Francisco Milheiro: “O Rali de Portugal é um sonho meu e do meu pai”
Entrevista publicada na edição de outubro da revista Mais Guimarães.

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Francisco Milheiro, de 22 anos, é um dos mais promissores pilotos vimaranenses. Nas corridas desde os quatro anos, quando se aventurou nos kartings, Francisco Milheiro falou ao Mais Guimarães dos sonhos que tem para o futuro. O Rali de Portugal é um objetivo. As 24 horas de Le Mans é outro dos sonhos para cumprir.

Como nasceu a paixão pelos desportos motorizados?
Quando nasci, o meu pai já corria. Desde cedo que convivi com isso e comecei a ganhar o gosto. E, logo aos quatros anos, o meu pai inscreveu-me nos kartings. A partir desse momento, nunca mais quis parar.
As mães são muito protetoras. Gostou da ideia?
Sempre me apoiou. Nunca quis estar muito ligada a este desporto, mas sempre tive o apoio dela para fazer o que gosto.
E a que se deveu a troca dos kartings para os carros?
É uma modalidade muito cara. Depois, vimos que era altura de dar outro passo. Fomos experimentando a Montanha, que era o campeonato que ficava mais em conta na altura. Como já ganhei na Montanha, é altura de experimentar outras vertentes.
Foi campeão de Montanha em duas ocasiões. Quais as razões para abdicar?
As categorias estão feitas para as pessoas que têm muito dinheiro e não para as pessoas que andam bem. As categorias que davam para ganhar eu consegui vencer. Agora, estamos a falar de orçamentos completamente diferentes e que não vale a pena apostar. Com esse investimento, consigo correr em campeonatos melhores.

É um desporto caro?
Bastante caro. E cada vez mais é difícil conseguir patrocínios. Apesar das vitórias, é difícil encontrar patrocinadores. O dinheiro é muito mal distribuído. É quase tudo para o futebol. Há Câmaras Municipais, aqui ao lado, que apoiam em quantidades que Guimarães nunca na vida me apoiou. Ninguém nos dá atenção e fica difícil. A autarquia não tem revelado grande interesse. Agora, no final do mês de outubro, tenho reunião na Câmara Municipal de Guimarães. De Guimarães, tenho apenas o apoio de uma empresa e do Xico.
Mas já tem ideias para os próximos tempos?
Pretendo provas de resistência, mas como experimentei os ralis e gostei, a aposta deverá ser essa. Recentemente fiz o Rali de Famalicão e gostei. Na véspera desistimos com problemas na caixa de velocidades. Mas no dia seguinte, no rali extra, consegui vencer. Quero participar no campeonato nacional de ralis de velocidade. Tenho notado que tenho capacidades para andar sempre nos lugares cimeiros.
Presumo que sejam verbas avultadas para poder participar no nacional.
Bastante. São mesmo valores avultados. Participar em todas as provas é o objetivo, mas, se não conseguir, farei de tudo para conseguir fazer o Rali de Portugal, em Fafe. Participar no Rali de Portugal é um sonho meu e do meu pai.
E tem outros sonhos?
O Campeonato Mundial de Resistência de circuito. Participar nas 24 horas de Le Mans é a grande meta. É tudo uma questão de dinheiro. Aliás, neste desporto, é tudo uma questão de dinheiro. Depende dos patrocínios que tenhas.
Teve uma lesão grave. Já está recuperado?
Estou ainda a recuperar. Fiz recentemente duas corridas para testar, embora sem ordem do médico. Notei ainda cansaço, mas tinha contratos a cumprir e responsabilidades.

E o andebol?
Foi um bom período da minha vida. Joguei três anos no Xico Andebol, tinha um grande grupo de amigos e um ambiente espetacular. Foi uma boa fase da minha vida.
E nunca pensou regressar?
Ainda pensei. Mas com as corridas e a universidade, torna-se difícil.
E como consegue conciliar a atividade desportiva com a vida universitária?
É difícil. Nas semanas de corridas, quase não existe universidade, porque tenho de tratar do carro e da logística. Fora do período de corridas dá para gerir bem, até porque é um desporto no qual não temos de treinar muito, até porque fica muito caro.
Escolheu o curso de marketing. É a sua área?
O curso sempre foi uma vontade da minha mãe, mas aproveitei o que aprendi para me publicitar. Quero aprender como gerir e publicitar a minha imagem, de maneira a obter patrocínios.





