L.A.C. contesta transformação de parte da ecovia entre Urgezes e a Costa em nova estrada

O Laboratório de Ação Cívica (L.A.C.) manifesta preocupação com uma proposta inscrita na segunda revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) de Guimarães, que prevê a reconversão de um troço de cerca de 2,5 quilómetros da atual ecovia numa via rodoviária com duas faixas de circulação, entre a rotunda da Avenida D. João IV e a zona superior do Parque da Cidade de Guimarães, junto à Academia de Ginástica.

Ecovia CMG

Segundo o L.A.C., a intervenção não afetaria apenas o atual corredor de mobilidade suave, podendo também implicar a alteração de áreas verdes e equipamentos existentes, nomeadamente um jardim Miyawaki plantado em 2021, um campo desportivo, um parque infantil e outras zonas verdes utilizadas diariamente por crianças, jovens e famílias.

A organização considera que a proposta entra em contradição com o percurso ambiental desenvolvido por Guimarães e com o estatuto de Capital Verde Europeia que a cidade ostenta em 2026. “Transformá-la numa estrada, seria desfazer um investimento público que os vimaranenses reconhecem e valorizam”, afirma o L.A.C., referindo-se à ecovia.

O espaço integra o antigo corredor ferroviário que ligava Guimarães a Fafe, desativado em 1986 e reconvertido em ecovia em 2018. De acordo com o Laboratório de Ação Cívica, o percurso é atualmente utilizado diariamente por centenas de pessoas, entre famílias, ciclistas e peões, funcionando como um corredor separado do trânsito automóvel.

Para o L.A.C., os cerca de 2,5 quilómetros constituem “um símbolo do caminho que Guimarães percorreu até se tornar Capital Verde Europeia”, considerando que a sua transformação numa estrada representaria uma regressão nas políticas de mobilidade sustentável.

A organização aponta ainda para o contexto em que a proposta é conhecida. A posição surge durante a Semana Europeia da Mobilidade, que decorre entre 16 e 22 de setembro e integra o programa de Guimarães Capital Verde Europeia. O L.A.C. reconhece as iniciativas promovidas pelo município, como a gratuitidade dos transportes públicos e as ações de promoção da bicicleta e da caminhada, mas considera existir um contraste entre essas medidas e a possibilidade de eliminar uma infraestrutura dedicada à mobilidade suave.

“Na mesma semana em que se convidam os vimaranenses a deixar o carro em casa, prepara-se, sem qualquer discussão pública, a eliminar permanentemente 2,5 km de via dedicada à mobilidade suave que a cidade já construiu”, refere a organização.

O L.A.C. questiona também a ausência, neste momento, de uma consulta pública do documento completo do PDM, defendendo que a proposta deve ser apresentada e discutida com os cidadãos. A organização considera que, caso estejam em causa problemas de mobilidade ou acessibilidade, deverão ser avaliadas outras soluções, nomeadamente o reforço dos transportes públicos e a expansão das redes ciclável e pedonal.

Assembleia Municipal vota revisão do PDM a 25 de setembro

A segunda revisão do Plano Diretor Municipal será submetida à votação da Assembleia Municipal de Guimarães no dia 25 de setembro, no Auditório da Universidade do Minho.

O L.A.C. apela, por isso, à participação dos cidadãos no acompanhamento do processo de revisão do PDM e defende “a abertura de uma discussão pública” sobre a proposta.

A organização pede ainda à Câmara Municipal de Guimarães que esclareça os objetivos da intervenção e mantenha a atual ecovia como “corredor verde e de mobilidade suave”, defendendo a sua melhoria e expansão em vez da sua transformação numa via rodoviária.

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