Guimarães dá o primeiro passo na construção de 75 casas, com entrega prevista 2027
O município de Guimarães marcou, esta terça-feira, o arranque simbólico de um novo bairro de habitação pública, com o lançamento da primeira pedra. O projeto insere-se no 1.º Direito - Programa de Acesso à Habitação e implica um investimento na ordem dos 10 milhões de euros. As 75 habitações deverão estar concluídas em abril de 2027.

@ Mais Guimarães
O empreendimento fica situado entre Azurém e Fermentões, ocupa cerca de 8.700 metros quadrados e terá apartamentos de T1 a T4, sobretudo T1 e T2. Dos cerca de 10 milhões de euros previstos, 7,5 milhões vêm do 1.º Direito. A parte restante fica a cargo da Câmara Municipal. Na cerimónia estiveram o presidente da autarquia, Ricardo Araújo, o vereador do Urbanismo, Constantino Veiga, e o CEO do Grupo Casais, António Carlos Rodrigues. A empresa é a responsável pela execução da obra.
“Casas entregues” como medida de sucesso
No seu discurso, Ricardo Araújo insistiu que o que conta é ver resultados no terreno. “Eu quero ser avaliado, no final do meu mandato, não por quantas tentativas de concursos lancei, não por quantas adjudicações fiz, não por quantos contratos celebrei, mas sim pelo número de casas que efetivamente nós ajudamos a entregar às pessoas que delas precisam”, afirmou. O autarca assegurou ainda que o investimento em habitação pública não termina neste projeto. Segundo indicou, a intenção é dar seguimento a novas intervenções e criar parcerias com entidades privadas que permitam alargar a oferta de habitação a custos controlados.
Madeira e betão, com peças feitas em fábrica
O Grupo Casais está a desenvolver o edifício com um sistema construtivo industrializado, que junta madeira e betão e permite pré-fabricar vários elementos da construção. De acordo com António Carlos Rodrigues, este método pode encurtar os prazos de obra entre 30% e 50%, consoante a dimensão e as características de cada projeto. “Estamos a falar de uma obra que já está em Abril entregue”, afirmou o CEO, sublinhando o grau de planeamento que o sistema exige.
O responsável rejeitou a ideia de que a industrialização traga menos qualidade. Na sua opinião, acontece o contrário: produzir em fábrica dá mais controlo e rigor tanto no fabrico como na montagem das diferentes partes.
Um “gémeo digital” do edifício
Outra novidade será a criação de um modelo digital pormenorizado do prédio. António Carlos Rodrigues explicou que a Casais pretende entregar não só a construção física, mas também o respetivo “gémeo digital”, com dados sobre a estrutura, a arquitetura e as instalações técnicas. Esta ferramenta deverá facilitar a manutenção e a gestão futuras, já que permitirá localizar componentes e infraestruturas sem ser necessário fazer intervenções no local.
Segundo o Grupo Casais, o sistema permite também desmontar e reaproveitar componentes, o que dá mais flexibilidade aos edifícios caso as necessidades de habitação mudem no futuro.
Habitação para atrair pessoas e empresas
Para Ricardo Araújo, ter mais habitação disponível é igualmente uma condição para que Guimarães consiga atrair e manter população e atividade económica. O presidente da Câmara defendeu que a resposta não deve dirigir-se apenas a quem se encontra em situação de vulnerabilidade económica e social, mas também a “um segmento de classe média, de classe média baixa” e aos jovens. António Carlos Rodrigues concordou e vê na habitação acessível um fator económico. “Se não houver habitação a custos acessíveis, não há fábricas, não há empresas a fixarem-se na região”, afirmou.
A autarquia garante que vai continuar a apostar na construção de habitação pública e em soluções conjuntas com o setor privado, para reforçar a oferta no concelho.





