LUÍS SOARES: “A MINHA PALAVRA É PARA SER HONRADA”

Em entrevista ao Mais Guimarães, Luís Soares, presidente da concelhia vimaranense do Partido Socialista, diz que o “reconhecimento que os líderes distritais têm do trabalho que vamos fazendo em Guimarães” é um dos motivos que justifica o apoio a Joaquim Barreto na corrida à distrital de Braga.

“Vamos fazer aquilo que estivemos a trabalhar nestes últimos dois anos”, refere, acerca das obras programadas para o restante mandato como presidente da Junta de Caldelas © João Bastos/Mais Guimarães

O presidente da Junta de Freguesia de Caldelas, presidente do PS em Guimarães e deputado na Assembleia da República foi o entrevistado da primeira edição do programa Mais Plural. A liderança da concelhia, a corrida à distrital de Braga e o mandato como presidente da junta são alguns dos temas abordados. A conversa está também disponível na íntegra, em vídeo, no Facebook e no canal do Youtube do Mais Guimarães

Mais Guimarães (MG): Quem é o Luís Soares e como chega à presidência do Partido Socialista [PS]?

Luís Soares (LS): Muito obrigado pelo convite. O Luís Soares, ou o Luís, como gosto de ser tratado, chega ao Partido Socialista em 2001, através da Juventude Socialista, por um grupo de jovens de Guimarães que abriram, no fundo, as portas do Largo do Toural. Se me pergunta se, quase 20 anos depois dessa primeira entrada, pensaria liderar os destinos do PS de Guimarães, do maior partido que os vimaranenses têm confiado nos últimos 40 anos, dir-lhe-ia que não. Mas foi um processo de crescimento natural, de muito trabalho, de muita dedicação daquilo que é a causa pública — seja na minha freguesia, seja no meu concelho, seja naquilo que é a estrutura partidária. Foi um crescimento muito sustentado por um conjunto de pessoas que foi caminhando comigo e que também me foi legando o trabalho que tinha vindo a ser desenvolvido pelo Partido Socialista e que muito me orgulho. Foi, no fundo, esse caminho, de forma muito sustentada que permitiu que quase 20 anos depois de ter entrado no Largo do Toural, depois de muitas reuniões, depois de muito trabalho pelo concelho, que os militantes do partido olharam para o Luís Soares como a escolha certa para liderar os destinos do PS.

MG: Relativamente a estas últimas eleições do PS, havia uma segunda lista candidata, que a dias do ato eleitoral foi retirada. Uma das críticas que era feita por essa lista era o facto de não haver uma segunda lista concorrente nas eleições do PS há imensos anos. É um problema do PS de Guimarães?

LS: Não, pelo contrário. O PS integra, na sua estrutura, um conjunto de pessoas que pensa de forma livre, de forma plural, e isso nunca foi problema para o PS. Mas uma das grandes marcas que o PS tem é que, apesar das divergências e diferenças de opinião que vamos tendo, quando toca a rebate nós estamos todos unidos, porque primeiro está Guimarães e o que os vimaranenses esperam do PS: um partido coeso, unido, com os melhores e as melhores propostas para continuar a transformar a nossa cidade e o nosso concelho.

MG: Falou do seu percurso político. Muito dele feito na companhia de Ricardo Costa. É inevitável falarmos disto, até porque é completamente atual. Manifestou o seu apoio a Joaquim Barreto, como líder da concelhia de Guimarães, do concelho que tem um candidato à Federação Distrital de Braga. Como é que vê esta candidatura de Ricardo Costa e como justifica o facto de estar a apoiar o outro candidato, que não é vimaranense, mas que é o atual líder da distrital?

