Mercado de Transferências| Vitória SC revela todas as contas com o Portal da Transparência
Saída de Saviolo deixou 3,94 milhões de euros em comissão e encargos, mais do que os 2,345 milhões gastos em entradas. No conjunto das quatro vendas com valor, cerca de 7 milhões não chegam ao clube.

@ Vitória SC
O Portal da Transparência do Vitória, lançado esta quarta-feira, permite olhar para o mercado de Verão por um ângulo menos habitual: não só quanto entrou e saiu, mas para onde vai o dinheiro pelo caminho. E a conclusão é que as verbas que ficam em intermediários, em mecanismos de solidariedade e em terceiros são mais do que o clube gastou a contratar. Só na venda de Noah Saviolo para o Trabzonspor, a comissão de representação (1.974.875 euros) e os outros encargos a terceiros (1.966.500 euros) somam 3.941.375 euros, acima dos 2,345 milhões de euros investidos em todas as entradas com valor fixo ou de intermediação divulgado. O documento é uma lista única da SAD e não distingue a equipa principal da equipa B nem os escalões de formação, pelo que os números incluem todos os movimentos registados.

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Noah Saviolo foi a venda mais cara do Verão, mas só 61% do valor fixo chega ao clube.
Saviolo saiu por 11,5 milhões de euros fixos, mas descontam-se 575 mil euros do mecanismo de solidariedade, o que deixa ao clube 6.983.625 euros, cerca de 61% do total. A comissão de representação está ligada a Jorge Mendes (Gestifute), e o documento refere também a revogação de um contrato de representação com Aykut Mutlu (EMG). O Vitória fica com 20% da mais-valia de uma futura transferência do jogador, e o LOSC Lille tem direito a 10% do valor desta transferência.
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Diogo Sousa foi a venda que mais rendeu ao clube em termos líquidos: 8,64 milhões de euros.
É Diogo Sousa quem mais rende, com 8.644.607 euros líquidos. O Strasbourg pagou 11 milhões de euros fixos, e o acordo prevê uma contrapartida adicional até 4 milhões, dependente do cumprimento de condições contratuais. Do valor fixo saem 550 mil euros de solidariedade e 1.805.393 euros de comissão, com Pedro Mendes (MNM) e Jorge Mendes (Gestifute), e o Vitória fica com 10% do valor líquido de uma futura venda. Os dois negócios estão registados na época 25/26, Sousa em maio e Saviolo em junho, mas constam do portal deste mercado.
Somadas, as quatro vendas com valor fixo dão 23.122.100 euros. Desse total saem 1.156.105 euros de solidariedade, 3.891.893 euros de comissões de representação e os 1.966.500 euros de encargos de Saviolo, num desconto global de 7.014.498 euros. A receita líquida fica em 16.107.602 euros. Os outros dois negócios são mais pequenos. Dieu Merci Ndembo foi para o United FC por 500 mil euros e rendeu 363.375 euros líquidos, depois de 25 mil euros de solidariedade e de 111.625 euros de comissões a Nedal Huoseh (ATG Sports Management) e a Freddy Alberic Tohouri (TSCI Football Management). Orest Lebedenko foi para o Arouca por 122.100 euros, dos quais 115.995 líquidos.

