MAURO FERNANDES

Nome completo

Mauro Fernandes

Nascimento

28 de fevereiro de 1975

Angola

Profissão

Técnico de informática / Organizador de eventos

Nasceu em Angola, em 1975, ano em que o país conseguiu finalmente a independência. Ali viveu até 1985, apenas com um de interrupção, quando aos cinco anos de idade veio pela primeira vez a Guimarães.

Mauro Fernandes cresceu muito ligado à natureza, em Angola, o que ajudou a criar laços fortes que ainda hoje os mantém. Por influência da educação, ia habitualmente para o mato, passeava de jipe, fazia caça submarina e até mergulho. “Era algo que tinha como inato”. Estes foram os anos mais felizes da sua vida, aproveitava para disfrutar ao máximo de cada momento, era algo enraizado naquela cultura. No entanto, a situação em Angola era tudo menos pacífica. Decorria o ano de 1980 quando Mauro Fernandes visitou pela primeira vez Guimarães. Tinha cinco anos e veio de Angola para viver em casa de duas tias e avós. Chegava de um clima de guerra, o que acabou por influenciar significativamente a sua personalidade, especialmente na juventude. “Para mim foi excelente vir a Guimarães, apesar de também ser um ambiente controlado, estava longe da violência e criei relações fortes com os meus primos”.

Vir definitivamente para Portugal foi uma das razões que levou o seu pai a interromper a sua ligação a Angola e a regressar também a terras lusitanas, aliado à detrioração dos valores da sociedade angolana, o que chocou claramente com os seus ideais. A tarefa acabou por não ser fácil, pois um militar do Estado não conseguia sair de Angola de qualquer forma. Os primeiros anos foram complicados para a família, apesar dos bons alicerces familiares, pois as realidades eram incomparáveis. A adaptação escolar foi fácil, fruto de ter professores na família, mas as amizades na escola não eram muitas. “Sou muito exigente nas minhas amizades, porque o meu conceito de um grande amigo é diferente da maioria”.

Depois de em 1985 ter-se estabelecido em Guimarães, nunca mais voltou a Angola, apesar das inúmeras oportunidades. “Não quero perder a imagem do que tinha. Não quero ficar com uma má imagem de Angola. Eu não conseguiria viver numa sociedade completamente corrompida”.

Pelas influências do pai, procura sempre mais do que criticar, intervir. “Faço questão de ter uma intervenção cívica em todos os assuntos que critico”, explica. Mauro faz questão de marcar a diferença de forma a sustentar as suas ideias e teorias. Em Guimarães procurou sempre distanciar-se dos benefícios políticos: “o meu maior conflito é perceber se há alguma coisa por trás, quando é assim, afasto-me”.

João Miguel Fernandes, avô paterno de Mauro, foi a pessoa que mais o marcou ao longo da sua vida. Duas vezes por ano e desde muito cedo, deslocava-se até Vilar de Perdizes, onde aproveitava para conviver com uma pessoa “perfeita”, fruto da sua sensatez. Pelo menos é assim que Mauro e os amigos e conhecidos o caracterizam. “O que marca a minha infância são as derivas para fins de semana e férias em Vilar de Perdizes”. Ali encontrou uma referência para a sua educação, mas só notou isso aquando do falecimento do seu avô. Fruto da sua calma e sensatez, foi como um ponto de equilíbrio na agitada adolescência de Mauro.

Com o avô, guarda de fronteira, passeava pelos trilhos de contrabando. Os guardas eram quase todos corruptos, mas o seu avô não. Apesar de tudo nunca prendeu ninguém: “era uma pessoa justa e muito cedo percebeu que aquilo era contrabando de sobrevivência”.

Os mesmos trillhos que outrora percorreu de mão dada com o avô, são agora palco de corridas de trail que organiza, sempre com uma forte componente cultural, de forma a dar a conhecer a história daquela rica região.

Por: Luís Freitas

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