Guimarães acolhe conferência internacional sobre Inteligência Artificial com investigadores de 15 países
Guimarães está a receber, no Hotel Guimarães e em diversos pontos da cidade, a INISTA 2026 (International Conference on INnovations in Intelligent SysTems and Applications), um evento dedicado à divulgação das mais recentes inovações em sistemas inteligentes. A conferência reúne investigadores, académicos e profissionais de vários países para debater os avanços em Inteligência Artificial e nas suas aplicações, promovendo o intercâmbio entre investigação fundamental e investigação aplicada.

@ INISTA2026
“A ideia é perceber a novidade a nível da investigação que se faz a nível da Inteligência Artificial e a sua aplicabilidade nas diversas áreas, quer na indústria, quer na sociedade”, explica Dalila Durães, uma das organizadoras do evento. “Temos 15 países, dos quatro continentes, representados, em que os investigadores estão a apresentar os seus mais recentes trabalhos relativamente a esta área.” Durães é vice-presidente da Associação Portuguesa para a Inteligência Artificial, investigadora pós-doutorada no ALGORITMI Center, da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, e professora convidada da ESTG, do Instituto Politécnico do Porto. A sua investigação centra-se na aplicação da Inteligência Artificial à Educação.
O primeiro dia do evento ficou marcado pela intervenção de Francisco Herrera, da Universidade de Granada, “um dos professores mais citados a nível científico”, segundo Durães, dedicada à explicabilidade em Inteligência Artificial. No segundo dia, o destaque foi para a palestra de Paulo Novais, da Universidade do Minho, que apresentou novas arquiteturas de agentes para a tomada de decisão autónoma. Durães sublinha que a intervenção abordou também os riscos associados a estes sistemas e “de que forma é que nós podemos combater essa parte de alguns riscos relativamente aos agentes e a sua liberdade, os seus riscos a nível da tomada de decisão”, um tema que considera “bastante predominante e importante para o futuro”.
Questionada sobre o impacto destas tecnologias no quotidiano, Durães nota que, muitas vezes, “usamos sistemas que têm inteligência artificial e que de alguma forma ou nos sugerem opções ou então tomam decisões” sem que os utilizadores tenham noção de estar, no fundo, a interagir com agentes autónomos. A investigadora alerta para a importância de perceber os riscos associados, sobretudo quando estes sistemas atuam sem controlo humano em áreas sensíveis como a medicina, por exemplo, ao aconselhar se um paciente deve ou não ter alta ou tomar determinado medicamento. Ao longo dos dias de conferência, decorreram ainda sessões de apresentação e discussão de trabalhos científicos, que abordaram temas como a aprendizagem automática, os sistemas multiagente, a visão por computador e as aplicações na saúde e na indústria, entre outros.
A INISTA 2026 é organizada por Dalila Durães e Manuel Rodrigues, da Universidade do Minho, e por Tülay Yıldırım, da Yildiz Technical University (Istambul, Turquia). O evento conta com cerca de 100 participantes, na sua maioria estrangeiros, e reúne trabalhos de investigadores de 15 países de quatro continentes, entre os quais Portugal, Espanha, Roménia, Turquia, França, Brasil, Canadá e Chile.





