O Inevitável regresso ao passado

Por Carlos Guimarães.

O futuro do planeta, da sociedade e das nossas vidas estava muito dependente da nossa conduta como espécie dominante. Os nossos projetos de vida foram sempre o fio condutor tutelados pelos sonhos, saúde, políticas e economia, muito concentrados no nosso pequeno mundo, a nossa vidinha. Temos 20 anos de século XXI e nunca pensamos ter de voltar ao distante século XX, mas iremos recuar obrigatoriamente aos anos 90 com a tecnologia e ensinamentos do século atual. Temos de nos preparar para esse choque quando estivermos recuperados do choque atual. Não devemos esquecer que também fomos felizes no século XX. A humanidade conduzia e imprimia a velocidade quase sem olhar a meios, definia as regras, as contas, a produtividade e de repente um vírus, uma micropartícula parasita mudou tudo, redefiniu a necessidade de um novo estado e mostrou a nossa fragilidade a um nível nunca imaginado. Afinal somos mesmo muito vulneráveis individual e coletivamente. A arrogância foi vencida pelo medo. Iremos voltar ao século XXI mais lentamente do que o retrocesso mas chegaremos ao presente muito antes de decorridos 20 anos. Ninguém duvida que o mundo será obrigatoriamente diferente porque as tareias também ensinam, mas paulatinamente ficaremos próximo daquilo que somos.

Teremos de trabalhar usando aquilo que é indispensável para fazer uma obra melhor, as mãos, o coração e a inteligência. Mastigar e saborear o conhecimento compartilhando-o. O distanciamento hoje ajuda mas amanhã temos de viver mais próximos, em comunidade, mais gratos e menos egoístas. Em vez de ligar o automóvel para ir comprar o ovo que nos falta, devemos pedi-lo emprestado ao nosso vizinho. Fica mais barato, não poluímos, descobrimos que temos vizinho, ele sente-se útil e nós agradecidos.

Não devemos esquecer que a natureza encontra sempre um caminho, com ou sem a nossa espécie.

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