Habitação em falta & Prémios a granel

por Ana Amélia Guimarães Professora

Tópicos retirados da imprensa local: «Rendas baixam pela primeira vez desde 2017(…)».

“Os números referentes ao valor mediano das rendas por metro quadrado de novos contratos de arrendamento de alojamentos familiares, referentes ao segundo trimestre de 2020, foram publicados pelo INE no dia 23 de março.».

«Em Guimarães, do primeiro para o segundo semestre de 2019 as rendas subiram 2,7%, mas entre o segundo semestre de 2019 e o primeiro semestre de 2020 baixaram 0,5% e mantiveram-se inalteradas no último semestre do ano passado. O valor mediano das rendas de alojamentos familiares, em Guimarães, estava a subir desde 2017 (momento em que começam os registos do INE), altura em que o valor por metro quadrado se situava em 3,20 euros. No segundo semestre de 2019 atingiu o valor mais elevado, 3,77 euros, em 2020, este valor caiu para 3,75.».

As rendas baixam pela 1ª vez desde 2017… Esta notícia, auspiciosa talvez para quem procura casa, revela a situação insustentável que se vive em torno do problema da habitação.

Basicamente é isto: quem tem um salário médio (já não digo salario mínimo) não consegue alugar uma casa a não ser que tire ao talho e à farmácia.

Em Guimarães, não foi só na cidade que os preços subiram, por todo o concelho é cada vez mais difícil encontrar casa a preços consonantes com os rendimentos auferidos pelo trabalho.

Preocupada, e bem, com as questões da capital verde, a autarquia tem posto em banho-maria este problema. Como tem feito com a maior parte dos problemas que são estruturantes, as acessibilidades e a coesão do concelho, por exemplo.

2. Somos várias vezes informados pela imprensa que a autarquia recebeu um prémio, “Prémio Autarquia do Ano”, pela Lisbon Awards Group, que a considera a melhor do ano num determinado espetro: democracia, igualdade e participação cívica.

Na semana passada soubemos que a autarquia recebeu o prémio de melhor autarquia do ano, em economia, pelo projeto “Guimarães Marca”, etc. (atribuído também pela Lisbon Awards Group).

Seria importante não banalizar, em tempo de eleições, esta coisas dos prémios, até porque se vai confirmando o negócio de que já suspeitávamos. Negócio esse denunciado pelo ainda presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas, que em entrevista ao jornal i, afirmou: «que os prémios que Portugal tem arrecadado são comprados e só nós é que damos importância. …Em relação a esses prémios só nós é que os conhecemos, o resto do mundo não sabe. São eleições feitas por entidades privadas que se regem por princípios económicos, de rentabilidade económica e, como tal, pagamos e ficamos no lugar que queremos. Estes prémios que andamos a apregoar com frequência são prémios atribuídos por estruturas ou organizações privadas que têm como fim o lucro e que vendem lugares em função dos preços que se pagam”.

Depois destas palavras desencantadas, o mais avisado será olhar, não o galardão, mas quem o atribuiu e quem eram os outros concorrentes. Prémios sim, propaganda não.

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