Morrer em Guimarães em 2020

No último mês de julho morreram, em Portugal, 10 423 pessoas, o valor mais alto dos últimos 12 anos, em 2019, no mesmo mês, tinham morrido 8 253 pessoas, um pouco mais  que em 2018, em que faleceram 8 015. Em Guimarães no mesmo mês morreram 91 pessoas, ou seja, mais 18 pessoas que no ano de 2019, um número que ultrapassa a média dos últimos cinco anos em 25 óbitos.

Apesar do aumento do número de falecimentos em Julho, no concelho de Guimarães, o número de mortes no total do ano está muito próximo de anos anteriores. Em 2019 morreram no concelho, até 31 de julho, 753 pessoas, em 2019 foram registados, no mesmo período, 752 falecimentos e, em 2018, 754. Segundo dados do ACES do Alto Ave, morreram em Guimarães, até 12 de julho, 24 pessoas. Sem os óbitos devidos à covid-19, este ano contabilizam-se 729 falecimentos no concelho, menos 23 que no ano anterior.

Do total de mortes em Portugal, no mês de julho, só 1,5 % pode ser explicado pela covid-19. Uma vez que neste período, segundo a Direção Geral de Saúde morreram, devido à covid, 159 portugueses. Nem a Direção Geral de Saúde nem o ACES do Alto Ave disponibilizam informações sobre a mortalidade por mês/concelho, pelo que, não é possível saber quantos destes 91 óbitos foram vítimas da pandemia. O que é certo é que o concelho de Guimarães acompanhou a tendência nacional para uma subida do número de falecimentos em julho passado, porém, apesar da pandemia, no total do ano o número de falecimentos no concelho é muito semelhante aos dois anos anteriores.

Um aumento da mortalidade, em julho passado, é verificável também quando passamos a analisar o ACES do Alto Ave. No Agrupamento de Centros de Saúde que reúne Guimarães, Vizela, Fafe, Cabeceiras de Basto e Mondim de Basto, morreram, em julho de 2020, 180 pessoas, mais 41 óbitos que no ano de 2019 e 42 acima da média dos últimos cinco anos. Este aumento pode ser, quase totalmente, explicado pelas mortes por covid-19, uma vez que, na área do ACES do Alto Ave, houve 44 óbitos relacionados com a doença, desde o inicio do ano até 12 de julho.

No distrito de Braga, no mês de julho, também se verificou um aumento da mortalidade relativamente ao ano anterior. Em julho de 2020, morreram 653 pessoas, no mesmo mês do ano de 2019, morreram, no distrito, 459 pessoas. Não há, nos cinco anos anteriores, nenhum em que o número de mortos em julho se aproxime dos valores de 2020. Em 2016, o ano em que morreu mais gente no distrito, no mês de julho, morreram 476 pessoas, menos 182 que agora.

A tendência mantém-se quando alargamos a análise para a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte). Em julho de 2020, foram registados, na ARS Norte, 3 257 óbitos, uma subida de 693 relativamente ao ano anterior. São mais 618 óbitos que no pior mês de julho dos cinco ano anteriores, que tinha sido em 2016.

Quando se trata da mortalidade total anual (até 31 de julho), Guimarães foge à regra. Nos diversos níveis de análise, o ano de 2020 é sempre aquele em que se regista o maior número de mortes mas, no caso de Guimarães não há diferenças significativas nos últimos três anos.

A curva da mortalidade tem um comportamento semelhante nos vários níveis da análise do Mais Guimarães. Desce, entre janeiro e fevereiro, faz um pico em março, volta a descer até maio, faz novo pico em junho e recomeça a descer. Esta curva é muito semelhante nos cinco anos antes da pandemia, entre 2015 e 2019, apesar de algumas irregularidades, como dois picos maiores em março e junho de 2018 (o ano em que morreu mais gente no concelho).

Em 2020, a curva da mortalidade afastou-se desta regularidade. No caso do concelho de Guimarães este afastamento ainda não tinha sido muito notório, o pico superior, em março, foi menor, mas o inferior, em maio, também não foi tão acentuado, o pico de junho foi em linha com os anos anteriores, mas a queda que habitualmente acontece em julho, este ano está a ser menos pronunciada.

“O excesso de mortalidade deve-se aos doentes não-Covid que claramente ficaram atrasados. Não vale a pena arranjar outras explicações”, Miguel Guimarães

Graça Freitas, a diretora-geral de saúde, relacionou estes óbitos, sobretudo os da faixa etária acima dos 65 anos, com o “intenso calor”. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, o mês de julho passado foi o mais quente em 89 anos, com o valor médio da temperatura máxima do ar a atingir os 33,34 graus. No acumulado, os meses entre janeiro em julho de 2020, foram os mais quentes desde 1931. 

O bastonário da Ordem dos médios, contudo, discorda de Graça Freitas. Para Miguel Guimarães, o aumento da mortalidade em julho deve-se aos doentes de outras patologias que não receberam resposta do SNS. “O excesso de mortalidade deve-se aos doentes não-Covid que claramente ficaram atrasados. Não vale a pena arranjar outras explicações”, afirmou o bastonário dos médicos, em declarações à Renascença.

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