Natureza para que te quero!

Por Mariana Silva, Deputada na Assembleia da República (Os Verdes)

O mês de junho é um mês em que se celebram muitas datas criadas com o propósito de relembrar e alertar para a necessidade crescente da defesa da natureza, da biodiversidade e do ambiente.

Ao longo do tempo vai-se reclamando mais e melhor meio ambiente, mais e melhor proteção e conservação da natureza e são tantos os planos, os compromissos, os programas que prometem essa valorização e aproximação da natureza.

Com a crise pandémica que vivemos nos últimos dois anos, a consciência de que aliarmos a saúde à natureza tornou-se mais forte e muitos foram os que, podendo, procuraram passar os confinamentos obrigatórios em territórios mais naturais.

Todos dizemos que a casa comum que é a Terra precisa de ser preservada, mas a cada momento de crise lá voltam a preocupação e os planos para defesa do ambiente para a gaveta, e só não se deita a chave fora porque uma vez por outra fica bem apresentar um projeto de teor ambiental.

A ONU lançou em 2021, no dia Mundial do Meio Ambiente, a “Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas 2021-2030”, respondendo aos apelos dos cientistas que afirmam que temos 10 anos para evitar alterações climáticas de consequências catastróficas e a constante perda da biodiversidade. O objetivo central é aumentar em grande escala a restauração de ecossistemas degradados, travar a perda de um milhão de espécies em risco, aumentar a segurança alimentar e assegurar o abastecimento de água.

No entanto, para além do orçamento do Fundo Ambiental para o Restauro da Natureza ser residual, o que sabemos é que não há investimento, que é urgente, na contratação dos meios humanos suficientes para que se possa fazer, entre muitas outras coisas, uma avaliação da real perda de biodiversidade em Portugal, não existem dados essenciais para a caracterização de vulnerabilidades da biodiversidade, seja no solo, em plantas e invertebrados ou no mar.

O cadastro das propriedades florestais a norte do Tejo continua por realizar, colocando em questão o plano para a prevenção de incêndios, num ano tão seco como aquele que estamos a passar, e com um processo de desresponsabilização da Administração Central travestido de co-gestão dos Parques Naturais que poderá colocar em risco estas áreas protegidas que exigem um investimento mais vasto e um conhecimento da proteção e conservação da natureza que muitos municípios não possuem.

E assim se vai andando, entre as promessas de que as políticas ambientais vão ser mais presentes e mais desenvolvidas e a resposta às crises. Com a pandemia decidiram facilitar novamente nos produtos descartáveis, as máscaras competem hoje com as beatas no chão, porque não são leis, por si só, que alteram comportamentos erráticos.

Em Guimarães assistimos a mais um anúncio, na semana passada, de que Guimarães se candidatará a Capital Verde Europeia em 2025, com a entrega do processo de candidatura prevista para 2023.

Não deixa de ser digno de registo que a CDU questionou vezes sem conta o executivo na Assembleia Municipal sobre esta data, e nunca nos foi respondido. Questionado o então presidente da câmara e candidato ao mesmo cargo, do PS, nas eleições autárquicas sobre quando pretendia ser Capital Verde lá se chutava para a Estrutura de Missão 2030.

A Estrutura de Missão 2030 tinha sido apresentada em 2018 e, não havendo qualquer notícia sobre a mesma, era legítimo que se questionasse em que ponto se encontrava o trabalho. De sopetão, o executivo camarário PS resolveu apresentar as datas, porque não tinha mais nada para apresentar, na mais recente reunião de Câmara descentralizada.

Reunião em que este anúncio, apesar de ter como tema o Ambiente, apanhou todos de surpresa.

Terá sido por isso que, sugerimos nós, ninguém se inscreveu, três dias antes da reunião, para ter direito a colocar questões no final da mesma.

Se continuarmos assim só nos restará perguntar, “Natureza para que te quero?”.

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