Guimarães ainda tem escolas com amianto

O amianto foi muito usado na indústria da construção na Europa, entre 1945 e 1990. Com o alargamento do parque escolar, ditado pela democratização do acesso ao ensino, no pós-25 de abril, foi muito usado principalmente nas coberturas de escolas, mas não só. Em Portugal, a comercialização está proibida desde 2005, mas a sua remoção total dos edifícios ainda não está completa. Em Guimarães ainda há pelo menos 10 escolas com amianto.

O amianto ou asbestos é a designação comercial utilizada para a variedade fibrosa de seis minerais metamórficos de ocorrência natural. Devido às suas propriedades (elasticidade, resistência mecânica, incombustibilidade, bom isolamento térmico e acústico, elevada resistência a altas temperaturas, aos produtos químicos, à putrefação e à corrosão) o amianto teve, no passado, numerosas aplicações nomeadamente na indústria da construção, encontrando-se presente em diversos tipos de materiais tais como: telhas de fibrocimento, revestimentos e coberturas de edifícios, gessos e estuques, revestimentos à prova de fogo, revestimentos de tetos falsos, isolamentos térmicos e acústicos, entre outros.

Os riscos para a saúde humana estão relacionados com a inalação das fibras. Logo que o material esteja em bom estado de conservação, o risco é baixo. Qualquer atividade que implique a quebra da integridade do material (corte, perfuração, quebra, etc.) aumenta substancialmente o risco de libertação de fibras para o ar ambiente e nesse caso o risco aumenta. O problema com os edifícios escolares é que, na sua maioria são antigos, portanto, dificilmente os materiais podem estar em bom estado de conservação, independentemente da aparência.

Segundo informação da Câmara Municipal de Guimarães, neste momento há amianto na Escola Básica Agostinho da Silva, Escola Básica de Cerca do Paço, Escola Básica de Corvite, Escola Básica de Nossa Senhora da Conceição, Fermentões, Escola Básica de Oliveira do Castelo, Escola Básica de Pevidém, Selho – São Jorge e Escola Básica de Santa Luzia, Azurém.

Na Escola de Pinheiro está a decorrer uma requalificação que implica a remoção do amianto. Brevemente a Escola de Casais – Brito vai entrar em obras de requalificação, onde também está contemplada a retirada das placas de amianto. A Câmara de Guimarães faz saber que algumas destas escolas que ainda contêm este material, “têm pouca quantidade de amianto” e exemplifica com o caso de Pevidém onde existe apenas um anexo com este material.

Até ao final do ano letivo 2020/21 não deverá haver escolas com amianto no concelho

A Câmara justifica a persistência deste material nos edifícios com o elevado número de escolas no concelho, mas adianta que as intervenções que têm sido feitas, foram sempre no sentido de retirar este material. “Todas estas escolas, apesar de terem amianto, ele não representa perigo para a sua população”, afirma a Câmara Municipal. O Município sublinha que, “sempre que a avaliação do mesmo revelava perigo era imediatamente retirado”.

As diferentes variedades de amianto são agentes cancerígenos, devendo a exposição a qualquer tipo de fibra de amianto ser reduzida ao mínimo. As doenças associadas ao amianto são, em regra, resultantes de uma exposição em que houve inalação das fibras respiráveis. Estas fibras microscópicas podem depositar-se nos pulmões e aí permanecer por muitos anos, podendo vir a provocar doenças, vários anos ou décadas mais tarde. A exposição ao amianto pode causar as seguintes doenças: asbestose, mesotelioma, cancro do pulmão (o fumo do tabaco poderá ser uma variável de confundimento, agravando a evolução da doença) e ainda cancro gastrointestinal. Relativamente à erradicação total do amianto das escolas vimaranenses, a Câmara Municipal informa que está a decorrer um concurso que visa levar por diante esse objetivo. O compromisso do Município é ter tudo retirado até ao final deste ano letivo 2020/21

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