MIÚDOS E GRAÚDOS FORMARAM UMA ESPÉCIE DE SERPENTE COLORIDA, QUE PERCORREU AS RUAS DA CIDADE

O Carnaval Intergeracional encheu as ruas de Guimarães de cor. Num evento que privilegia a comunhão entre gerações, os participantes realçam a importância destes eventos para que os idosos “não se sintam tão idosos” .

©Mais Guimarães

Se uma câmara fotográfica trepasse sacadas e telhados e conseguisse uma fotografia aérea do coração da cidade de Guimarães, veria uma espécie de serpente colorida, com centenas de metros de comprimento, a pintar os arruamentos estreitos do centro histórico. O serpentear tinha o Largo do Toural como destino e, se nos acercássemos, veríamos que era composta por miúdos e graúdos, que saíram à rua para um dia diferente.

Na cauda dessa serpente ia a Castreja – Cooperativa de Apoio Social e Cultural, que chamava atenção pela indumentária. Rosa Silva, 63 anos, já é experiente na matéria e não se importa de enumerar alguns dos disfarces usados pela cooperativa: “Há sete anos que participo. No ano passado viemos de toalhão de banho, há três anos viemos de calça à cagão, já viemos de pijama e este ano viemos de bebés”.

Explicar o apelo deste desfile é simples. Para Rosa, “é um dia diferente, de liberdade, de divertimento”, que acaba por contribuir para trazer duas gerações para a rua — trata-se, afinal de contas, de um “Carnaval Intergeracional” — e esse “convívio” que resulta da junção “entre crianças e idosos”.

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Quebrar a rotina com cor e música

A Castreja foi apenas uma das 35 instituições que participaram no evento, que contou com a colaboração de Instituições Particulares de Solidariedade Social, de Apoio a Idosos e Crianças do Concelho, bem como projetos sociais. Os participantes iam saindo do Largo Cónego José Maria Gomes (o local da concentração), seguiam pela Rua Santa Maria, atravessaram o Largo da Oliveira — onde o desfile começou a ser ladeado por curiosos de smartphone em riste — , seguiu pela Rua Alfredo Guimarães, para chegar à Alameda S. Dâmaso e, finalmente, desaguar no Largo do Toural.

Depois da caminhada, José Coelho, voluntário em Briteiros, e Cacilda Ramos vão trocando impressões. Ambos concordam que iniciativas como o “Carnaval Intergeracional” são um instrumento importante para quebrar rotinas. “São eventos que se devem repetir, tira os idosos de um ambiente solitário, para um mais festivo. No fundo, ajuda-os a não se sentirem tão idosos”, ressalva José Coelho. Cacilda complementa: “Nestes dias, as pessoas lembram-se dos mais velhos, das pessoas que ensinam os mais novos que também desfilaram”. Para a voluntária, o convívio com os mais novos e um passeio ao som de música festiva é um bom remédio “para não ficarem a viver na solidão”.

A comunhão entre as diferentes gerações foi sublinhada pela vice-presidente do Município, Adelina Pinto: “A prioridade de Guimarães são as pessoas”, assinalando este evento como “um momento de diversão e de partilha” com realce para o colorido e animação produzida no espaço público.

A Vereadora da Ação Social, Paula Oliveira, fez questão de agradecer o “empenho e trabalho” das instituições e voluntários, enaltecendo a colaboração da Rede Social “num momento de alegria” que entende “deve ser preservado e cultivado no âmbito de uma vida ativa”. Sublinhou ainda que “este evento permite a união que é também uma forma de ajudar a combater a solidão, promover o envelhecimento ativo e manter viva a tradição”.

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