Nuno Santos

Nome completo:
Ricardo Nuno Carvalho Santos

Data de nascimento:
11 de agosto de 1966

Naturalidade:
Joanesburgo

Profissão:
Treinador de andebol

Nasceu muito longe de Guimarães, em Joanesburgo, na África do Sul. Estava ligado à Cidade Berço desde a nascença porque a sua mãe era natural de Guimarães. O pai, jogador de futebol, formado em Moçambique, veio para a metrópole jogar, contratado pelo Benfica ao Sporting de Lourenço Marques. Uns anos mais tarde veio jogar para o Vitória e foi assim que conheceu a mãe.

As ligações africanas do pai mantinham-se e acabou por conseguir um contrato na África do Sul. Está explicado como é que um vimaranense foi nascer a terras africanas. No fim da carreira futebolística do pai, a família fixou-se em Quelimane, uma capital da Zambézia, no centro de Moçambique. A família do pai era dali e tudo fazia prever que cresceria na cidade à beira do Índico. O 25 de abril 1974, em Portugal, seguido da independência de Moçambique, proclamada a 25 de junho de 1975, alterou os planos de vida da família de Nuno, como de tantos outros portugueses das colónias.

O clima em Moçambique era de guerra e a hostilidade relativamente aos portugueses fazia com que temessem pela vida. Nuno, a irmã e um primo foram enviados para Portugal, os pais ficaram mais um ano a tentar salvar alguns haveres, ou a ver se a situação se compunha de forma que a vida ainda fosse possível naquela terra.

Nuno, entre os oito e os nove anos, viu-se numa terra que não conhecia, fria, entregue a familiares, com costumes diferentes, de que só tinha ouvido falar. “Foi muito duro, uma adaptação muito difícil”.

A mãe, professora primária, entretanto, regressou a Guimarães e as coisas começaram a melhorar. Integrou-se num grupo de amigos que o levaram para o Andebol. Havia de ser uma paixão para a vida inteira. Começou no Fermentões, passou pelo Vitória, pelo Xico e pelo Coelima. “Enquanto jogador, interessei-me sempre pelas questões táticas do jogo”, relembra.

Já havia no jogador Nuno Santos um treinador a nascer. Começou cedo a treinar os escalões de formação, ainda era jogador. “Foi o Augusto Silva, quando era diretor de secção do Vitória que me lançou o desafio de começar a treinar uma equipa de miúdos”, recorda.

O percurso de treinador ficou, até hoje, sempre muito ligado à formação. Vitória, Fermentões, Xico, AD Fafe, ISAVE, enquanto foi passando por estas equipas esteve sempre ligado às seleções dos escalões de formação da Associação de Andebol de Braga. Um troféu de que guarda uma recordação especial é a Taça de Portugal de 2010, vencida pelo Xico Andebol. “Vencemos essa Taça com uma equipa de juniores, tínhamos até um juvenil, o Rui Silva”.

Por essa altura foi chamado pela Federação Portuguesa de Andebol para integrar o departamento de formação. Os resultados não podiam ser melhores, os juniores portugueses têm estado regularmente entre as quatro melhores seleções, com um investimento muito diferente da concorrência.

“No contexto português, um atleta é muito importante, porque há poucos”, observa. Por isso, as semanas são passadas a ver vídeos de jogos, a observar atletas, e os fins de semana a ver jogos. “Vejo uma média de três jogos por fim de semana, em circunstâncias normais”.

Apesar do trabalho da paixão pelo trabalho que faz nas seleções, confessa que às vezes sente saudades da vivência diária do pavilhão. Relativamente ao Xico, “é um clube especial, que está a recuperar uma mística que tinha vindo a perder. É um clube familiar, mas onde não se perde o sentido profissional”. Recorda que, quando coordenava a formação do clube, “não era preciso fazer reuniões de treinadores. Andávamos por ali e falávamos, a partir do momento que estava falado, as coisas apareciam feitas. Não eram precisas reuniões”.

A paixão do pai passou ao filho único, licenciado em Educação Física e jogador de andebol no Xico. Mas lembra, na opinião deste formador de jovens atletas, o importante não é a modalidade que praticam, “o importante é serem felizes”.

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