“Gratuito é gratuito”: Chega questiona Executivo sobre transportes e portagens

Nuno Vaz Monteiro questiona porque é que o princípio do "utilizador-pagador" vale para as portagens mas não para os transportes públicos. Ricardo Araújo defende que "os problemas nunca são tão simples" e reafirma o objetivo da gratuitidade. Questionado depois sobre o tema, o presidente aponta janeiro de 2027 como meta.

@ Mais Guimarães

O vereador do Chega, Nuno Vaz Monteiro, questionou o executivo municipal, no período antes da ordem do dia da reunião de Câmara, sobre a coerência da sua posição em matéria de custos de mobilidade. O autarca recordou que a Câmara recusou, em novembro de 2025, uma proposta do partido para eliminar o custo das ligações entre acessos às autoestradas dentro do concelho, ao mesmo tempo que defende a gratuitidade dos transportes públicos municipais. Ricardo Araújo respondeu que mantém a sua posição e distinguiu as duas situações. Questionado mais tarde sobre a gratuitidade dos transportes, o presidente admitiu que o processo é “um dossiê altamente complexo” e fixou janeiro de 2027 como o momento em que gostaria de a ver implementada.

Nuno Vaz Monteiro: “Gratuito é gratuito, não há meio gratuito”

Nuno Vaz Monteiro recordou uma posição assumida pelo presidente em novembro de 2025, quando o Chega exerceu o seu direito de oposição: nessa altura, Ricardo Araújo discordou de uma proposta do partido para que o município promovesse esforços junto do Governo no sentido de as ligações entre os diferentes acessos às autoestradas no concelho deixarem de ser pagas, invocando o princípio do utilizador-pagador. O vereador comparou a situação a outras regiões do país e questionou “Porque não podemos aspirar ao mesmo em Guimarães?”, defendendo que a proposta do Chega representaria um custo “ínfimo” para os vimaranenses, uma vez que seria suportado pelo conjunto dos portugueses. Contrapôs esta situação à gratuitidade dos transportes públicos municipais, medida que o executivo defende e que já constava do programa eleitoral da coligação Juntos por Guimarães. Segundo o vereador, aí a lógica é distinta: o encargo seria suportado apenas pelo orçamento municipal e, por isso, apenas pelos vimaranenses. Nuno Vaz Monteiro defendeu que deve existir “coerência” na aplicação do princípio do utilizador-pagador: ou se aplica às duas medidas, ou não se aplica a nenhuma. “Não somos oposição para oposição, somos oposição para fiscalizar, para propor e, quando necessário, como agora, para lembrar o executivo aquilo que devemos ter sempre no centro da nossa ação: os vimaranenses”, afirmou.

Numa segunda intervenção, o vereador esclareceu que a proposta do Chega não visava a ligação entre Guimarães e Braga, mas sim quatro ligações dentro do concelho, entre elas o acesso à A11 norte, que permitiriam circular gratuitamente numa autoestrada que atravessa o território. Insistiu na distinção entre as duas medidas: “gratuito é gratuito, não há meio gratuito.” Se a gratuitidade dos transportes públicos vai ser suportada por todos os vimaranenses, argumentou, a gratuitidade das ligações rodoviárias que o Chega propõe seria suportada a nível nacional, com um custo “ínfimo” para o concelho e um proveito “mais que muito”.

Ricardo Araújo:  “O resto tem sempre muitas cores”

Ricardo Araújo respondeu que mantém a posição que sempre transmitiu: defende, por regra, o princípio do utilizador-pagador. Ressalvou, no entanto, que isso não significa que não possam existir circunstâncias, contextos e objetivos que justifiquem a adoção de medidas diferentes – dando a gratuitidade dos transportes públicos como exemplo. Segundo o presidente, a abolição do custo de utilização do transporte público pode funcionar como incentivo à sua utilização e criar “um choque positivo na procura”, numa área que considera “fundamental para o futuro”. O autarca dirigiu uma crítica ao Chega a propósito da leitura que o partido faz destas questões: “a linguagem, sobretudo do partido que representa, é sempre muito simplista, não é? Ou é sim ou é não, ou estamos a favor ou estamos contra, ou é preto ou é branco.” E acrescentou: “para mim, preto e branco é mesmo só a Vitória… o resto tem sempre muitas cores, e os problemas nunca são assim tão simples quanto quero fazer parecer.”

Reafirmou o objetivo de reforçar o transporte público e de avançar para a sua gratuitidade, recordando que se trata de um objetivo estabelecido para todo o mandato, mas que espera antecipar “tanto quanto possível”.

Presidente questionado depois sobre a gratuitidade dos transportes: meta de janeiro de 2027

Mais tarde, questionado especificamente sobre o ponto de situação da gratuitidade dos transportes públicos, Ricardo Araújo reiterou o compromisso, que diz constar do seu programa eleitoral: “Guimarães há de ter transportes públicos gratuitos.” Recordou que tinha assumido a intenção de o cumprir já no primeiro ano de mandato: “gostava mesmo que, em janeiro de 2027, Guimarães pudesse ter já, em implementação, transportes públicos gratuitos.” O presidente explicou que se trata de “um dossiê altamente complexo e difícil”, por estar em causa um contrato de concessão com compromissos assumidos anteriormente, que a Câmara tem de respeitar e não pode simplesmente reiniciar. Isso implica, segundo disse, uma negociação “naturalmente difícil e complexa” com o concessionário, a Guimabus, que já dura há cerca de dez meses e que estará agora a chegar ao seu prazo-limite. Ainda assim, garantiu: “de uma forma ou de outra, Guimarães vai ter transportes públicos gratuitos.”

Questionado sobre indicadores de adesão às iniciativas de gratuitidade já aplicadas em diversos momentos do ano , o presidente disse dispor de dados monitorizados, sem os apresentar de imediato, e classificou o balanço como “claramente positivo”, ainda que com impactos distintos consoante o evento. Comprometeu-se a partilhar essa informação.

Sobre o serviço de transporte a pedido “Vai e Vem”, lançado no início de setembro, Ricardo Araújo considerou ainda prematuro fazer uma avaliação final. Disse que a adesão está “aquém” da expectativa do município, mas com “tendência de crescimento”, referindo que na semana anterior tinha sido registado o recorde de passageiros transportados desde o arranque. A avaliação definitiva ficará para o final do ano.

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