“O SOM DAS PALAVRAS” VAI ECOAR EM GUIMARÃES ATRAVÉS DO FESTIVAL HÚMUS

Sérgio Godinho, Carlos Tê, Jimmy P ou Ana Bacalhau são alguns dos nomes que marcarão presença em diversas atividades em Guimarães, no âmbito do Festival Húmus, que, este ano, se foca na “importância da palavra dita, falada e cantada”.

“O som das palavras” é o mote da 4ª edição do Festival Húmus que, de 07 a 14 de março, traz a Guimarães nomes como Sérgio Godinho, Carlos Tê, Jimmy P ou Ana Bacalhau. Este ano, o festival literário está focado na “importância da palavra dita, falada e cantada”, explicou Ivone Gonçalves, diretora da Biblioteca Municipal Raul Brandão, onde decorreu esta segunda-feira a apresentação do programa do festival.

“Temos um leque variado de convidados, com alguns nomes bastante interessantes do panorama musical. Este festival representa um grande esforço da autarquia para que o festival ganhe em qualidade, todos os anos, e atraia novos públicos”, explicou Ivone Gonçalves. Apesar de só se iniciar oficialmente a 07 de março, o festival já está a ser preparado desde a passada semana, com Oficinas de Escrita Criativa nas Escolas Secundárias com Maze, rapper dos Dealema. “Estão a correr muito bem. No final, os alunos irão realizar um espetáculo na Biblioteca, com o Maze, sobre a questão das Spoken Words, a importância da palavra e de como a palavra tem um poder tão forte”, explicou a responsável.

Também presente na sessão, a vereadora da Cultura, Adelina Paula Pinto, apontou que o programa é, de igual modo, “centrado no livro e na leitura”. “É também centrado nos adultos, na Biblioteca, naquilo que queremos que seja este espaço aberto a novas oportunidades de leitura e de diálogo com o livro. Daí termos as mesas de debate e reflexão, que nos levem a pensar, a ler e a ter novas ideias”, apontou.

Adelina Paula Pinto apontou ainda que os rappers e músicos são “mediadores de leitura” que “vão mostrar aos alunos que, para se ser rapper ou cantor, é preciso ser leitor, ter vocabulário e ler o mundo. Esse ler o mundo está nos livros”. “Nós, os mais velhos, temos, por vezes, a ideia que o rap não é para nós. Porém, se estivermos atentos ao que o rap nos diz, há muito trabalho, leitura e pensamento por detrás do rap. Através do rap, é mais fácil chegar um público que muitas vezes não encontra no livro o encanto que gostaríamos que encontrasse”, vincou Adelina Paula Pinto.

Oficialmente, o festival inicia-se conversa com uma Entrevista de Vida a Laborinho Lúcio, “uma figura excecional que vale a pena ouvir”, descreveu Ivone Gonçalves. “O Laborinho é conhecido mais por ter sido Juiz, foi Ministro da Justiça, mas é um comunicador fantástico, leitor e escritor que acrescenta muito pela sua história de vida”, acrescentou Adelina Paula Pinto. Para 07 de março, dia do 28º aniversário da Biblioteca, está também reservado um espetáculo de evocação dos 100 anos de Amália, com Patrícia Costa.

A 12 de março, dia do 153º aniversário de Raul Brandão, pelas 15h00, o Grupo de Teatro de Nespereira apresenta o espetáculo “Angelina Brandão vem à Cidade”, numa alusão à mulher de Raul Brandão. “Raul Brandão foi um grande escritor e, apesar de não ser de Guimarães, casou com uma vimaranense, Maria Angelina. Raul Brandão transporta Guimarães nos livros”, elogiou a vereadora da cultura.  No mesmo dia, pelas 19h00, o debate “Escrevo como Canto” tem como convidados Carlos Tê e Sérgio Godinho.

À noite “A Minha Vida dava um Livro” junta 10 convidados vimaranenses, que apresentarão um episódio da sua vida que pudesse ser retratado por um livro. “É um formato que iniciámos já no ano passado, de uma forma informal e funcionou muito bem. É uma forma pouco doutoral de levar as pessoas a falar de livros e a ler livros, e fazer as suas próprias leituras dos livros”, explicou Adelina Paula Pinto. Este ano, juntam-se convidados como Ivo Martins, Professor Óscar, Miguel Bastos, Sónia Ferreira, Francisca Abreu, Ricardo Batista, Florbela Castro, Rodrigo Areias, Iris Soares e Paula Nogueira.

A 13 de março, pelas 19h00, mais um debate: “Amália na voz”, que traz a Guimarães Kátia Guerreiro e Filipa Melo. No dia 14, Fernando Ribeiro participa no debato “O Lado Negro da Literatura”, pelas 16h00. Logo de seguida o debate “São letras ou é poesia” conta com os convidados Pedro Abrunhosa e Pedro Marques Lopes.

Por várias escolas do concelho, haverá várias atividades com músicos como Carlão, Jimmy P, Ana Bacalhau e João Só, com sessões que versarão sobre temas como o bullying ou a violência no namoro. “Queremos passar mensagens relacionadas com o bullying, a interculturalidade, ou violência no namoro. Sempre ligado ao livro, porque há sempre um livro ou uma música por detrás destes projetos”, frisou Ivone Gonçalves. O evento coincide com a Semana Concelhia de Leitura, onde as escolas são convidadas a participar. “Além do que as escolas já fazem, o município via proporcionar uma série de projetos que vão envolver mais de 800 alunos”, apontou. Haverá ainda duas ações integradas no festival, nomeadamente o Concurso Literário para os alunos e um Seminário de Formação para professores.

Há cada vez mais leitores em Guimarães

A Biblioteca Municipal Raul Brandão conta, atualmente, com 40 mil leitores inscritos e, segundo a vereadora da Cultura, “ler e as bibliotecas são o mote do século XXI”. “Esta biblioteca tem cada vez mais pessoas. Nunca se leu tanto como se leu hoje. O tempo da leitura não nos é roubado, é acrescentado. O Húmus cria o tempo para a leitura”, garantiu.

Ivone Gonçalves destacou ainda a aposta anual que é feita na Biblioteca, nomeadamente na aquisição de fundos documentais e na aposta nas 53 Bibliotecas Escolares.

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