JOSÉ DIOGO SILVA

Nome completo
Diogo Pinto de Freitas do Amaral

Nascimento
21/07/1941
Póvoa de Varzim

Profissão
Político

José Diogo Silva diz sentir “a cidade e os seus costumes” desde cedo. É hereditário: os familiares já o sentiam e fizeram questão de lhe passar “as tradições e os costumes vimaranenses”. Na sexta-feira passada foi eleita a Comissão de Festas Nicolinas para 2019.

Há onze anos, o jovem vimaranense foi eleito secretário da comissão de 2008 e, mais tarde, pela academia, pregoeiro. “Foi um sonho tornado realidade”, diz. Em 2009, “sendo ‘velho de comissão’”, foi eleito vice-presidente. Mas já antes acompanhava “inúmeras comissões”. Recuemos (ainda mais) no tempo. Anos antes, teve o seu primeiro contacto com as Nicolinas: “Foi nas tradicionais Posses, dadas pelo meu avô na Pastelaria Clarinha. Aí, o meu padrinho Zé Ribeiro e o meu Tio Xico eram os responsáveis pela récita que era dada antes do cesto descer. Foram eles que mais me aproximaram das tradições”, recorda.

Mas só começou a participar ativamente nas festas nos tempos do ensino secundário — e José Diogo esperou, esperou bastante para que chegasse essa altura. “Acompanho desde miúdo. Na altura, só como espetador. Ficava muito chateado porque era algo que gostava bastante, mas depois fui-me apercebendo que era o mais correto, até para a minha educação Nicolina”, explica.

Dos tempos de Nicolino, “mais do que histórias, guarda pessoas e aprendizagens”. “Entramos meninos e saímos homens”, afirma. “Dentro de uma comissão temos de aprender a trabalhar em equipa, a respeitar quem está ao nosso lado e a valorizar as coisas básicas do mundo. Ser Nicolino é ser estudante para toda a vida, mas ser Nicolino também é aprender a ser mais e melhor como ser humano. E é isso que levo para a vida.” Numa tradição com “quase quatro séculos de história”, haverá algo para mudar? Para José Diogo, estas festas vimaranenses “são, se calhar, as que mais se adaptaram aos tempos”. A diferença, explica, está no facto de esta tradição “não se deixar influenciar por vários aspetos políticos e sociais”: “podem e devem sempre mudar”, mas nunca se deixa que se distorçam “os valores e a sua história”. Segundo o jovem empresário, serve essa postura para “preservar o futuro, assegurando que os valores do passado e os seus costumes sejam preservados”. E lamenta que exista quem queira fazer das Nicolinas “uma festa de modas e modinhas”.

Mas a família não lhe passou só a vontade de viver a tradição vimaranense. É gerente do Divina Gula, na Rua de Santa Maria, onde moram produtos tradicionais que adoçam os dias de quem por lá passa. Os seus avós são os proprietários da Pastelaria Clarinha — por isso, não é de estranhar que o bichinho para o negócio tenha ficado. E foi deles que aprendeu a arte, para além de “valores da vida”. Hoje, à frente de um negócio, consegue ter uma visão mais abrangente do comércio e do turismo, ou não desse a cara por uma doçaria em pleno centro histórico. O reboliço a que se assiste nessa zona não lhe incomoda, mas sim o “esquecimento” a que são votados os comerciantes do centro histórico pela autarquia. “Nos últimos anos, o município tem tido políticas que só prejudicam o crescimento económico do centro histórico, fazendo dos comerciantes seus inquilinos, quando, na verdade, é ao contrário. Um centro histórico só faz sentido se estiver habitado. Mas um centro histórico sem restauração e hotelaria torna-se num centro histórico morto e sem oferta para quem nos visita”, aponta.

Na sua opinião, faltam estratégias para captar turistas durante todo o ano. Ainda assim, avisa: “As gentes de Guimarães nunca irão permitir que a cidade perca a identidade, mas é necessário que exista um trabalho conjunto para que a ‘galinha dos ovos do ouro’ continue a dar ovos.” Por enquanto, José Diogo quer continuar a “lutar por algo melhor” para Guimarães — e isso fá-lo ficar por cá —, já que garante não virar as costas “a uma boa luta”. “Tenho uma dívida muito grande para com esta cidade”, diz. Por isso, continuará a retribuir. À porta da Divina Gula ou pelo Xico Andebol, onde joga. Ficará pelo “burgo” durante muito tempo.

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