O PSD NO SEU LABIRINTO

Por Esser Jorge Silva

Não tem tido vida fácil, Bruno Fernandes, líder do PSD de Guimarães. Desde que foi eleito, o presidente da Comissão Política local tem enfrentado muitas dificuldades em impor o seu estilo. Considerado muito “diretivo e controlador”, cedo se romperam as relações criando duas partes sistematicamente em descordo. A demissão de Tiago Laranjeiro de líder da bancada parlamentar na Assembleia Municipal só veio revelar aquilo que os laranjas de Guimarães aventavam em surdina: “Bruno lidera a Comissão Política como se fosse o chefe do Politburo da União Soviética”. Além do estilo “muito centrado em si” não parece abonar em seu favor o desconhecimento da cidade. É-lhe, nomeadamente, apontada alguma falta de tato na gestão das relações, optando por relacionar-se “de cima para baixo”, algo que não é habitual no PSD da cidade. Mesmo alguns elementos da Comissão Política por si liderada se sentem incomodados com a “apatia”. Inclusive Paulo Almeida, familiar de André Coelho Lima, não se tem coibido de aqui e além manifestar o seu incómodo.

As queixas são mais do que muitas e vão desde o controlo fechado do partido entre André Coelho Lima e Bruno Fernandes e a ausência de estratégia política para enfrentar a realidade da política local. “O partido tem funcionado num improviso muito grande e falha na abordagem de muitas coisas importantes”, refere um dos membros da Comissão Política, também eles descontente. A não auscultação e discussão na Comissão Política é vista como a causa para um certo descontentamento por abordagens de dossiês considerados “no mínimo desgarrados” e “sem discussão prévia”. Tal realidade tem afastado os poucos militantes ativos criando a ideia e vazio.

O descontentamento tem sido mais do que evidente. Muitos dos nomes que ficaram de fora da Comissão Política como Rui Armindo Freitas, César Teixeira ou Daniel Rodrigues têm mostrado a sua apreensão, alardeando a sua preocupação junto de “outros companheiros”. Mesmo alguns velhos militantes como Roriz Mendes não têm deixado de manifestar apreensão. A recente crise de liderança na bancada parlamentar da Assembleia Municipal deixou mossas e nem a assunção interna da liderança parlamentar por Paula Damião acalmou as hostes. À última da hora foi necessário chamar Emídio Guerreiro, deputado à Assembleia da República, ex-Secretário de Estado do Desporto e figura amplamente respeitada que, prontamente disse que sim, tendo já tomado posse e dirigido a bancada parlamentar na última sessão.

A rápida anuência de Guerreiro parece ter acalmado as hostes. Mas as desconfianças da liderança “incipiente” não desapareceram. “Emídio foi um bombeiro chamado a apagar o Inocêncio” mas corre riscos de estar a ser “usado e vir a ser defenestrado” aquando da escolha dos deputados, adverte uma fonte. O caso tem a ver com o facto de André Coelho Lima estar a investir numa carreira política em Lisboa. Neste caso o já tradicional lugar de Guerreiro no círculo de Braga poderá estar a ser reservado para Coelho Lima. É claro o investimento que este último tem feito e os créditos por si granjeados junto de Rui Rio. E, “se assim for é uma traição para Emídio. Muito embora se saiba que ele também é um indivíduo muito inteligente e já deva ter percebido esta realidade”.

Por ouro lado este raciocínio parece bater certo com os passos recentes de Emídio Guerreiro. Num dos últimos Conselhos Nacionais do PSD, o deputado fez um balanço da sua carreira de quinze anos na Assembleia da República – e Governo – para se assumir como um “profissional da política”. Esta mensagem pode também ser interpretada como alguém que já não espera mudar de vida. Assim sendo, o lugar de candidato às legislativas na lista do Distrito de Braga, pode vir a ser disputado no interior do PSD vimaranense com um vigor que ninguém esperava. Neste caso, a luta entre os companheiros André Coelho Lima e Emídio Guerreiro – “que se dão muito bem” – terá o condão de separar as águas não só para o momento mas também para o “futuro”.

E futuro aqui quer dizer eleições autárquicas. Quando se questiona se Emídio Guerreiro poderia repetir a candidatura de 1993, os olhos dos interlocutores arregalam-se: “talvez só ele esteja à altura de derrotar o PS”, afirmam. De repente o curriculum político de Emídio Guerreio parece estar a ser olhado como uma das soluções de vitória autárquica para um PSD que, desde 1989, não sabe o que é sentar-se na cadeira do poder. Só falta saber se Emídio Guerreiro quer pegar no moribundo PSD vimaranense.

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