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MORADORES PREOCUPADOS COM A REMOÇÃO DE AMIANTO NAS OFICINAS MUNICIPAIS

No decorrer da depressão Elsa, o telhado das Oficinas Municipais cedeu e a presença de amianto está a preocupar os moradores da Rua das Lameiras, em Polvoreira. Autarquia é arrendatária do edifício e garante que o trabalho de remoção está a ser realizado por uma empresa certificada, contratada pelo proprietário do espaço.

©  Direitos Reservados

Uma empresa privada estará a proceder a remoção de amianto do telhado das Oficinas Municipais, localizadas em Polvoreira. O telhado cedeu, no decorrer da depressão Elsa, na última madrugada, e estaria localizado na área onde estão albergadas as oficinas municipais, armazém de trânsito e os veículos abandonados.

Sofia Ferreira, vereadora responsável pela área da Proteção Civil e Ambiente, recordou ao Mais Guimarães que a autarquia é arrendatária do espaço. Nesse sentido, na sequência do sucedido, os Bombeiros e a Proteção Civil tomaram conta da ocorrência e informaram o dirigente dos serviços municipais, que no imediato contactou a empresa proprietária, que deu início às diligências necessárias. “No dia 19, o proprietário deu início aos trabalhos de limpeza, após ter tomado as diligências legais junto da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT). Estamos a falar de um processo de eliminação de resíduos em fibrocimento e esses trabalhos são executados por uma empresa certificada”, assegurou.

Na sequência da destruição do telhado, vários serviços sofreram alterações, segundo Sofia Ferreira. “Fruto da intervenção em curso, tivemos que tomar medidas e procurar alternativas, cumprindo todas as orientações da empresa”, assegura.

Ao Mais Guimarães, Carlos Oliveira, presidente da Junta de Freguesia de Polvoreira, explicou que este é “um assunto particular”, porque está a ser tratado por uma empresa privada. Carlos Oliveira ressalva que a Junta está atenta e preocupada com o sucedido. “A empresa é certificada e tenho certeza que cumpre com as garantias da lei”, assegurou. Ainda assim, Carlos Oliveira lembra que existem “mais indústrias e habitações com amianto”.

Apesar disso, segundo o morador Carlos Gomes, presidente da assembleia geral da associação de defesa do ambiente Questão Eleita, a Proteção Civil esteve, esta quinta-feira de manhã, junto dos moradores para falar acerca dos estragos que poderão ter ocorrido nas casas, porém, em relação à segurança, nada terá sido dito.  “O teto constituído por amianto foi todo destruído e as fibras, naturalmente, devem andar à solta. Os trabalhadores que estão em contacto direto, a remover o amianto, estão devidamente protegidos com máscaras, enquanto os moradores e outros trabalhadores entram e saem das Oficinas sem proteção. Não há sinalização do que está a ocorrer”, lamentou.

Aos moradores terá sido dito apenas que evitassem sair de casa, para que não inalassem as fibras. “Não houve uma divulgação do processo por parte entidades competentes. Quando começaram os trabalhos de remoção começaram a bater as portas das casas para as pessoas não saírem de casa. Naturalmente assustou-nos”, relata Carlos Gomes. Questionada sobre os alertas, Sofia Ferreira afirma que a questão terá que ser dirigida ao proprietário do edifício. “Enquanto arrendatária, a autarquia foi seguindo os procedimentos dados pela empresa”, conta.

O morador acusa as entidades competentes de não estarem a informar devidamente as populações e considera que o transporte deveria ser condicionado na zona. “O amianto tem que ser removido em caixas de dupla parede. Tem que haver um correto condicionamento do material”, afirma.

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Também membro da associação Questão Eleita, Paula Magalhães, apesar de não ter estado presente no local, garante que ter recebido “vários pedidos de ajuda”, já que os moradores estão “preocupados” com a cobertura das instalações das oficinas. “A população não foi informada que o material era amianto”, avisa.

Paula Magalhães relata, igualmente, que os moradores observaram trabalhadores com equipamento de proteção (fatos e máscaras) e a circulação de carrinhas de remoção de amianto, e daí terem percebido o sucedido. “As equipas andavam a recolher os pedaços que se tinham espalhado pelo espaço das oficinas”, assegura. A responsável refere que, à medida que foram apercebendo da gravidade da situação, os moradores contactaram instituições possíveis como a Junta de Freguesia, Câmara Municipal, Bombeiros, Proteção Civil, PSP, Polícia Municipal, PSP e não terão recebido resposta. “Aquilo que a população se queixa é que não foi feita qualquer ação de proteção”, lamenta.

Por volta das 04h00 da manhã, segundo Carlos Gomes, ouviu-se um “estrondo grande”, devido ao levantamento do telhado e também devido ao levantamento de um posto de abastecimento de viaturas. O depósito que não era subterrâneo foi arrancado.

A Associação de Empresas Portuguesas de Remoção de Amianto (AEPRA) explicou, ao Mais Guimarães, que “o risco é o mesmo” com as placas “que estão no chão” como “com as que estarão na cobertura”. Contudo, a AEPRA aponta que não se deve “dramatizar” a situação: “As placas caíram e houve uma quantidade maior de fibras libertadas, mas já dispersaram. Agora, é esperar que ocorra a remoção. Tem de ser tudo calculado e as pessoas que estão a fazer a remoção têm de cumprir a legislação. E, depois, o reencaminhamento dos próprios resíduos.” Quanto à propagação de amianto nos solos ou na água, a mesma fonte indica que é “inevitável” que ocorra, mas esclarece que “as fibras só serão prejudiciais se forem inaladas”, pelo menos segundo a Organização Mundial de Saúde. De acordo com a Direção-Geral de Saúde (DGS), “regra geral, a presença de amianto em materiais de construção representa um baixo risco para a saúde, desde que o material esteja em bom estado de conservação, não seja friável e não esteja sujeito a agressões diretas”. Quando ocorre algo como a cedência do material, “o risco de libertação de fibras para o ar” aumenta “substancialmente”.

[Notícia atualizada às 17h39, com as declarações da vereadora Sofia Ferreira]

Com Nuno Rafael Gomes

1 Comentário
  1. ANTONIO SIMOES 5 meses atrás

    Gostaria que a Sra. Veriadora Sofia Ferreira se inteira-se um pouco mais na avalição de riscos e os danos que podem levar a propagação das fibras de amianto.
    O representante associativo e com muita razão relatou o facto de que os residuos deveriam de ser integrados em dupla proteção. É verdade!, mas o pior de tudo a dita empresa certificada como diz a Sra Vereadora Sofia Ferreira, não ofereceu o minimo de requisitos na proteção dos seus trabalhadores, utilizando mascaras descartaveis interditas na area da remoção, fatos descartaveis sem serem fechados, entre muitos outros crimes, expondo seus proprios trabalhadores a cobaias do amianto “veremos daqui algum tempo…”

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