Íris Soares

Nome completo:
Íris Diana Lopes Fernandes Soares

Data de nascimento:
20 de agosto de 1982

Naturalidade:
Guimarães

Profissão:
Osteopata/ Atriz

“Nasci em Azurém, como todas as pessoas nos anos oitenta”, Íris Soares é desconcertante. Mas não de uma forma irritante, é-o de uma maneira divertida. É óbvio que todas as pessoas que nasceram em Guimarães, naquela época, viram a luz do dia pela primeira vez em Azurém. Começamos com uma gargalhada. Está lançada a conversa com a diretora do Teatro do Convívio.

Viveu quase toda a infância em Pevidém, mas andou a saltar por várias escolas, em virtude do trabalho dos pais. Também é uma forma de crescer, ajuda a formar o carácter. A primeira e a segunda classe (ainda se chamava assim) foi em Pevidé, passou pela Didaxis, andou na escola em Fafe e acabou por terminar o ensino secundário na Escola Secundária Francisco de Holanda.

A família ainda fez uma tentativa de morar em Fafe, “mas era muito frio e húmido, voltamos para Guimarães”.

A paixão pelo teatro começou tão cedo que na realidade as suas primeiras memórias estão relacionadas com o despontar desta paixão. “Lembro-me de uma peça que fiz no infantário, quando tinha três anos, chamava-se ‘Galinha Ruíva’ e eu era a galinha. Supostamente as falas deviam ser reproduzidos por uma gravação e nós só representávamos, mas eu ouvi aquilo tantas vezes nos ensaios que aprendi as falas. Então, durante a apresentação eu falava muito alto, só se ouvia a minha voz, eu dizia as minhas falas e as dos outros, sabias todas”. Além desta lembra-se de outras peças que fez neste período e o bichinho ficou algures a germinar.

“Em caso vestia-me e aparecia na sala a representar qualquer coisa, era desse tipo”, recorda.

Mas na família não havia grande estímulo. O pai parecia-lhe que era melhor a filha estudar qualquer coisa que lhe garantisse o sustento, a mãe, enfim, não ia contra o pai, o irmão, cinco anos mais velho, é um cérebro lógico, engenheiro de profissão.

Este irmão e o seu interesse pelo xadrez acabou por ser uma grande ajuda. “Ele andava no xadrez no Círculo de Arte e Recreio (CAR) e eu fui com ele. Era a maneira de sair de casa aos sábados. Não me interessava nada pelo xadrez e jogava mal, tentava fazer jogo psicológico que era a única coisa em que eu era boa”, ri-se. O irmão, pelo contrário, levava o jogo a sério e chegou a ser campeão distrital.

O irmão, contudo, obrigava-a a estudar as jogadas e, hoje, reconhece que ficou desse tempo uma capacidade de raciocínio desenvolvida.

Durou pouco tempo no xadrez, porque no CAR havia o teatro e naturalmente o ‘bichinho’ revelou-se. Nunca mais parou desde essa altura, em 1997. De tal forma que, contra a vontade familiar, o único curso a que se candidatou na universidade foi teatro. “Fui fazer provas ao Porto, a Lisboa e a Coimbra, não entrei em lado nenhum e ainda bem”, confessa. Assim pode fazer os projetos que acha mais interessantes, sem condicionantes económicas, “de outra forma teria de aceitar trabalhos para pagar a renda”. “Hoje, tenho o privilégio de fazer aquilo que gosto, quem é que pode dizer isto?”

A ligação ao CAR durou até 2005, “depois comecei a ter vontade de fazer outras coisas, o que lá se fazia era muito datado, político, moral, a mim interessam-me mais as relações humanas. Foi assim que em 2005 assumiu a responsabilidade de criar o Grupo de Teatro do Convívio.

Entretanto, como não tinha entrou para a universidade, foi tirar um curso de auxiliar de fisioterapia e foi nessa área que trabalhou os primeiros anos. Mas também ali viu coisas de que não gostou. “Há sempre uma questão muito económica que está acima do interesse das pessoas. Rodar muitos clientes por hora, é o que interessa no mercado da fisioterapia.”

Tirou o curso de osteopatia e optou por uma abordagem diferente, holística, olhando, não para a lesão, mas para a pessoa como um todo. É este trabalho que lhe absorve o tempo e lhe garante a estabilidade financeira que lhe permite fazer o teatro que quer.

No futuro quer mais estabilidade de elenco e projetos para o grupo. Reconhece que não é fácil, “recebemos muitos estudantes da Universidade do Minho e alunos de Erasmus, acabam os cursos e vão embora”, lamenta. Também há o problema de haver muitas mais mulheres a quererem fazer teatro que homens, o que limita os projetos.

Família…“tenho um filho que é o grupo de teatro e dá muito trabalho”. A mãe que, lá atrás não achava o teatro muito boa ideia, agora não perde as estreias e o pai também já vai mais ‘à bola’ com o teatro.

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