GUILHERME PEIXOTO

Nome completo
Guilherme Peixoto

Nascimento
30/07/1974
Azurém

Profissão
Padre/Músico

É conhecido como “padre DJ”. Epíteto que pode causar alguma estranheza, mas Guilherme Peixoto é expedito a explicar o afeto à música e como essa paixão trouxe uma nova vida a uma paróquia na Póvoa de Varzim. Nasceu em Azurém, mas é, há 13 anos, pároco das freguesias de Laúndos e Amorim, no concelho poveiro. “Tínhamos uma dívida muito grande para pagar. Não tínhamos sala de catequese, havia necessidade de fazer obras”, lembra o padre, que acabou por encontrar o melhor remédio na música. Nascia assim o “Ar de Rock”, um espaço de convívio que “foi aumentando ano após ano.”

“Começamos a fazer obras e uns convívios no verão, com karaoke, e, pelo meio, ia passando música. Comecei a investigar, aprendi acerca de software próprio de DJ. Comprei uma mesa e fiz formação no Porto.” Resultado? “Conseguimos saldar a dívida da paróquia e a verba para restaurar a igreja matriz. Estamos a juntar dinheiro para fazermos a sede dos escuteiros”, sintetiza o pároco vimaranense.

Foram estes 13 anos de trabalho que o padre Guilherme viu serem reconhecidos num encontro com o Papa Francisco. Levou uma t-shirt do espaço que ajudou a construir – o “Ar de Rock” – e o “instrumento de trabalho”.
A “ousadia” que levou avante e teve como consequência uma reação que “não podia ter sido melhor”: o Papa Francisco e a restante comitiva “escangalharam-se a rir”, da situação inusitada.

Ar do Rock, Um Hard Rock em Laúndos

A ideia de levar os auscultadores ao Vaticano até tinha surgido há algum tempo. “Há dois anos estive com o Papa Francisco. Tive a ideia nesse momento. Achei que era interessante numa próxima oportunidade trazer-lhe a t-shirt do Ar de Rock. Falar-lhe deste espaço paroquial e, pelo meio, benzer os instrumentos de trabalho”, recorda o vimaranense. E assim foi. As fotos partilhadas mostram Guilherme a pedir a bênção ao sumo pontífice. “Que belo momento”, resume o padre Guilherme.

O vimaranense – que foi a Londres ver o Vitória e “acompanha o clube sempre que consegue” – revela que à sua retaguarda estava o padre Antunes, embora o enquadramento da foto não permita vislumbrar de quem se trata. “É um amigo desde o estágio que fiz em Serzedelo”, recorda. “A seguir a mim entregou uma t-shirt do Vitória ao papa. Pediu ao papa para a benzer”.

Aquela t-shirt do “Ar do Rock” tem um significado especial. Afinal, trata-se de um espaço que contribuiu em larga medida para o reerguer da paróquia. Mas, na sua essência, o que é o “Ar do Rock? É mais fácil começar pelo que não é:” Não é um café, não é um bar, não é um clube. É muito mais do que um local físico”, lê-se na descrição do local. “É um espírito direcionado ao convívio entre gerações, à reunião familiar, onde se procura que todos se sintam em casa e possam conviver sem preconceitos ou restrições de idade. Não sendo um local de comércio, mas de eventos paroquiais, abre por isso apenas pontualmente”.

Capelão militar no Afeganistão e no Kosovo

O pároco junta a devoção e o afeto pela música à função de capelão militar. Presta serviço em duas escolas militares e acompanhou os comandos durante seis meses em Cabul, no Afeganistão, durante seis meses, em 2010. Dois anos depois viajou para o Kosovo. “[Ser capelão militar] é uma experiência única”.

“Quando estamos fechados dentro de um bunker durante horas e horas, como estive no Afeganistão e no Kosovo, apesar de se criarem laços fortes no grupo, por vezes as coisas extrapolam. A minha função era mostrar outras perspetivas às pessoas que lá estavam”, lembra Guilherme. Para isso, ajudou bastante “o gosto pela música”: “Como tenho esse afeto pela música tentava organizar momentos de recreação.”

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