LS: A coerência é difícil de se explicar. Eu tenho um compromisso comigo mesmo: a minha palavra é para ser honrada. Eu ontem anunciei publicamente o meu apoio à candidatura do Joaquim Barreto, mas ele e, aliás, a generalidade das principais figuras do PS de Guimarães já haviam assumido esse compromisso há muito tempo. Já em setembro. O percurso que Guimarães foi fazendo no contexto distrital, que considero um percurso muito positivo nestes últimos dois anos, e que contrasta com os últimos 40 anos do PS de Guimarães, deve-se muito a Joaquim Barreto. Nós nos últimos dois anos assumimos pela primeira vez a presidência da mesa da comissão política da distrital. O presidente da concelhia de Guimarães, o Luís Soares, era o número dois da distrital. Nos últimos dois anos, e pela primeira vez, o cabeça de lista das legislativas do PS no distrito de Braga era de Guimarães, a camarada Sónia Fertuzinhos. E isso deve-se, por um lado, ao trabalho que todos temos vindo a desenvolver em Guimarães, ao peso e à importância que Guimarães tem no contexto do distrito, mas também ao reconhecimento que os líderes distritais têm do trabalho que vamos fazendo em Guimarães. Deixar de apoiar Joaquim Barreto e dar a palavra que tinha sido dada era, por um lado, falhar um compromisso, e por outro lado era injusto para quem reconheceu o trabalho de Guimarães. E, portanto, como disse, a coerência é difícil de explicar, mas creio que os militantes percebem que depois do trabalho que fizemos em conjunto com o Joaquim Barreto, surgir uma candidatura de Guimarães num contexto em que Joaquim Barreto faz o último mandato, seria o mesmo que interromper o ciclo de Domingos Bragança aqui em Guimarães. Queremos que Joaquim Barreto ganhe, que faça o seu último mandato e que permita estes dois anos continuar a fazer crescer a estrutura de Guimarães para depois, e aí sim, termos o trabalho futuro no contexto do distrito.

MG: Como está a sua relação com Ricardo Costa?

LS: As relações políticas não se devem confundir com as relações pessoais. Há aqui uma divergência, mas eu sei que o Ricardo Costa é um quadro que o PS não pode desperdiçar. Por tudo o que já fez no passado, por aquilo que quer continuar a fazer e por aquilo que, certamente, fará.

MG: Se Ricardo Costa não vencer estas eleições para a distrital, fica numa situação delicada na sua perspetiva?

LS: Nos combates políticos, nunca ninguém fica numa posição delicada quando assume um determinado projeto. Podemos ter diferenças, entender que não estamos em sintonia, mas os combates enobrecem as pessoas. No dia 14 de março, os militantes pronunciar-se-ão aqui em Guimarães e no distrito e, no final, seguiremos todos aqueles que quiserem, enquadrados no projeto do PS em Guimarães e no distrito, a lutar por um PS mais forte e é essa a minha convicção.

“Tenho procurado responder sempre que o PS precisa de mim” © João Bastos/Mais Guimarães

MG: Quando venceu as eleições para o PS, quando foi reeleito, reforçou a ideia que o próximo grande objetivo são, claramente, as autárquicas. Espera que haja reforço da votação no PS?

LS: Eu tenho trabalhado em sintonia com o atual presidente de câmara, Domingos Bragança, seja nas questões da câmara, do partido, no processo concelhio, agora no processo para a distrital para que o PS de Guimarães possa continuar a crescer. Definimos como objetivos ter mais mandatos na Câmara Municipal, mais mandatos na Assembleia Municipal e mais mandatos também nas juntas de freguesia. Acho que, em função do trabalho que está a ser desenvolvido, quer na Câmara Municipal quer no PS, esse não é um objetivo inalcançável — pelo contrário. Com humildade, cientes daquelas que são as melhores propostas que o PS tem trazido para o debate e para a concretização no concelho de Guimarães, tenho confiança e convicção de que os vimaranenses vão continuar a confiar no PS e confiarão ainda mais. Esse é o desafio que temos para os próximos dois anos e em que os todos os militantes de Guimarães deveriam e devem estar focados.

MG: Já estão a trabalhar no terreno? Uma das críticas que foi feita pela oposição nas últimas eleições foi o facto de o PS aliciar, de alguma forma, alguns candidatos ou alguns presidentes da junta a mudarem de cor política e serem apoiados pelo PS nas próximas eleições. Poderá haver novidades quanto a isso em 2021?

