento, o autarca sublinhou que o fórum reúne presidentes de Câmara e vereadores de toda a Europa para refletir sobre desafios que “já não são desafios do passado”, mas sobretudo “do presente e do futuro”. Defendeu por isso uma maior cooperação descentralizada e uma parceria mais forte entre os municípios.

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Declaração das Cidades de Um Só Planeta
Durante a intervenção, Ricardo Araújo apresentou a Declaração das Cidades de Um Só Planeta, estruturada em cinco pilares: educação, ciência, justiça social, economia verde e cultura. A iniciativa pretende reforçar o compromisso das cidades com a resposta à emergência climática e promover a transformação das ambições ambientais em medidas concretas. O documento está disponível para subscrição por outras cidades europeias.
Na apresentação da declaração, Carlos Ribeiro, Presidente do Laboratório da Paisagem, juntamente com Isabel Loureiro, Coordenadora Geral da Estrutura de Missão Guimarães 2030 e Dalila Sepúlveda, Diretora do Departamento de Ambiente e Sustentabilidade do Município de Guimarães, explicaram que o conceito parte da pegada ecológica do concelho: se todas as pessoas vivessem como os habitantes de Guimarães, seriam necessários 2,28 planetas. A declaração é, por isso, um apelo a que as cidades passem a viver dentro dos limites do planeta. Foi ainda referido o Programa de Educação Ambiental, que desde 2015 promove mais de 800 atividades por ano com as escolas e a comunidade, e a Academia Verde, lançada há duas semanas para apoiar as empresas na transição para a sustentabilidade.

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Eurocities faz balanço do mandato
Também Anna Lisa Boni, presidente do Fórum do Ambiente da Eurocities e vereadora do Ambiente de Bolonha, destacou a capacidade das cidades para contribuir para a resposta aos desafios ambientais. A responsável italiana fez um balanço do trabalho desenvolvido pelo fórum, nomeadamente na defesa das metas europeias de redução de emissões, na legislação de recuperação da natureza, na qualidade do ar e na economia circular. Defendeu ainda a importância de reforçar a adaptação às alterações climáticas e a resiliência das cidades, com uma maior articulação entre os municípios e as instituições europeias, e considerou que as cidades podem fazer parte da solução para as diferentes crises que afetam a Europa.
Anna Lisa Boni revelou que esta foi a sua última intervenção como presidente do fórum, funções que exerce até junho, e agradeceu a receção em Guimarães, cidade que há 15 anos tentava visitar.

Transformação “não começou em 2026 nem termina em 2026”
Em declarações ao Mais Guimarães, Ricardo Araújo garantiu que as mudanças em curso vão continuar para lá do ano da Capital Verde. Descreveu 2026 como um ano importante e marcante, mas sublinhou que a transformação do concelho não começou este ano nem acaba com ele. No final do ano, a autarquia vai divulgar publicamente os resultados das iniciativas, que são monitorizadas mensalmente.
Entre os projetos referidos pelo autarca estão a requalificação das zonas ribeirinhas e a criação de ecovias, já iniciadas e que vão ser aceleradas, a transformação de parques urbanos, com um projeto para o Jardim D. Afonso I, junto ao Castelo e à Universidade do Minho, e uma nova praia fluvial, cujos projetos estão em preparação e cuja execução está prevista para o próximo ano. Na mobilidade, o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável teve o protocolo assinado em janeiro de 2026 e será apresentado no final de 2027, a par do reforço dos transportes públicos, com o objetivo de reduzir a utilização do transporte individual e as emissões de carbono.
Transportes gratuitos só em 2027
Questionado sobre a gratuitidade dos transportes públicos, que estava prevista para este ano e dependia da resolução da situação com a GuimaBus, o autarca admitiu que a medida ficará para o início de 2027. Disse estar muito confiante de que, nessa altura, Guimarães terá transporte público gratuito, um compromisso que assumiu para o mandato e que, explicou, acabou por ser antecipado.
O fórum decorre sob o tema “Uma Cidade de Um Só Planeta” e reúne decisores, técnicos municipais e especialistas europeus para partilhar soluções nas áreas da ação climática, economia circular, energia, espaços verdes e biodiversidade. O encontro prolonga-se até sexta-feira.





