O EGOCENTRISMO COMO ANÚNCIO DA DECADÊNCIA DA IDEIA DE SOCIEDADE (QUE CONHECEMOS)

Eliseu Sampaio

Diretor do jornal Mais Guimarães

Egocentrismo, cujo termo deriva da junção de egôn e kêntron, significa um “eu no centro”, e consiste numa exaltação excessiva da própria personalidade.

Uma pessoa egocêntrica e por consequência, uma sociedade egocêntrica, não consegue colocar-se no lugar de outra, porque está constantemente ocupada com os seus “eus” e com os seus próprios interesses. O egocentrismo é, naturalmente, sinónimo de egoísmo, porque os indivíduos e as sociedades centram-se só em si ou, pelo menos, pensam em si sempre em primeiro lugar.

Ter confiança nas nossas capacidades, qualidades e pontos fortes é muito saudável e positivo. O principal problema está em reconhecermos também as nossas falhas.

Vem isto a propósito da necessidade de sermos mais objetivos quanto ao que pretendemos que seja a sociedade em que nos inserimos: Queremos uma sociedade que se coloca em “bicos de pés” pela mínima conquista ou que se exalta só quando as vitórias são realmente significativas? Que consegue identificar claramente os seus pontos fortes e fracos, evidenciando uns e ocultando outros? Ou queremos, por outro lado, uma sociedade que procure constantemente ser melhor, mais inclusiva e tolerante, e não encontre no seu Egocentrismo o refúgio ilusório para o “salto em frente” e a fuga à sua verdade?

Como membros desta sociedade que gostaríamos de construir, não nos podemos alhear do problema que surge da excessiva individualização e do culto do “Eu” em detrimento do “Nós”. Circunstância que resultará, inevitavelmente, em maior solidão.

O amor constrói. Gostarmos de alguém, mesmo quando estamos parados durante o tempo de dormir, é como fazer prédios ou cozinhar para mesas de mil lugares.

Valter Hugo Mâe, em “O Paraíso são os Outros”

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