LS: Eu, em brincadeira, com o presidente, costumo dizer que não sei quem é assediado: se é o presidente da câmara, como diz a oposição, que faz um assédio aos presidentes de junta de outros partidos ou se são os presidentes de junta de outros partidos que assediam o presidente de câmara para se juntarem às hostes socialistas. Tudo terá o seu tempo. Nós estamos agora, depois de eleitos, no fundo a planificar aquilo que é o trabalho que temos de levar à prática nos próximos dois anos. Entre outras dimensões desse trabalho e desse desafio, está também a escolha dos nossos candidatos. Mas também temos bem consciência que, para além de escolhermos os melhores, temos de trabalhar os melhores projetos e as melhores ideias. E isso faz-se em duas dimensões: valorizando o papel dos simpatizantes e dos militantes, mas também o papel da sociedade civil em Guimarães, que é forte. Os tecidos associativo, académico, empresarial, sindical — são tendências que o partido tem vindo a comprometer e a envolver para trazer as melhores propostas e ideias para o desenvolvimento do concelho. E, portanto, tudo a seu tempo. No momento oportuno serão anunciadas essas ideias, essas propostas e os nossos candidatos.

MG: António Castro, ex-vereador da Câmara Municipal de Guimarães, ex-vice-presidente, surge como seu mandatário nesta candidatura. Sente-se confortável? Está ultrapassada a questão judicial em que ele se viu envolvido há três anos?

LS: Eu acho que há muito a tendência de as pessoas rotularem os dirigentes políticos com determinados processos ou casos. E isso é muito injusto. O António Castro é um homem que orgulha muito o PS e os vimaranenses. É curioso que ele costuma dizer que anda pelo Largo do Toural em Ronfe e dificilmente sai de lá. Nas últimas duas semanas andei muito com o António Castro aqui em Guimarães e apesar de deixar a vida política há muito tempo, aquilo que sinto dos vimaranenses é um carinho muito grande pelo António Castro. Pela sua forma de ser assertiva, sincera. Para o António Castro, um sim é um sim, um não é um não. E essa é uma característica muito importante na política, principalmente nos dias de hoje. Revejo-me muito nessa forma de ser e nessa forma de estar, nos princípios e no caráter. E, para mim, foi essa uma das principais razões para escolher o António Castro para meu mandatário, porque simboliza uma geração que fez, aqui em Guimarães, e é isso que queremos continuar: ficar na história com uma marca de uma geração que continuou a fazer.

MG: O PS está no poder há mais de três décadas. Ainda sente motivação e garra dentro do partido para continuar a governar Guimarães?

LS: Como nunca. O desafio do presidente, depois de uma liderança de sucesso de António Magalhães, era o de reinventar o PS. E é curioso que ele ficará já na história de Guimarães como o homem que trouxe um conjunto de marcas, que acrescentam camadas de valor à história do PS e da transformação de Guimarães pelos autarcas do PS. O desafio ambiental, a relação com as empresas e o aprofundamento do desenvolvimento policêntrico do concelho, são marcas de Domingos Bragança. E isso significa que a cada momento somos capazes de encontrar os melhores protagonistas e as propostas e ideias que vão acrescentando valor a Guimarães. E isso é um desafio que nós temos para futuro. Na moção que foi aprovada de forma maioritária, queremos continuar essas marcas, até porque uma delas, o desafio ambiental, é uma marca difícil, mas tem de ser trabalhada. Queremos vencer outros desafios que Guimarães tem hoje, mas que também são desafios para o futuro. E um deles é o desafio demográfico. Guimarães é um território que está entre os 15 maiores concelhos do país, mas há sinais, não só em Guimarães, no país e também na Europa, de um certo envelhecimento. E temos de estar atentos a esse fenómeno. E também, do ponto de vista daquilo que são as políticas públicas a nível nacional, mas também a nível municipal, encontrar soluções que contrariem quer o envelhecimento quer, até, alguma perda de população que o nosso país e Guimarães vêm vivendo. E nós reflectimos muito sobre isso. Estamos e estaremos a construir nos próximos dois anos políticas públicas que possam contrariar essa emergência e estamos confiantes de que, como no passado, seremos bem-sucedidos.

