O CAMPELOS TEM UM CAMPO DE JOGOS RENOVADO (E O MESMO FERVOR DE HÁ 67 ANOS)

Clube assinala, este mês, o 67.º aniversário. A data é especial porque as infraestruturas desportivas do Campelos foram alvo de requalificações. Ainda há objetivos a atingir para o clube ser “totalmente independente” e o futuro é das camadas jovens — especialmente do futebol feminino.

© Nuno Rafael Gomes/ Mais Guimarães

Do Campo de Jogos do Clube Operário de Campelos (COC) vê-se, lá ao longe, a Montanha da Penha. No cume, a igreja. A vista desafogada que se tem a partir daquele campo de jogos só não é a maior protagonista do cenário porque ali há bolas a rolar. E é assim desde há 67 anos, entre Vila Nova de Sande e Ponte. Este é um clube de duas terras que com o Campelos se tornam numa.

Este sábado, em jeito de comemoração, as requalificações à infraestrutura desportiva foram inauguradas. O presidente do clube, José Pimenta, proferiu um discurso curto, mas carregado de emoção e de agradecimento. Terminou-o com a frase que ecoou mais do que uma vez ao longo da cerimónia: “Viva o Campelos!” É o sócio n.º 8, parte de “um conjunto de jovens que apareceu para reabrir o clube”.

O presidente do COC, José Pimenta. © Nuno Rafael Gomes/ Mais Guimarães

É que o COC “esteve parado de 1968 a 1975, no período em que a fábrica estava fechada”. “O clube dependia da fábrica, o pessoal emigrou e a juventude decidiu formar uma equipa de restauradores, uma coisa popular para não deixar cair isto no marasmo. Aparecemos 17 e a partir daí foi sempre a aumentar, sempre com o lema de fazer as coisas com os pés bem assentes na terra para que o clube não se endividasse”, recordou. Esteve para o Campelos em 75/76, voltou em 1980 para ser vice-presidente até 1982. Depois, até 1985, desempenhou o cargo de presidente. Acabaria por sair e voltar, mais uma vez: “Estive fora até 1996, ano em que entrei como secretário-geral. Depois, vice-presidente.” Em 2014, voltou a desempenhar o cargo de presidente.

Com décadas dedicadas à casa, José Pimenta luta, agora, para que o clube seja totalmente independente. Há novos balneários, sala de reuniões, lavandaria, casas de banho para pessoas com mobilidade reduzida e cobertura para bancadas, num investimento que ronda os 200 mil euros, atribuído pela autarquia.

Quem também já assumiu as rédeas do clube foi António Rodrigues. Ele que é, precisamente, o sócio n.º 67. Foi diretor em 92/93, “anos de muito trabalho”. Para ex-dirigente, a empreitada representa “melhorias que, pelo menos, dão um certo estímulo ao clube”. A ideia é ecoada pelos que marcaram presença na inauguração das reparações. Emília Miranda ostentava uma bandeira do clube e vestia um casaco do mesmo emblema. Viveu o dia com fervor. Mas evita ver os jogos: “Não venho ver, que eu stresso muito”, disse. “Mas toda a família é do Campelos. E Campelos sempre! O maior clube do mundo. Ponha isso na notícia. Era preciso estas obras, o campo parecia um lamaçal. Olhe que berrei muitas vezes com o presidente da junta.”

Os sócios n.º 67 e n.º 25 do Campelos. © Nuno Rafael Gomes/ Mais Guimarães

As obras, referiu António Rodrigues, “são merecidas”, já que o clube é um dos mais antigos do concelho. Fundado em 1953, o COC figura hoje na 1.ª Divisão da Série C da AF Braga. O objetivo é a promoção, apontou o atual presidente: “Nós só não subimos se não nos deixarem. Temos equipa para subir. Se for futebol por futebol, subimos”, garantiu José Pimenta.

Empenho de todos

Com o peso das emoções a marejar-lhe os olhos, o presidente do Campelos viu o seu discurso a ser elogiado pelo presidente do município, Domingos Bragança: “Se hoje houve um momento de comunicação forte, essa foi a expressão do sentimento do Presidente José Pimenta. Uma intervenção genuína e autêntica, que transmitiu uma enorme felicidade”, disse o Presidente da Câmara. Estendendo a entrega ao clube à comunidade, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães apelou à partilha do campo de jogos: “Sem a vossa força e dinâmica e o vosso acreditar nestes 67 anos, não estaríamos hoje aqui a inaugurar este espaço. Gratidão para o clube pela história e sucesso.” O Edil apelou ainda à partilha do espaço com outros clubes, algo que já acontece com a equipa de futebol feminino do Vitória e com uma formação do Pevidém: “Quando temos disponibilidade para uso de outros clubes, não faz sentido fecharmo-nos. É para o uso do Campelos em primeiro lugar; depois, para partilhar com outros clubes. Isso é bom para todos.”

José Pimenta, Domingos Bragança e Sérgio Castro Rocha. © Nuno Rafael Gomes/ Mais Guimarães

Já o presidente da Junta de Freguesia de Ponte, Sérgio Castro Rocha, referiu que este momento é “fruto de um sonho de muitos anos e de um trabalho que não foi fácil”. O autarca destacou as novas condições do Campo de Jogos do COC e enalteceu o papel de Domingos Bragança no processo: “Tudo isto de deve ao nosso presidente de Câmara”. Sérgio Castro Rocha manifestou ainda estar convicto que, no espaço “de dois ou três anos”, o COC poderá ter uma vila desportiva.

Do lado do presidente da AF Braga, Manuel Machado, expressou-se a importância das autarquias na recuperação e reabilitação das infraestruturas desportivas: “Temos aqui um complexo extraordinário, com apoio da Câmara Municipal de Guimarães, que tem apostado muito forte em equipamentos desportivos para que os clubes consigam evoluir na sua formação. É um problema que as câmaras estão a assumir e tenho de elogiar.” Manuel Machado realçou ainda que o COC “é um dos mais cumpridores da Associação de Futebol de Braga”.

O renovado campo de jogos é um “complexo extraordinário”. © Nuno Rafael Gomes/ Mais Guimarães

Agora, disse o presidente do COC, faltam “luzes LED, uma rede mais alta” para uma das partes do campo e uma carrinha para as deslocações do clube, já que o Centro Social Recreativo e Cultural de Campelos tem cedido a sua carrinha. Os olhos estão também postos na formação, que já existiu: “Estamos a pensar nas camadas jovens, mas não dizemos os miúdos, porque será um pouco difícil. Talvez começar com miúdas, dos oito, nove, dez anos, e começar a fomentar o futebol feminino.”

Foco está nas formação de camadas jovens. © Nuno Rafael Gomes/ Mais Guimarães

Dos tempos em que os “restauradores” pagavam “mil escudos por ano” pelo arrendamento do campo aos dias de hoje, a história foi-se escrevendo entre Vila Nova de Sande, Campelos e Ponte. E aquele campo, como ficou acordado nos idos anos ’70, “é do Campelos enquanto existir o Campelos”. Assegurar o futuro do futebol naquele novo relvado contribui para que contratos não cessem, mas também para prolongar o vínculo social e cultural. Já diz o hino: “Lá no campo batem forte os corações/ Cantam o hino com aplausos e gritos/ Em Campelos são iguais as emoções/ Durante a festa do S. dos Aflitos”.

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