MIP assinala em Guimarães os 883 anos da Conferência de Zamora

O Movimento Independência Portugal (MIP) vai assinalar, no próximo dia 5 de outubro, em Guimarães, os 883 anos da Conferência de Zamora, numa cerimónia junto à estátua de D. Afonso Henriques.

@ Mais Guimarães

A iniciativa decorre no âmbito das comemorações do Dia da Implantação da República e pretende, segundo o MIP, evocar a Conferência de Zamora, realizada em 1143 entre D. Afonso Henriques e Afonso VII de Leão e Castela, e a afirmação política do primeiro rei português. A Conferência de Zamora, realizada nos dias 4 e 5 de outubro de 1143, é apontada por parte da historiografia como um momento importante no processo de formação e afirmação do Reino de Portugal. As condições exatas do acordo alcançado não são conhecidas, mas fontes históricas referem o reconhecimento do título de rei a D. Afonso Henriques.

O MIP associa este momento ao reconhecimento da independência portuguesa e pretende, com a cerimónia, promover uma reflexão sobre a independência nacional, a soberania e o posicionamento de Portugal no atual contexto geopolítico. A sessão terá uma duração prevista de cerca de uma hora e começa com a abertura e introdução à cerimónia, seguindo-se uma oração pelo padre Henrique dos Santos Ribeiro e um minuto de silêncio em memória daqueles que morreram em defesa de Portugal.

O programa inclui depois duas intervenções. O escritor Jorge Castela falará sobre “Portugal e a visão geopolítica”, enquanto o presidente do Movimento Independência Portugal, Gonçalo Sequeira Braga, abordará o tema “Portugal e a visão da Independência”. A cerimónia termina com a deposição de uma coroa de flores junto à estátua de D. Afonso Henriques e a entoação do Hino Nacional.

Segundo a organização, foram convidadas entidades oficiais e representantes dos partidos políticos, sem distinção, além de cidadãos de diferentes áreas profissionais e da sociedade civil.

O MIP afirma que pretende aproveitar a evocação de 1143 para colocar em debate questões relacionadas com a independência nacional e a soberania portuguesa. A interpretação histórica da Conferência de Zamora como momento fundador da independência portuguesa não é, contudo, consensual em todos os seus aspetos. Há autores que destacam 1143 como um marco decisivo no reconhecimento da realeza de D. Afonso Henriques e da autonomia portuguesa, enquanto outras interpretações sublinham o processo mais prolongado que conduziu ao reconhecimento pleno da independência, incluindo a relação com a Santa Sé e a bula Manifestis Probatum, de 1179.

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