MG: E é Luís Soares quem vai continuar o trabalho de Domingos Bragança?

LS: Dificilmente. Eu tenho procurado responder sempre que o PS precisa de mim. De forma muito clara, aquilo que são os meus objetivos pessoais passam muito pelo trabalho que tenho desenvolvido também a nível nacional, como deputado, não esquecendo a relação de proximidade que tenho de ter com o concelho, mas sobretudo com o distrito e é esse o foco que tenho neste momento.

MG: E que avaliação faz da oposição em Guimarães?

LS: Quem tem de fazer a avaliação são os vimaranenses. E têm-na feito de quatro em quatro anos. Estamos preocupados com o trabalho que temos de fazer. A oposição fará o seu, o PS deseja que a oposição esteja forte. Porque uma oposição forte obriga a quem está no exercício do poder a ser cada vez melhor. Umas vezes contamos com mais ajudas, outra vezes com menos. Estamos, sobretudo, preocupados com o trabalho que temos de desenvolver e esse é o centro da nossa ação.

MG: É presidente da Junta de Freguesia de Caldelas. A freguesia está melhor agora do que estava quando assumiu a presidência?

LS: É uma pergunta difícil. Dizer que sim pode significar algum pretensiosismo da minha parte. E dizer que não poderia significar que não estava satisfeito com o trabalho que estamos a desenvolver. A freguesia de Caldelas viveu, muitos anos, num clima de grande tensão política. E esse foi o primeiro objetivo que quisemos ultrapassar: normalizar o relacionamento institucional entre a junta de freguesia, a câmara municipal, o tecido associativo, a comunidade. E temos feito esse trabalho: envolver as pessoas, trabalhar com as nossas instituições, respeitar quem pensa de forma diferente e acho que, sob esse ponto de vista, a vila respira um ar mais puro. Temos, também, de forma muito gradual, concretizado os objetivos que nos tinham vindo a propor. Primeiro, trabalhar aquilo que é de pormenor: a dimensão ambiental é fundamental, há uma relação umbilical dos taipenses com o seu rio e com o seu património natural. O reconhecimento pela ABAE como a vila ou freguesia mais verde do país foi algo que nos deu um tónico muito importante para o trabalho que ainda nos falta desenvolver. E estivemos a preparar o trabalho que agora queremos iniciar: elaborar os projetos de requalificação do antigo mercado, burilar o trabalho do projeto do centro da vila, da própria alameda Rosas Guimarães. E a nossa convicção é que neste ano, um pouco concentrado e até criando alguns constrangimentos ao dia-a-dia das pessoas, aquilo que os taipenses exigiam, a requalificação do espaço público, vai avançar depois de muitos anos à espera. O balanço que faço é muito positivo e é um trabalho que envolveu a comunidade, de muita proximidade com as pessoas. E agora vamos fazer aquilo que estivemos a trabalhar nestes últimos dois anos: depois dos projetos, depois das especialidades e dos concursos públicos, iniciar as obras que a gente quer ver concluídas.

MG: Isso seria possível se, eventualmente, a junta de freguesia se mantivesse numa cor política diferente da cor política da Câmara Municipal?

