O RIO AVE É DE TODOS E AGORA HÁ UM PROJETO PARA TODOS CUIDAREM DELE

Projeto-piloto foi apresentado na manhã desta terça-feira e conta com vertente científica para uma gestão eficiente dos recursos.

© Mais Guimarães

Se desenvolvemos uma ligação com os oceanos e lutamos pela despoluição dos mesmos, por que não temos o mesmo sentimento de pertença pelos rios que banham as nossas terras? Reforçar essa ligação é um dos (muitos) objetivos do projeto-piloto “O Ave para Todos”, que foi apresentado na manhã desta terça-feira pela Câmara Municipal em Guimarães (CMG). O projeto, que integra a Estrutura de Missão para o Desenvolvimento Sustentável Guimarães 2030, foi desenvolvido e será implementado pelo Laboratório da Paisagem.

“O Ave para Todos” faz jus ao nome: quer unir a comunidade na missão de cuidar e olhar pelo rio que dá o nome ao projeto. De acordo com a informação apresentada durante a sessão, estarão envolvidas mais de 41 mil pessoas, distribuídas por 24 escolas, 14 juntas de freguesia e sete Brigadas Verdes. Segundo o presidente da CMG, Domingos Bragança, este terá um custo de 75 mil euros. Aprendendo com as lições retiradas de outros projetos semelhantes, como o do Rio Selho, o município aposta agora num programa de três frentes complementares para obter melhores resultados: os eixos “Educação e Sensibilização Ambiental”, “Investigação e Desenvolvimento” e “Comunicação” permitirão alcançar os objetivos a que “O Ave para Todos” propõe. E o Edil reconheceu que, no passado, nem todas as intervenções tinham sido bem realizadas: “Era necessário este eixo da investigação para dizer como fazer.”

A vertente pedagógica do projeto apostará em iniciativas como sessões teórico-práticas, conselhos consultivos e ainda criação de sinalética para as margens do Rio Ave, incluindo uma análise de um troço de 100 metros. Depois, no que diz respeito à investigação, que se alarga “a um território” de 90 quilómetros, prevê que o conhecimento científico possa permitir a gestão eficiente dos recursos — e todos os locais do concelho onde o Rio Ave passa precisam de “reduzir ou eliminar as espécies invasoras e melhorar as espécies nativas”. Conta-se ainda em “identificar polos de poluição”. No que concerne a comunicação, o objetivo é mesmo fazer chegar o projeto à população de forma simples, estando marcado o lançamento de um livro para setembro do próximo ano, cujo conteúdo incidirá nos primeiros resultados do projeto.  

A recandidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia motiva a criação do projeto-piloto. Nos resultados da anterior candidatura, a cidade teve “nota baixa” na área dos recursos hídricos; por outro lado, distinguiu-se a “envolvência da comunidade”. Por isso, “O Ave para Todos” tentará equilibrar os dois pontos para atingir os resultados desejados pelo município. Das 14 freguesias atravessadas pelo Ave, apenas metade tem Brigada Verde constituída — e dobrar esse número também é algo almejado tanto pelos responsáveis pelo projeto como pelo executivo.

Ainda assim, “O Ave para Todos” não será apenas um projeto concelhio — bem pelo contrário. Domingos Bragança espera que os concelhos que fazem parte da bacia hidrográfica do rio integrem o projeto. Porque, segundo o Edil, “quem usa, cuida”. E se o Rio Ave é importante para a região, então deve existir uma “monitorização constante” do rio, como foi apontado durante a apresentação do projeto.  

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