Metrobus: PS fala em erro estratégico e executivo diz que aposta foi validada pelos eleitores
O projeto do Metrobus (BRT) para a ligação entre Guimarães e a vila de Caldas das Taipas voltou a dominar o debate político na reunião do executivo municipal, com o vereador do Partido Socialista, Ricardo Costa, a reiterar que se trata de “uma má solução” para o concelho e o presidente da Câmara, Ricardo Araújo, a reafirmar o compromisso de avançar com o projeto, garantindo que o estudo prévio deverá estar concluído num prazo de seis a oito meses.

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Convicto de que o BRT não responde às necessidades estruturais do território, Ricardo Costa alertou para os impactos que o traçado, maioritariamente coincidente com a Estrada Nacional 101, poderá ter na mobilidade. “Estamos a falar de uma estrada que já hoje não tem fluidez. Mesmo com via exclusiva, os semáforos vão continuar a condicionar o trânsito”, afirmou, defendendo que a opção pelo Metrobus irá “densificar negativamente” a EN 101.
O socialista voltou a sublinhar que a solução estratégica passa pela ferrovia, apontando a ligação Guimarães – Braga como essencial para o desenvolvimento regional. “Se conseguíssemos fechar Guimarães a Braga através do Plano Ferroviário Nacional, não passaríamos ao lado do desenvolvimento. Isto iria transformar significativamente a mobilidade regional”, afirmou, acrescentando que “não podemos passar ao lado, caso contrário será um problema para os próximos 100 anos de Guimarães”.
Outro dos pontos destacados por Ricardo Costa foi a questão do financiamento, considerando existir uma mudança de discurso por parte do Governo. “A 7 de outubro foi dito que o financiamento estava garantido. A 13 de janeiro, pelo Ministro Miguel Pinto Luz, ouvimos que ainda ia ser procurado. Isto levanta dúvidas e falta de clareza”, afirmou, em declarações aos jornalistas após a reunião, lembrando que o anúncio inicial foi feito poucos dias antes das eleições autárquicas de 12 de outubro.
Em resposta às críticas, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães sublinhou que o Metrobus foi uma proposta amplamente discutida durante a campanha eleitoral e validada pelos eleitores. “O que me move neste momento é cumprir com aquilo com que me comprometi com os vimaranenses”, afirmou Ricardo Araújo, rejeitando a ideia de que o executivo esteja a recuar no projeto.
O autarca defendeu o BRT como uma solução “mais rápida de executar, financeiramente mais vantajosa e tecnicamente mais simples” do que outras alternativas, assegurando que o sistema irá funcionar num canal próprio. “Ele não pode nem deve prejudicar o trânsito automóvel. A via tem de ser dedicada e exclusiva para garantir a fiabilidade e o cumprimento dos horários”, sublinhou.
Sobre o estado do projeto, Ricardo Araújo explicou que, depois da apresentação da versão preliminar, a Câmara irá avançar para o estudo prévio. “Estamos a falar de um trabalho que demorará seis a oito meses a ficar concluído”, referiu. O presidente admitiu ainda a necessidade de ajustes ao traçado inicialmente previsto, sobretudo em zonas de estrangulamento. “Há locais onde é preciso conjugar o canal dedicado do Metrobus com a manutenção da circulação rodoviária. A solução inicial não respondia totalmente a essa necessidade”, afirmou.
Ricardo Araújo destacou também como positiva a decisão da Câmara Municipal de Braga de priorizar a ligação BRT a Guimarães em detrimento da construção da linha vermelha no centro da cidade. “É uma boa notícia para Guimarães, porque antecipa a ligação em metrobus até Braga e à alta velocidade”, disse, acrescentando que o município já assumiu o compromisso de assegurar a ligação até às Taipas e ao AvePark, projeto apresentado na presença do Ministro das Infraestruturas e Habitação, em Guimarães, a 13 de janeiro.
Apesar das garantias políticas, o presidente da Câmara admitiu que o município só ficará plenamente seguro quando existir um compromisso formal e escrito quanto ao financiamento estatal. “Acredito no projeto e quero ficar politicamente ligado à sua concretização”, concluiu Ricardo Araújo.