LS: Foi sempre possível ao longos dos anos. Nós tivemos, sobretudo com a governança de Domingos Bragança, um conjunto de investimentos na Vila das Taipas que é estruturante. Um deles inaugurado ainda este ano. O investimento da Câmara Municipal, que não era da sua responsabilidade, na EB 2,3 é um investimento de excelência. Atrevo-me a dizer que é uma das melhores escolas do país do 2.º e 3.º ciclo. E isso tem um rosto e um nome. Foi uma opção política de Domingos Bragança, porque quer de facto, e coloca a educação como prioridade da sua ação política. E nós devemos estar satisfeitos. Mas houve outras intervenções que o município levou a cabo na vila e que também, independentemente daquilo que foram as lideranças do passado, aproveitaram aquela vila para que seja extraordinariamente importante no concelho. As escolas, os equipamentos de saúde, os investimentos no património turístico termal: todo o investimento da câmara, mas também do Governo central, fazem jus àquilo que é a importância da vila tem no concelho. Está a faltar uma dimensão para a qual que estamos a trabalhar: a requalificação do espaço público. A última intervenção no espaço público de grande visibilidade aconteceu há mais de 30 anos, com António Magalhães. É importante dar uma nova dinâmica e filosofia à forma como espaço público é tratado na vila das Taipas. O projeto da câmara é um projeto muito interessante, que tinha alguns pormenores que precisavam de ser burilados, que estivemos a fazer nestes últimos dois anos e que está em marcha para o seu início e concretização.

O taipense foi eleito presidente da Junta nas últimas eleições autárquicas © Mais Guimarães

MG: Espera inaugurar a requalificação do centro cívico das Taipas ainda neste mandato?

LS: Faseadamente, sim. Acho que é impossível a execução da obra acontecer toda em simultâneo, porque estamos a falar de um investimento de cerca de 5 milhões de euros e que abrange quase quatro ruas fundamentais da freguesia. O que eu tenho trabalhado com o presidente da câmara é para que a intervenção seja feita de forma faseada. Estou muito convicto de que vamos inaugurar uma parte muito importante dessa obra e se não for concretizada na realidade nos dois anos que faltam de mandato, será concretizada no período imediatamente a seguir e eu estarei lá para inaugurar de certeza.

MG: Para falar de Caldas das Taipas teremos de falar, obviamente, da Cooperativa Turitermas, da qual fez parte. Gostaria de saber se há alguma forma de contornar este investimento que é feito anualmente pelo município, este investimento público, de ser autossuficiente? Há 15 dias foi atribuído um subsídio de 341 mil euros.

LS: A Cooperativa é autossuficiente há muitos anos. A primeira nota que quero deixar é que a cooperativa é do Município de Guimarães, como é A Oficina, a Tempo Livre ou a Turipenha. E todas elas têm vindo a ter investimento do município, porque entende que as suas atividades são merecedoras do apoio e investimento municipal. Por ventura, a Cooperativa Turitermas é aquela que está com maior dívida para com a Câmara Municipal, porque só recentemente é que a câmara começou a transferir verba para a própria cooperativa. O investimento que é feito não é para sustentar a operação da cooperativa, é para garantir a reabilitação do património da cooperativa. Na vila das Taipas, uma das críticas à Câmara Municipal era a de que, por via da cooperativa, deixou degradar o seu património: os Banhos Velhos, as Termas, o Polidesportivo. E é curioso que quando a câmara investe na cooperativa para reabilitar esse património, as mesmas pessoas que até há 20 anos criticavam a câmara por não investir são agora as que criticam por investir. Ora, acho que, no caso da cooperativa Taipas Turitermas, devemos deixar a César o que é de César. Os órgãos de direção têm feito, e bem, a gestão da cooperativa, por isso é que se percebe que a cooperativa tem evoluído de forma muito favorável do ponto de vista dos resultados operacionais que vai apresentando.

MG: E os resultados são positivos?

LS: Os resultados operacionais são positivos há muitos anos. Entre aquilo que a cooperativa gasta e gere, operacionalmente é mais do que autossustentável. É muito difícil para qualquer gestão conseguir suportar aquilo que é a manutenção e o investimento de equipamentos como é o caso do próprio edifício termal ou o próprio Polidesportivo. E nisso o presidente da câmara esteve bem: quando definiu como prioritário reabilitar o património turístico e termal das Taipas, fê-lo pelas Taipas e fê-lo, sobretudo, pelo concelho de Guimarães. E temos de olhar para aquele produto, para aquela vila e para as termas como elemento estruturante da oferta turística de Guimarães. A vila das Taipas é uma experiência diferente. Porque é única no concelho e uma das mais importantes na região e no país.