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Portal da Transparência do Vitória detalha valores fixos, comissões e vendas líquidas.
O que o Vitória deixa de receber agora pode voltar no futuro, e o portal mostra que o clube negociou várias dessas proteções. Além dos 20% da mais-valia de Saviolo e dos 10% sobre Sousa e Ndembo, mantém 50% dos direitos económicos de Lebedenko, de Hugo Zagal Nunes (AAC-OAF) e de Vando Félix (SCUT). No caso de Vando, recebe ainda 100 mil euros se o SCUT subir à 1.ª Liga e o jogador participar em pelo menos metade dos jogos. Houve duas rescisões, de Rodrigo Abascal e Charles, e o Leiria tem opção de aquisição sobre 50% dos direitos económicos de Miguel Nóbrega, caso suba à 1.ª Liga. O Atert Bissen fica com 10% do valor líquido de uma futura venda de Miguel Vaz, se este for vendido até 30 de agosto de 2027.
Do lado das contratações, o investimento é bem mais discreto, e muito repartido. Victor Andersson custou 700 mil euros ao AIK, e Arnel Jakupovic 600 mil ao Osijek. Yeimar, do Aston Villa, custou 250 mil, Sander Dahle, do Viking, 40 mil, e Franck Kone, do Benfica Campus Côte d’Ivoire, 25 mil euros por 90% do passe. Somam-se 330 mil euros do empréstimo de Toni Borevkovic, do Samsunspor, e 400 mil euros de intermediação na entrada de Alan Guimarães, pagos a Miguel Rúben Macedo Pinto (MRP Positionumber). Alan é o único caso em que o portal quantifica uma comissão de entrada e surge sem valor fixo nem clube de origem.

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Andersson, contratado ao AIK por 700 mil euros, é a entrada mais cara com valor divulgado.
Das 14 entradas definitivas, só cinco têm valor fixo divulgado. Lohann Doucet (Paris FC), Vignon Ouotro, Babacar Tendeng (Villarreal), Amadou Koita (Académie Foot. Darou Salam), Gonçalo Braga, João Pereira, Rodrigo Macedo e Umechi Akuazaoku aparecem sem valor. O portal identifica, contudo, vários intermediários sem indicar o que receberam, como Jonathan Maarek (SAS Classico Sports Management), em Ouotro, ou Guillaume Sola (Mfoot), em Doucet. A Sportsbloom, de Diogo Nuno Correia Henriques, está por trás das entradas de Gonçalo Braga e de Rodrigo Macedo.
Também nas entradas há cláusulas de futura venda, mas em sentido contrário. O Villarreal fica com 45% do valor de uma futura transferência de Tendeng, sem referência a desconto de encargos. O Osijek tem direito a 30% do valor líquido da de Jakupovic, o Aston Villa a 25% da de Yeimar e a Académie Foot. Darou Salam a 15% da de Koita, enquanto o AIK, o Viking e o Benfica Campus ficam com 10% cada, em Andersson, Dahle e Kone. O Paris FC reserva para Doucet um bónus de 350 mil euros numa futura transferência, acrescido de 25% do valor líquido. Koita obriga o Vitória a pagar mais 300 mil euros se o contrato, que termina em 2027, for renovado, e Kone tem opção de renovação por duas épocas. Os vínculos mais longos são os de Dahle, até 2031, e de Yeimar, Andersson, Ouotro e Tendeng, até 2030.

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Sidibé chega por empréstimo do Venezia, com opção de compra de 3,7 milhões de euros.
Nos empréstimos de entrada, o maior número do documento é a opção de compra de 3,7 milhões de euros por Ahmed Franck Sidibé, do Venezia. Se for exercida, o clube italiano fica com 10% do valor líquido de uma futura transferência. Borevkovic tem opção de compra de 500 mil euros e Mohammed Zinedine Kebdani, do ASFAR, uma opção sobre 70% dos direitos económicos por 250 mil. Oliwier Zych chega do Aston Villa sem custo fixo, e o Vitória terá direito a 20% do valor líquido se o clube inglês o transferir no mercado de inverno ou de verão de 2027.
Nas cedências por empréstimo, Tiago Silva rendeu 12.210 euros ao Trofense e Afonso Costa 7.500 ao Santarém. O portal regista ainda onze primeiros contratos profissionais e dezoito outras saídas, estas apenas com os nomes, sem qualquer detalhe financeiro. Incluindo as duas cedências, a receita bruta sobe para cerca de 23,14 milhões de euros.
Portal da Transparência: https://transparencia.vitoriasc.pt/compromisso





