MANUEL FERREIRA

Nome completo

Manuel José Pereira Ferreira Pinto Jorge

Nascimento

1965

Pevidém

Profissão

Desenhador Têxtil

Aos 10 anos um acidente atirou-o para uma cama, com o corpo embrulhado em gesso até ao peito, durante três meses. O pequeno Manuel já revelara um gosto e um jeito especial para o desenho, nos primeiros anos de escola. Mas naqueles meses “foi o meu único escape”, afirma. Começou ali mas não se tornou logo num modo de vida. Havia ainda de levar muito tempo até que compreendesse que aquele talento tinha valor e que com ele podia construir um modo de vida. Não quis estudar e o pai determinou que fosse trabalhar. “Andei como serralheiro dois anos, até compreender que aquilo não era para mim e voltei a estudar”. Completado o ensino secundário, ingressou no curso de Desenho Artístico da Cooperativa Árvore, hoje Escola Superior Artística. Finalmente estava no seu meio. A necessidade de fazer dinheiro levou-o aquele que era um dos maiores empregadores da sua terra, a Lameirinho. Nasceu numa casa na fronteira entre Gondar e Pevidém e sente-se igualmente natural das duas freguesias. Muito do seu trabalho artístico está ligado à terra, ao rio, às paisagens naturais e industriais que o cruzamento do rio com as grandes fábricas do presente e do passado cria naqueles lugares. Estas impressões são frequentemente o motivo das criações de Manuel Ferreira. É pintor, mas também faz fotografia que manipula digitalmente para resignificar objetos que podem parecer impossíveis de qualquer outra interpretação além do óbvio. O olhar de Manuel Ferreira dá outra vida a um engenho de puxar água, a uma velha chaminé de tijolo vermelho, a uma ponte de pedra em ruinas, ou muito simplesmente a um portão entreaberto, que não se percebe se limita ou se convida a entrar. Nunca fez da arte um modo de vida. “O desenho têxtil foi sempre a minha profissão”, diz, referindo-se de forma pragmática à necessidade de se sustentar. “ A arte em Portugal é para uma elite que, bem colocados, conseguem as exposições os financiamentos e o dinheiro”, diz isto e deixa transparecer alguma mágoa. O artista reapareceu há pouco tempo depois de uma hibernação desde 2007. De 1987 a 1999, há uma sucessão de apresentações do trabalho, em exposições individuais e coletivas. Depois disso, a parte pública do trabalho do artista pára, para só voltar a aparecer entre 2007 e 2009. Dai para cá, Manuel Ferreira voltou a remeter-se a um certo isolamento que confessa propositado, por desilusão com o meio artístico. Ainda assim trabalhou sempre, embora não lhe chame trabalho. “É assim que ocupo os meus tempos livres”, diz referindo-se à pintura e à fotografia. “Agora que não tenho companheira resta-me mais tempo, por isso, produzo mais”. Manuel Ferreira tem um filho com 26 anos, que mora em Paris, e uma filha de 10 anos, de outro relacionamento. Afirma que não parte para Paris, onde julga que teria outras oportunidades de fazer valer a sua arte, porque quer acompanhar a filha mais alguns anos, “Depois nunca se sabe”, confessa. Por agora prepara uma exposição em Pevidém, no próximo mês de setembro, com imagens da região. Tem tantas que diríamos que já bastam, mas o artista procura sempre alguma coisa mais além e assim é Manuel Ferreira. A terra tem já a sua marca no logotipo que é usado pela vila. Lá estão a roda dentada e a fábrica a revelar do que é feita aquela terra, desenhadas pelo Manuel Ferreira. Também a imagem da Academia de Música Albano Coelho Lima, no centro da vila, saiu da mão do artista. Meia dúzia de traços que captaram a expressão do comendador e o imortalizaram de uma forma tão simples, quanto bela.

Por: Rui Dias

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