Guimarães homenageia Eduardo Ribeiro com Medalha Municipal de Mérito Cívico
Na sessão solene das comemorações do Dia Um de Portugal, a 24 de junho, Guimarães prestou homenagem a Eduardo Ribeiro, distinguindo-o com a Medalha Municipal de Mérito Cívico.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães
Natural de Gondar, Guimarães, onde nasceu a 19 de junho de 1926, Eduardo Ribeiro construiu a sua formação de forma persistente e ao longo de décadas, como estudante trabalhador. Concluiu a Mestrança de Construtor Civil em 1965, Engenharia Civil em curso noturno em 1982 e licenciou-se na mesma área em 2001. Desde jovem tomou consciência das condições de vida dos operários da região, tendo testemunhado a Marcha da Fome de Pevidém, em 1944, quando trabalhadores marcharam até à Câmara Municipal de Guimarães carregando bandeiras negras.
Resistência e coragem contra a ditadura
A intervenção política de Eduardo Ribeiro começou cedo, na campanha de Norton de Matos à Presidência da República em 1949, e intensificou-se com a campanha de Humberto Delgado em 1958, integrando a Comissão Concelhia de Apoio à Candidatura do General. Fez parte do núcleo duro dos Democratas de Braga e integrou listas da oposição democrática à Assembleia Nacional em 1961, 1965 e 1969.
A sua casa acolheu reuniões de opositores ao regime e, em 1967, um copiógrafo adquirido para imprimir documentos antigovernamentais. Foi preso pela PIDE em 1962 e em 1968, sofrendo na segunda prisão severas torturas físicas, do sono e outras. Ainda assim, nunca cedeu. Com enorme generosidade e risco pessoal, deu trabalho durante anos, na sua empresa de construção civil CARI, a figuras que o regime proibira de exercer funções profissionais.
Participou no II e no III Congresso da Oposição Democrática, apresentando trabalhos sobre habitação, urbanismo e construção civil, e integrou a Representação Portuguesa no Comité Internacional em Bruxelas, em 1973, na Assembleia dos Representantes da Opinião Pública para a Segurança e Cooperação Europeias.
Um construtor da cidade em todos os sentidos
A ação de Eduardo Ribeiro em prol de Guimarães foi também literal. À frente da CARI, empresa cujo logótipo permanece associado a obras de referência nacional como a reabilitação do Teatro Nacional D. Maria II em Lisboa, construiu de raiz a Assembleia de Guimarães e interveio em edifícios icónicos da cidade, como a Sociedade Martins Sarmento, a Pousada da Oliveira e o Mosteiro de Santa Marinha da Costa, transformado de ruína em pousada.
No plano cívico e cultural, foi fundador da Livraria Raúl Brandão em 1962, fundador do Cineclube de Guimarães em 1958, sócio fundador da Cooperativa Editorial O Povo de Guimarães e da Muralha, e presidente do Rotary Clube de Guimarães em 1971 e 1972. Deixou ainda dois livros: o Guia Popular do Recenseamento das Juntas e da Assembleia Nacional, publicado em 1970 e apreendido pela PIDE, e Insubmissão: Resistência ao Salazarismo (não apaguem a memória), publicado em 2011, testemunho da luta contra a ditadura.
Ao longo da vida foi homenageado pela Casa Humberto Delgado em 1997, pela Câmara Municipal de Guimarães em 2004 pela resistência cívica à opressão, e pelo Rotary Club de Guimarães em 2009 pelos cinquenta anos de serviços à comunidade.Faleceu em 2017.