MG: No exercício das suas funções enquanto deputado da Assembleia da República, tem-se debatido muito pela manutenção do apoio aos tratamentos termais. Como está esse processo no Orçamento do Estado?

LS: Correu muito bem. O PS e eu próprio apresentamos uma proposta de alteração ao orçamento que estendesse o efeito do projeto-piloto que vigorou no ano de 2019 e que permitiu a 7,500 cidadãos beneficiarem da comparticipação dos tratamentos termais. Ou seja, a proposta do Governo da comparticipação dos tratamentos termais, que tinha sido cortada pelo Governo PSD/CDS em 2011, foi reposta em 2019. Com o compromisso de se fazer uma avaliação no final deste projeto-piloto. Aquilo que propusemos ao Governo é que até essa avaliação esteja concluída, o projeto deve manter-se em vigor. E foi isso que conseguimos. Esta é uma dimensão importante para Guimarães, mas também para a região e para o distrito. A grande concentração de instâncias termais dá-se no Norte de Portugal. Esta medida é muito importante para o setor, mas também para territórios com baixa densidade.

Luís Soares na Assembleia da República © Direitos Reservados

MG: A questão da mobilidade também o preocupará relativamente a Caldas das Taipas. Um acesso à autoestrada, a via do AvePark, são alguns dos assuntos que estão em cima da mesa?

LS: A mobilidade acho que é um problema que preocupa todos os cidadãos em Portugal. Muitas vezes faço a viagem de Lisboa para Guimarães e demoro 01h15 a sair de Lisboa, 30 minutos a atravessar o Porto, dez minutos a entrar em Guimarães. Portanto, preocupa-nos a todos. Temos de romper com uma ideia que vigorou nos últimos 40 anos. Aos problemas de mobilidade em geral, e também os técnicos, diga-se, respondiam com mais estradas. A estrada estava saturada, construía-se outra. Havia uma rotunda que estava atolada de trânsito, construía-se outro percurso alternativo. E, portanto, acho que o paradigma está e tem de mudar. Felizmente, aqui em Guimarães, também está a mudar, muito por aquelas que foram as opções políticas do Governo socialista, que colocou a ferrovia novamente na agenda política, com o investimento no programa de apoio na redução de tarifas e preços dos transportes, que é um dos principais obstáculos para que as pessoas os usem. É importante que hoje comecemos a inverter este paradigma. Já não queremos construir mais estradas; queremos construir uma rede de transportes que possa servir a população. E essa deve ser a nossa maior preocupação. Quando fui líder da JS, há quase dez anos, esse foi um dos principais choques que tive dentro do PS em Guimarães. Foi dizer: “O paradigma que nós vivemos até hoje está esgotado. Devemos apostar numa rede de transportes em Guimarães e também no país.” E fico satisfeito por aquilo que há dez anos era visto, se calhar, com alguma incompreensão da parte de alguns dirigentes políticos no município e no país, hoje é vox populi, é consensual. É o caminho que temos de fazer se queremos mais qualidade de vida naquilo que é a mobilidade entre o trabalho, a escola e a nossa casa, mas também do ponto de vista ambiental.

MG: Então a via do AvePark vem fora de tempo?

LS: Acho que essa é uma conclusão factual. A primitiva via do Ave estava inscrita no PIDAC há 20 anos e nunca foi concretizada. Hoje, por força daquilo que foi o investimento do município num parque de ciência e tecnologia, foi possível enquadrar este investimento do governo numa via de quase last mile para ligação ao AvePark. E é a única razão que nos permite construir a via, porque de outra forma nunca seria construída.

MG: Mas imagina construída daqui a quantos anos?

LS: Não posso atirar aqui uma data, não faço ideia. Acredito que a via do AvePark assume um papel importante naquilo que é a dinamização do parque e como alternativa à atual estrada N101, mas fico mais satisfeito se compreender que, para além do trabalho que já está feito para mobilizar orçamento do estado e do município para aquela via, nós temos estratégia e dotação financeira para, no fundo, apostar nos transportes públicos que possam ligar de forma mais eficaz e eficiente a vila das Taipas a Guimarães.

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