Há uns que são mais iguais que os outros

por ANA AMÉLIA GUIMARÃES
Professora

“Desde meados de Março que a região Norte tem – até hoje – cerca de 2,5 vezes o número de infetados de Lisboa e, por isso se calhar, tem 3 vezes o número de mortos de Lisboa. Mesmo quando parece ser semelhante a tendência, o Norte está à frente de Lisboa na relação do número de mortos face ao número de infectados.”.

O espanto e a irritação surgiram quando assistia ao telejornal da RTP1, no dia 6 de abril. O pivot falava, num tom exclamativo e dramático, de uma subida de infeções em Lisboa que seria, vejam lá, superior à da região Norte ( https://www.rtp.pt/play/p6559/e470973/telejornal , 08’:55’’ ): “curiosamente em Lisboa, que tem assim mais quatrocentos casos”.

Depois do alarmismo e da comoção de plástico, vem o epidemiologista de serviço e sossega o jornalista e a nação, dizendo que afinal, atenção, não é Lisboa, é a Grande Lisboa… lá para os subúrbios onde vivem outro tipo de lisboetas e portugueses: os que trabalham e produzem e têm de arriscar o coiro para pôr na mesa o pão de cada dia.

Esta putativa reportagem do dia 6 serve, no entanto, para colocar algumas questões, nomeadamente a diferença de casos de infeção e morte por Covid 19 entre o Norte e Lisboa.

Depois de ler o estudo publicado por João Ramos de Almeida, no blogue “Ladrões de Bicicletas”(cf. http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2020/05/o-que-foi-que-aconteceu.html ), constata-se que “Desde meados de Março a região Norte tem – até hoje – cerca de 2,5 vezes o número de infetados de Lisboa e, por isso se calhar, tem 3 vezes o número de mortos de Lisboa. Mesmo quando parece ser semelhante a tendência, o Norte está à frente de Lisboa na relação do número de mortos face ao número de infectados.”.

Esta brutal realidade parece ter pouco impacto nos comentaristas e nos media em geral. O Norte é um imenso arredor e fica longe das redações.

As alarmadas exclamações dos jornalistas deveriam ser substituídas pelo Porquê? Isto é, pela investigação, pelo tão maltratado jornalismo de investigação (agora que nem há bola até tinham tempo, acho eu).

Urgente e necessário seria, pois, os jornalistas investigarem as razões de tal disparidade: porque é que o “o Norte está à frente de Lisboa na relação do número de mortos face ao número de infectados”?

Será porque o tecido produtivo da nossa região assenta em micro, pequenas e médias empresas, onde as condições laborais e a preparação das fábricas e outras entidades para acolherem e protegerem as centenas de milhares de trabalhadores, que voltam agora ao seu trabalho, não cumpriram ou não cumprem com as obrigações devidas? “Num país em que grande parte da atividade económica é dominada por micro e pequenas empresas que assentam a sua estrutura de SST em empresas de serviços externos, é «ilusório» e «perigoso» partir do princípio que todas as empresas serão capazes de prevenir os riscos”, afirma a CGTP.

Nota: Transportes Públicos (TUG). De que modo está a ser feita a desinfeção e a higienização dos transportes públicos de Guimarães e como a Câmara Municipal controla essa atividade. O regresso à «nova-normalidade» e a utilização destes por grupos de risco vai exigir uma vigilância constante. Procurei, na imprensa e nos sites disponíveis, por informação, mas nada encontrei. Seria mau de mais se não se estiverem a tomar providências.

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