Muralha propõe visita guiada à Antiga Judiaria de Guimarães
A Muralha, Associação de Guimarães para a Defesa do Património, promove no sábado, dia 17 de outubro de 2026, uma nova visita guiada, dedicada à Antiga Judiaria de Guimarães. A visita começa às 11h00, com encontro na Praça de Santiago, e é conduzida pela arquiteta Inês Francisca Oliveira. As inscrições devem ser feitas através do email guimaraesmuralha@gmail.com.

@ Muralha, Associação de Guimarães para a Defesa do Património
A atividade propõe descobrir algo que se perdeu no tempo: a presença da comunidade judaica em Guimarães, que estaria situada na zona onde é atualmente a Rua Dr. António Mota Prego. O percurso procura lembrar essa presença na cidade e refletir sobre aquilo que permanece, desapareceu ou apenas pode ser conhecido através das fontes históricas. A visita aborda a localização da antiga Judiaria e as referências documentais à existência de uma comunidade judaica e de uma sinagoga desde o século XIV.
Um dos momentos centrais é a abordagem ao espaço associado à antiga sinagoga. Embora atualmente não existam vestígios físicos que permitam identificá-la, segundo a memória registada pelo Abade Oliveira Guimarães, a antiga cadeia de Guimarães encontrava-se instalada no local onde anteriormente teria existido a sinagoga. A cadeia viria depois a ser ampliada e, mais tarde, também esse edifício desapareceria.
Esta transformação permite explorar uma forte dimensão histórica e simbólica: um espaço anteriormente ligado à oração, reunião e vida comunitária judaica tornou-se um espaço de encarceramento, num período marcado pela conversão forçada de 1496, pela crescente pressão religiosa e pela perseguição dos cristãos-novos, muitos dos quais acabariam presos pela Inquisição. Embora não exista uma relação causal direta entre a antiga sinagoga e a perseguição inquisitorial, a mudança de função permite refletir sobre a profunda transformação da condição dos judeus em Portugal e sobre o desaparecimento da sua presença pública.
Será ainda estabelecida uma comparação com Tomar, onde a antiga sinagoga também foi utilizada como cadeia, mas cujo edifício sobreviveu e é hoje preservado. Em Guimarães, pelo contrário, tanto a sinagoga como a cadeia desapareceram fisicamente, deixando documentos e memória como principais formas de acesso a essa história.
A visita procura questionar o que acontece à memória de uma comunidade quando desaparecem os lugares que testemunhavam a sua existência e de que forma se pode voltar a reconhecer uma história que durante séculos fez parte da cidade, mas que hoje se tornou pouco visível. Mais do que reconstruir fisicamente o que desapareceu, pretende-se discutir de que forma essa memória pode ser reintegrada na narrativa da cidade e reconhecida como parte da sua história coletiva.





