“MORCEGOS ÀS CLARAS”, UMA EXPOSIÇÃO PARA MOSTRAR A IMPORTÂNCIA DESTES PEQUENOS MAMÍFEROS

Estão bem presentes no nosso imaginário, mas sabemos pouco sobre eles. A exposição “Morcegos às claras” quer desmistificar ideias preconcebidas acerca dos pequenos mamíferos voadores e desvendar alguns factos sobre eles.

Exposição chegou a Guimarães esta segunda-feira e vai estar na cidade-berço até 18 de março. © Direitos Reservados

Preenchem a nossa imaginação há séculos. Há quem os associe à escuridão, ao abandono e ao medo. São, ainda, um prenúncio de morte e doença. Esta imagem negativa prejudica-os e, por isso, o Centro de Ciência Viva de Guimarães vai ser casa da exposição “Morcegos às Claras”, para mostrar a importância destes pequenos mamíferos voadores. “Há um desconhecimento acerca do perigo de extinção, mas também em relação à importância que têm no ecossistema”, explica a directora do Centro de Ciência Viva do Alviela, Paula Robalo. Foi a partir deste desfasamento entre percepção e realidade que, em Alcanena, o Centro de Ciência local produziu a exposição interactiva.

Foi inaugurada em 2017. Desde então tem estado em itinerância, saltando de Centro em Centro. Chegou a Guimarães nesta segunda-feira e vai estar na cidade-berço até 18 de março e é bem-vinda. “Os morcegos são um grupo faunístico pouco conhecido por causa dos hábitos noturnos, mas importante por causa dos hábitos alimentares. Alimentam-se de insetos, que podem ser pragas agrícolas, equilibrando os ecossistemas”, resume Daniel Ferreira, do Centro de Ciência Viva de Guimarães. Na ótica do monitor científico, a exposição é importante porque contribui para a sensibilização das pessoas – “quanto mais conhecimento temos de uma coisa, menos preconceitos temos acerca da mesma”; e por se focar na “desmistificação do imaginário negativo” que acaba por poluir as conceções que fabricamos acerca destes mamíferos. Esta exposição quer transmitir a ideia que os morcegos “são mamíferos como os outros” e “que devem ser conservados”.

Grutas, ruínas e extinção

No entender de Paula Robalo é de extrema importância alertar para o facto de algumas espécies destes mamíferos estarem, atualmente, ameaçadas. Existem cerca de 1200 espécies de morcegos no mundo. Portugal tem 27 espécies, que representam 40% dos mamíferos do nosso país. 11 dessas espécies estão ameaçadas e a actividade humana é a causa principal. E combater alguma desinformação acerca da vida e papel destes pequenos mamíferos pode ser um passo importante para mitigar os estragos. E pode ter nos mais jovens um aliado. Na exposição Quiroptário, no Centro de Ciência Viva do Alviela, a diretora aponta para o “encanto dos miúdos com os morcegos”: “Há mais misticismo por parte dos adultos, há quem ainda olhe para os morcegos como sendo ratos com asas, símbolos de mau presságio. Acaba por ser muito engraçado”.

Direcionada aos mais novos, há informação útil para todas as faixas etárias. Daniel Ferreira lembra que esta não é a primeira atividade que se debruça sobre morcegos no Centro de Guimarães. Já foram organizadas atividades de “sensibilização ambiental”, como percursos de observação de morcegos. Para Daniel, “a curiosidade existe nos pais e nos filhos”, mas mesmo que os mais graúdos apresentem “um imaginário mais vincado”, quando são confrontados com os fatos “são sensíveis a isso”. Não é difícil chegar às crianças, já que há “muitas referências na televisão e até um super-herói (Batman)”.

A exposição está dividida em quatro áreas. © Centro de Ciência Viva de Guimarães

Os morcegos que sobrevoam a cidade

Cartografar a a atual distribuição das espécies de morcegos em Portugal é uma tarefa complicada. Foi esse um dos desafios do Atlas dos Morcegos, do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, mas ainda não há uma amostragem para todas as regiões do país. Mesmo sem um inventário para Guimarães, há espécies, por preferirem ambientes urbanos estão mais presentes na cidade. Em Guimarães, no centro urbano, na zona de Couros ou perto da Câmara Municipal o encontro com morcegos pode dar-se com alguma frequência. Nesta área, o morcego-anão e o morcego-pigmeu são predominantes.

Quatro módulos para descobrir

A exposição está dividida em quatro áreas: “Todos ao molho”, que explora a vida de um morcego, mostrando o lado mais social destes mamíferos; “Morcegos à séria”, uma área onde os visitantes podem mexer num morcego, sentir a sua pelagem, tamanho e peso; “Eu, morcego”, uma área que desmistifica várias questões sobre os morcegos: São cegos? São ratos com asas ou mesmo vampiros misteriosos?; e “Assim não dá!”, para responder a questões como: “Quantos morcegos existem no mundo, na Europa, em Portugal, no Minho?”, “quantos estão ameaçados?”. No fim, há um jogo: o “Salva os morcegos”,que é, no fundo, uma missão que consiste em eliminar as ameaças e salvar os morcegos. A visita à exposição “Morcegos às Claras” é gratuita no horário de funcionamento do Curtir Ciência – Centro Ciência Viva de Guimarães: de segunda a sexta, das 10:00 às 18:00 horas; e sábados das 11:00 às 19:00. Está em exposição até ao dia 18 de março.

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