FOTOGRAFAR PARA “DESMISTIFICAR” O BAIRRO

Últimos dias para visitar a exposição de fotografia ‘Os Rostos do Meu Bairro’, na Casa da Memória de Guimarães. Um trabalho do fotojornalista Hugo Delgado, depois de três meses de contacto com 43 crianças e jovens dos bairros de Atouguia e Gondar, em Guimarães.

A entrada é livre © DR

Durante três meses, o fotojornalista Hugo delgado trabalhou com mais de 40 crianças e jovens de Gondar e Atouguia. Adotou um papel de “tutor” e deixou que os mais novos registassem os rostos e os recantos das zonas onde vivem. O resultado é a exposição “os rostos do meu bairro”, para ver na casa da memória.

Como mostrarias o teu bairro a alguém que nunca tenha lá estado? Foi este o desafio que o fotojornalista Hugo Delgado – que trabalhou de perto com os mais novos destas freguesias durante três meses – lançou a crianças e jovens de Atouguia e Gondar. O resultado está exposto na Casa da Memória, numa exposição inaugurada a 20 de setembro.

O convite partiu da Fraterna – Centro Comunitário de Solidariedade e Integração Social, que levou a estes jovens uma experiência diferente. É que as fotografias em exposição não são da autoria do fotojornalista, mas sim das crianças e jovens com quem Hugo teve a oportunidade de lidar durante o período de intervenção.

“Durante três meses, ia ter com eles uma ou duas vezes por semana. As fotografias são feitas por eles. Nesta iniciativa, uma pessoa diferente, de fora, está ali com eles e vive o dia-a-dia deles. Ainda por cima com uma máquina fotográfica. Eles ficaram fascinados com ela”, lembra o fotojornalista.

O projeto, intitulado “Os Rostos do meu Bairro”, almeja “desmistificar” a ideia de bairro a partir do olhar das crianças, que conhecem e se moldaram naquele habitat. Financiado pelo Programa Escolhas, e promovido pela Fraterna, teve uma componente de formação na área das Tecnologias de informação e comunicação e apoiou-se na fotografia para instrumentalizar o registo sócio demográfico dos bairros de Atouguia e Gondar.

Hugo deu alguma formação acerca do manuseamento da máquina fotográfica e deixou os jovens explorarem o seu ambiente através de uma lente. Que é como quem diz, “lançou-os às feras”. O resultado: várias fotografias em exposição, que mostram o bairro através do olhar de quem lá vive. Adotou o papel de “tutor” daqueles jovens, o que acabou por também tornar a experiência enriquecedora para o fotojornalista.

Este sou eu, este é o meu bairro

Mas se a experiência foi, nas palavras de Hugo Delgado, “fascinante”, o momento da inauguração da exposição, em que os jovens fotógrafos se reconheceram nas suas imagens e no seu bairro foi singular. O ato inusitado levou os jovens a um espaço cultural para se olharem ao espelho e se reconhecerem nas imagens de sua autoria.

No dia de inauguração “houve interação com os miúdos que participaram no projeto e estava completamente cheio”, recorda o fotojornalista. Os mais novos puderam ainda participar numa performance da atriz e artista plástica vimaranense Cristina Cunha, que colaborou desde março neste projeto de intervenção.

No entender de Hugo Delgado, a performance “embelezou a exposição”. “Essa performance foi feita com os miúdos”, acrescenta. “Foi um dia diferente, um dia para dar palco a crianças” que, por norma, estão longe destes circuitos culturais. As fotografias estão expostas até ao dia 31 de dezembro.

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